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maio 10, 2011

ÉTICA NA PRODUÇÃO ANIMAL

Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho1, Ana Maria Bridi2 e Maria José Hötzel1
Publicado no ZOOTEC 2007 (XVII Congresso Nacional de Zootecnia e IX Congresso
Internacional de Zootecnia), 29 de maio a 01 de junho de 2007, Londrina, PR.


INTRODUÇÃO

O fato de não sermos filósofos não nos desautoriza a comentar sobre “ética” na
produção animal. Afinal de contas, foi exatamente a sociedade civil organizada e seus
movimentos sociais que trouxeram preocupações éticas com a produção animal. Estas
preocupações, então, foram acompanhadas por reflexões e trabalhos de diversos
filósofos (SINGER, 1975, REGAN, 1983; ROLLIN, 1995).
Seria mesmo interessante um debate ético sobre a produção animal dentre os
profissionais da Zootecnia. Há muito que os conceitos de “neutralidade” e
“imparcialidade” na ciência aplicada não se sustentam, uma vez que “cientistas são
criaturas de uma cultura e de uma sociedade, como todo mundo” (BERREMAN, 1968).
Logo, nesse ambiente cada um(a) trará sua experiência, sua cultura, interesses, e fará
seu próprio juízo de valor. Nos apresentamos como professores / pesquisadores de uma
importante e emergente área da Ciência Animal: a Etologia Aplicada e bem-estar dos
animais zootécnicos. É evidente também que não somos “neutros”, e este trabalho com
certeza espelhará nossa visão de mundo. Entretanto, é um sério equívoco considerar que
a adesão a princípios éticos possa comprometer a utilização de critérios científicos
rigorosos (HURNIK, 1997). Ao contrário, ter consciência e assumir a “não
neutralidade”, nos dá melhores condições de ter objetividade científica na abordagem
de algum assunto.
A palavra ética tem origem grega (ETHOS) e significa modo de ser, o caráter. O ser
humano não nasce com a ética, esta não é uma característica adquirida geneticamente. É
uma realidade humana que é constituída histórica e socialmente a partir das relações
coletivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem, por isso ela é
constantemente repensada e mudada.

julho 10, 2010

Vegansexualismo. Ética … Sexual?

Depois dos heterossexuais, dos homossexuais, dos bissexuais e dos metrossexuais, conhece agora os … vegansexuais.
Este novo conceito de orientação sexual foi recentemente formulado pelo Centro de Estudos Humanos e Animais, da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, no âmbito de um estudo denominado “Perspectivas e Experiências de Vegetarianos e de outros Consumidores Éticos”, estudo esse incluído num projecto mais vasto sobre a interacção entre seres humanos e animais. Este estudo foi realizado a nível nacional (Nova Zelândia) e baseou-se num inquérito a 157 vegetarianos sobre os seus hábitos de vida e opções de consumo.

Como é sabido, designa-se por vegano alguém que, movido por argumentos de natureza ética, de saúde, de respeito pelo meio ambiente e/ou religiosos, opta por não ingerir quaisquer alimentos de origem animal (incluindo lacticínios, ovos e mel). No entanto, o veganismo não se restringe à alimentação. É todo um modo de vida, com princípios estritos, que implica tomadas de posição bem definidas em muitos aspectos do quotidiano, como por exemplo: renunciar ao vestuário, calçado e acessórios em couro, lã ou seda (recorrendo a outros materiais como sintéticos, algodão, linho, cânhamo ou outras fibras), exercer o consumo responsável através do boicote a empresas que poluem o ambiente, que testam em animais, etc.

O que é então um vegansexual?
Sendo a actividade sexual parte da nossa natureza, é de esperar que, também esse campo da nossa vida seja objecto de reflexão e de opções por parte dos veganos. Um vegansexual é assim alguém que escolhe não se envolver íntima e sexualmente com parceiros que ingerem carne, sob o argumento de que os corpos destes últimos são autênticos “cemitérios de animais”, literalmente construídos e sustentados por restos de cadáveres, animais abatidos em condições que implicaram grande sofrimento para os mesmos. Um vegansexual não aceita envolver-se com alguém que contribuiu para os maus tratos e matança de seres vivos, nem com alguém cujos fluidos corporais transportam resíduos de uma alimentação carnívora (suor, saliva, esperma…). Já para não falar do odor corporal, habitualmente mais intenso e pungente naqueles que ingerem carne do que nos vegetarianos.
If meat has passed your lips, you may not pass muster with that hunky vegan in the Whole Foods aisle.Não deixa de ser verdade também que todos nos sentimos, regra geral, atraídos por pessoas com interesses e hábitos semelhantes aos nossos, pois isso tende a facilitar a convivência no dia-a-dia. Para um vegano, pode ser difícil aceitar partilhar refeições com um parceiro que se alimenta de carne, devido, por exemplo, à contaminação dos utensílios de cozinha e ao cheiro dos cozinhados com carne. Por muito forte que seja a atracção sexual, esta raramente sustenta por si só os desafios do convívio prolongado...

Segundo o estudo neo-zelandês, as opções de vida dos veganos levam-nos a tomadas de consciência sobre o seu próprio corpo, o dos outros, e a uma visão diferente da vida. Essa tomada de consciência leva-os a considerar moralmente repugnante e eticamente inaceitável ter relações íntimas com carnívoros ou sequer beijar alguém por cujos lábios tenham passado pedaços de alimentos de origem animal.
Ainda segundo o estudo, são principalmente as mulheres que manifestam particular repulsa pelo envolvimento íntimo com parceiros que ingerem carne. Algumas, apesar de não se descreverem inteiramente como vegansexuais (já que consideram alguns carnívoros sexualmente atraentes), têm o vegetarianismo como critério preferencial na escolha dos seus parceiros.

Se um tal selectivismo reduz fortemente a possibilidade de encontros amorosos para os veganos (veja-se o caso de Portugal, onde a comunidade vegana é ainda reduzida), o sexo é também em si uma forma de apelo e activismo eficaz, já que, devidamente orientada e sem imposições e radicalismos, pode contribuir para mudar a forma de pensar de muitos potenciais parceiros sexuais e de vida, incutindo-lhes hábitos de vida mais saudáveis (para si próprios e para o planeta) e eticamente aceitáveis.

Fonte: Centro Vegetariano

julho 07, 2010

Ecologia? Não, obrigado, já escovei os dentes

Vanguarda Abolicionista - Marcio de Almeida Bueno


Gostaria que não fosse assim, mas há uma cisão aparentemente irremediável entre o movimento ambientalista e os defensores dos direitos animais. Quem olha de fora até imagina que se anda de braços dados, caminhando e cantando e seguindo a canção, mas a verdade é que há uma eterna rota de colisão.

Para quem é anti-especista, aceitar a pecuária mas elaborar projetos para salvar o ‘bibibó-do-bico-amarelo’ é contrasenso. Milhares de animais mortos no dia-a-dia, ok. Não se preocupar com alguns especimes de determinada área, errado.

VEGetariANISMO ÉTICO

Vegetarianismo Pelos Animais
Todos os dias são abatidos milhões de animas para alimentação humana. Este incomensurável sofrimento que se inflige aos animais é completamente injustificado, pois os humanos não têm nenhuma necessidade de se alimentarem de animais.
Se somos contra crueldade desnecessária e violência gratuita, devemos também ser contra a utilização de animais na indústria alimentar. Está nas mãos de cada um de nós, aqui e agora, demarcarmo-nos desta crueldade, adoptando uma dieta vegetariana.
O vegetarianismo ético é a aplicação prática na nossa vida do princípio do respeito pelos animais e do princípio da não-violência. O vegetarianismo ético não é como uma moda passageira que se adopta e depois se esquece, é uma questão de princípios e os princípios são para toda a vida.


Porquê Ser Vegetariano?

Ao contrário do que muitas pessoas ainda julgam, o ser humano não tem nenhuma necessidade de se alimentar de outros animais; fazê-mo-lo apenas por costume, por comodismo ou para satisfazer o nosso paladar. Uma dieta vegetariana bem planeada é tão ou mais saudável do que uma dieta omnívora bem planeada.
A maior parte de nós nunca ponderou sequer porque motivo come aquilo que come e com que justificação o faz. Limitamo-nos a comer o mesmo que os nossos pais comem, o mesmo que os nossos familiares e amigos comem, ou aquilo que a indústria alimentar nos impinge.
Chegou a altura de pensarmos pela nossa própria cabeça. As nossas acções têm consequências e a consequência de comermos produtos de origem animal é o sofrimento injustificado de milhares de animais.

Não Se Trata de Caridade, Trata-se de Respeito

O vegetarianismo ético é a base do respeito pelos animais. É a aplicação na nossa vida do princípio da não-violência e da justiça para com os seres de outras espécies.
Não temos necessariamente de gostar de animais nem de ser caridosos para com os animais, mas sim de respeitá-los. Da mesma forma que não temos obrigação de ajudar as pessoas sem-abrigo, também não temos obrigação de ajudar um cão que vemos abandonado na rua, por exemplo. No entanto, ainda que não façamos absolutamente nada para ajudar os animais, a nossa obrigação ética mínima é fazer aquilo que estiver ao nosso alcance para não os prejudicar. E a coisa mais importante que podemos fazer para poupar sofrimento aos animais é adoptar uma dieta vegetariana.

Questões Frequentes

O que é o vegetarianismo ético?

vegetarianismo ético é uma dieta baseada em vegetais, que exclui os animais e os produtos de origem animal. Diz-se ético, porque não é motivado por questões de gosto (costuma dizer-se que os vegetarianos não gostam de carne, o que não é rigoroso) nem por questões de saúde (embora nos devamos obviamente preocupar com a saúde). O vegetarianismo ético é motivado pelo respeito pelos animais e/ou por questões ambientais que afectam os direitos dos humanos e não-humanos que habitam este planeta.
O objectivo de um vegetariano ético deve ser adoptar uma dieta estritamente vegetariana (ou vegana) excluindo da sua alimentação, para além da carne e do peixe, os ovos e os lacticínios. A indústria de produção de ovos e lacticínios acaba por causar mais sofrimento aos animais do que a produção de carne. Causa mais sofrimento, porque, no caso dos lacticínios e dos ovos, os animais vivem (miseravelmente) durante mais tempo antes de serem também eles abatidos e comidos.
Apesar de o vegetarianismo estrito ser a atitude mais coerente a tomar, a maioria dos vegetarianos abandonou primeiro a carne e o peixe e só passado bastante tempo deixou por completo os lacticínios e/ou os ovos. O importante é reduzir progressivamente o consumo de produtos de origem animal e não cair no erro de pensar que só a carne e o peixe é que são condenáveis. Muito provavelmente, há mais sofrimento num copo de leite do que num bife.

Por que motivo merecem os animais respeito?

Os animais merecem ser respeitados, porque são, em muitos aspectos fundamentais, idênticos aos humanos. Na verdade, qualquer pessoa que conviva de perto com um animal pode constatar a complexidade do seu lado psicológico e como cada animal tem uma personalidade única. É por isso que não conseguimos conceber comer um cão ou um gato. Contudo, é tão errado e injustificável comer um cão como comer um porco. Na verdade, os porcos até são mais inteligentes do que os cães.
Hoje em dia, é consensual que muitos animais (nomeadamente os animais utilizados na indústria alimentar) são seres conscientes da dor e do prazer, seres que se podem alegrar ou entristecer, seres com memória do passado e com capacidade de antecipar o futuro, seres que aprendem, seres com uma vida própria que lhes pode correr melhor ou pior. Em suma, são seres que possuem as características necessárias e relevantes para merecerem o nosso respeito. Como tal, é eticamente indefensável infligir-lhes sofrimento desnecessário, mas é precisamente isso que fazemos ao alimentarmo-nos deles.

Porquê deixar de comer animais em vez de pedir que sejam tratados condignamente?

Há dois problemas com esta visão. Por um lado, sugere que não há nenhum problema em continuar a criar, explorar e matar os animais, desde que o façamos com um mínimo de sofrimento para os animais. Na nossa opinião, a exploração dos animais é injustificável em si mesma, independentemente da forma como fazemos essa exploração e por mais que tentemos adornar a imagem.
Por outro lado, esta visão sugere que é possível continuar a explorar os animais (ou, mais precisamente, a explorar cada vez mais animais, já que esta indústria tem tido um crescimento exponencial) sem lhes causar grande sofrimento, o que é completamente ingénuo (algo que os anglo-saxónicos apelidam de wishful thinking).
Segundo um relatório da ONU, prevê-se que tanto a produção de carne como a produção de leite dupliquempelo ano 2050 (relativamente aos valores de 2000). A produção de carne aumentará de 229 milhões de toneladas para 465 milhões de toneladas, enquanto que a produção de leite aumentará de 580 milhões de toneladas para 1043 milhões de toneladas. Isto traduz-se em muitos mais milhões de animais a viverem vidas de sofrimento constante.
A esperança seria alguma eventual legislação de bem-estar animal que obrigasse a indústria a tratar os animais condignamente. Mas é mais provável as galinhas ganharem dentes do que isso acontecer. A indústria de exploração dos animais é uma indústria poderosíssima com um lóbi a condizer. Esse lóbi tem força mais do que suficiente para impedir qualquer medida legislativa que se pudesse traduzir numa melhoria significativa no bem-estar dos animais (oferecer bem-estar aos animais custa dinheiro). O que se verifica na prática é que as leis de bem-estar animal só são aprovadas quando não há oposição da indústria alimentar. As melhorias que se vão conseguindo através de legislação eliminam algumas práticas de crueldade mais gritante, mas a vida dos animais continua a ser um inferno. Nos EUA e no Reino Unido, por exemplo, onde já há legislação de bem-estar animal há mais de um século, cada vez há mais animais a sofrer e das piores formas possíveis (explorados em massa e em absoluto desrespeito pela sua natureza).
Ninguém vai proteger por nós os animais utilizados na indústria alimentar. Esses animais são apenas recursos descartáveisnuma indústria que nunca será uma indústria compassiva. Para a indústria alimentar, o único valor dos animais é o seu valor comercial, o qual é insignificante face aos custos de funcionamento e ao valor das instalações. Mesmo para quem defenda apenas o bem-estar animal e não os direitos dos animais, o vegetarianismo ético constitui o único meio realmente eficaz de poupar sofrimento aos animais utilizados na indústria alimentar.

Porquê poupar sofrimento aos animais se as plantas também são seres vivos?

A resposta é tão óbvia que é quase desnecessária. O argumento (se é que se pode chamar a isso argumento ) de que as plantas são seres vivos e, por conseguinte, também sofrem, é um argumento absolutamente inválido. Claro que as plantas são seres vivos (como também o são as bactérias e outros organismos unicelulares, por exemplo), mas ninguém defende que ser-se um «ser vivo» seja condição suficiente para se ter a capacidade de sofrer — para um ser sofrer é necessário que tenha uma mente e um sistema nervoso, o que obviamente não é o caso das plantas.
Claro que se, por absurdo, as plantas sofressem, o vegetarianismo continuaria a ser a escolha mais acertada, uma vez que quem é vegetariano tem uma dieta muito mais eficiente, ao passo que os omnívoros consomem indirectamente muitas mais plantas (utilizadas na alimentação dos animais).

Porquê adoptar uma dieta que não é a dieta “natural” dos humanos?

Os humanos são animais omnívoros, mas têm características fisiológicas muito mais próximas dos animais herbívoros do que dos carnívoros. Ser omnívoro não significa que se tenha de comer carne ou outros produtos de origem animal, significa apenas que conseguimos digerir esses alimentos. Os produtos de origem animal não só não são necessários para uma dieta equilibrada, como têm muitos efeitos nocivos para a saúde humana.

Mas não há vários nutricionistas que dizem que é preciso comer carne/peixe/beber leite?
Sim, há, mas estão a precisar de actualizar os seus conhecimentos (se calhar, ainda não os actualizaram desde que saíram da faculdade ). A posição da Associação Americana de Nutrição e da associação Nutricionistas do Canadá é que «uma dietaestritamente vegetariana (vegana) e outros tipos dedietas vegetarianas bem planeadas são apropriadas para todas as fases da vida, incluindo gravidez, aleitamento, primeira infância, infância, e adolescência» e que «as dietas vegetarianas oferecem diversas vantagens nutricionais».
Claro que a dieta vegetariana não é nenhuma dieta milagrosa que cure ou previna todas as doenças e nos faça viver até aos 120 anos — como alguns vegetarianos bem-intencionados, mas demasiado entusiastas, nos parecem querer sugerir. Como em qualquer outra dieta, é preciso um planeamento adequado para se conseguir uma nutrição equilibrada. Na verdade, numa dieta estritamente vegetariana, é preciso um planeamento mais cuidadoso do que numa dieta omnívora. Porém, a recompensa desse "esforço" é sabermos que estamos a contribuir decisivamente para termos uma saúde melhor e um planeta mais sustentável, ao mesmo tempo que aplicamos efectivamente na nossa vida o princípio do respeito pelos outros animais.

Porquê negar a evolução natural do homem que se baseou na dieta omnívora?

Não colocando em causa a necessidade que os humanos possam ter tido de se alimentar de carne em tempos passados, hoje em dia não há nenhuma necessidade de continuarmos a fazê-lo, antes pelo contrário. Adoptar uma dieta vegetariana é continuar a evoluir. Por um lado, evoluir em direcção a uma sociedade mais justa e pacífica, onde seja dado aos animais não-humanos o respeito que eles merecem. E, por outro lado, evoluir em direcção a um planeta mais sustentável, onde seja possível alimentar mais pessoas, ao mesmo tempo que se reduzem os fortes impactos negativos no ambiente resultantes da criação de animais para consumo humano.

Porquê abdicar de comer animais se os humanos estão no topo da cadeia alimentar?

Ninguém nega que os humanos têm capacidade para dominar os outros animais. Mas uma coisa é ter poder, outra coisa muito distinta é ter razão. O facto de uma pessoa conseguir subjugar outra pessoa mais fraca do que ela não lhe dá o direito de o fazer. Do mesmo modo, o poder que nós temos sobre os outros animais não nos confere o direito de os comer ou explorar.

Porquê deixar de comer animais se eles próprios se comem uns aos outros?

Esta questão é engraçada, porque aquilo que os animais não-humanos fazem é normalmente dado como exemplo daquilo que os humanos se devem abster de fazer (já que somos supostamente superiores). Contudo, quando nos convém, invertemos rapidamente os papéis para tentar arranjar alguma desculpa.
A verdade é que aquilo que os outros fazem (sejam humanos ou não-humanos) não serve de justificação para as nossas acções — a menos que ainda estejamos na escola primária.
Para os animais que comem outros animais não existe nenhuma escolha moral subjacente a essa acção. No entanto, nós, humanos, temos a capacidade e o poder para escolher moralmente. E se nós podemos escolher não causar sofrimento, e ainda assim escolhemos causar sofrimento, será que não há nada de errado nisso?

Porquê preocuparmo-nos com os animais quando há problemas mais graves?

O facto de existirem problemas mais graves do que outros não é de forma nenhumadesculpa para ignorarmos os problemas menos graves.
O que é mais importante? O problema da fome extrema em África ou o problema da perda de poder de compra dos trabalhadores? Seguramente, o problema da fome extrema é mais grave, mas significa isso que devemos deixar de lutar por aumentos salariais justos para as classes mais desfavorecidas? Claro que não. Do mesmo modo, podemos respeitar os direitos dos animais ao mesmo tempo que ajudamos a combater outros problemas, sejam eles mais ou menos graves.
É engraçado que não se ouve ninguém perguntar "porque gastas tanto dinheiro para ver jogos de futebol quando podias ajudar as crianças que morrem de fome?" ou "porque passas o tempo a ver televisão quando podias fazer voluntariado para ajudar pessoas necessitadas?". Ninguém critica essas pessoas, porque elas não incomodam a consciência de ninguém. Paradoxalmente, são aqueles que fazem alguma coisa por uma mudança na sociedade que são sempre alvo destas críticas — e quem faz as críticas são normalmente os mais comodistas da sociedade.

Qual a relação da dieta vegetariana com o ambiente? E com o problema da fome?

A dieta vegetariana é uma dieta muito mais eficiente em termos energéticos e em termos de poupança de recursos naturais do que a dieta omnívora. Tal facto explica-se muito facilmente: ao comermos animais, estamos a comer indirectamente os vegetais de que esses animais se alimentaram. Se comermos directamente os vegetais, o processo é várias vezes mais eficiente.
Com idênticos recursos naturais, podemos alimentar muitas mais pessoas com uma dieta vegetariana do que com uma dieta omnívora. O vegetarianismo não vai resolver o problema da fome no mundo, mas é seguramente um passo na direcção certa.
No que concerne ao ambiente, uma dieta vegetariana contribui para minorar diversos problemas muito graves, nomeadamente o aquecimento global e a desflorestação (a principal causa de ambos é a criação de animais para alimentação), a falta de água potável (quase 1/10 de toda a água potável utilizada pelo homem a nível mundial é utilizada para criação de animais para alimentação) e a poluição (uma das principais, senão a principal causa de poluição dos recursos hídricos é também a criação de animais para alimentação).

junho 14, 2010

Porquê o vegetarianismo?

 Pela Ética - Seria imoral dizer que devemos respeitar os seres humanos por suas capacidades intelectuais, por sua capacidade de compreender equações matemáticas ou de utilizar a fala. Devemos, isto sim, respeitar os interesses dos seres humanos por sua capacidade de manifestar afetos, de sofrer pela angústia e pela solidão, de sentir medo, fome e dor. Pelos mesmos motivos devemos igualmente ter respeito pelos animais. Respeitá-los porque almejam a liberdade. Por possuírem a capacidade natural de realizar-se quando livres em seu ambiente natural. Respeitá-los porque, como nós, estabelecem laços afetivos entre si e são capazes de sentir medo, fome e dor. Mesmo que fosse moralmente correto considerar os animais como criaturas inferiores, seríamos obrigados a admitir que eles podem sofrer pela brutalidade e falta de compaixão humana.
Nas grandes fazendas mecanizadas, animais vivem durante toda a vida em alojamentos exíguos, onde muitas vezes não podem sequer dar mais que alguns passos em uma ou outra direção. Não recebem cuidados veterinários, são impedidos de sentir a relva sob as patas e até de ver a luz do sol. Estes seres que vivem e sentem, cujos sentidos são tão parecidos com os nossos, sofrem e morrem à velocidade de milhões por dia, para servir de matéria-prima à indústria dos produtos de origem animal.
Podemos fazer algo contra isso. Consumir carne, ovos e laticínios é desnecessário para nós. Devemos abandonar este hábito principalmente porque o atual sistema de produção maciça destes produtos causa dor, aflição e, finalmente, a morte de milhões de animais a cada dia. Quando nos sentamos à mesa, temos uma escolha a fazer: podemos contribuir para com a continuação dos horrores das unidades de criação intensiva e dos matadouros ou, adotando uma dieta vegetariana, assumir uma postura de respeito pela vida.

Pelos animais - Apenas no Brasil, diariamente, cerca de 11 milhões de animais são mortos nos abatedouros. Além da morte violenta e injusta, recebem ainda tratamento desumano durante toda a vida. Mutilados e mantidos em instalações superlotadas, são manipulados sem escrúpulos de forma a produzir maiores lucros para os criadores.

Pelo meio ambiente - Com a constante necessidade por áreas de pasto cada vez maiores, as atividades pecuaristas são atualmente responsáveis por cerca de 30% do atual ritmo de desmatamento das florestas equatoriais. Nos Estados Unidos, a criação de animais para consumo requer mais que a metade da água utilizada no país, além de ser a atividade que mais polui o solo agricultável e as fontes de recursos hídricos.

Pela saúde - Pesquisas têm demonstrado que dietas vegetarianas podem proporcionar melhores condições para uma vida mais longa e saudável. Estatisticamente, é entre os consumidores de carne, ovos e laticínios que há maior incidência de males cardiovasculares, artrite, diabetes e osteoporose. A carne vermelha, em especial, é a segunda maior causa de câncer, perdendo apenas para o fumo. 35% de todas as mortes causadas por câncer se devem, em grande parte, à ingestão de produtos cárneos.

Você sabe o que acontece?

Criação Intensiva - O sistema de criação intensiva, largamente utilizado na produção de carne, ovos e laticínios, exige que os animais sejam submetidos a um alto grau de confinamento. São mantidos permanentemente presos, em compartimentos exíguos, e raramente vêem a luz do sol. Muitos deles são mutilados, sempre a sangue frio, sem aplicação de qualquer anestésico. Recebem doses maciças de químicos (hormônios e antibióticos), para que produzam mais, cresçam mais rapidamente e suportem as péssimas condições de vida. Sofrem de doenças ósseas, pelo excesso de peso e falta de mobilidade. São, enfim, tratados como peças de uma máquina cuja função é a de converter ração barata em carne, ovos e leite mais caros.

Frangos - Frangos utilizados na produção de carne são normalmente criados em grandes galpões superlotados. Os criadores removem até um terço de seus bicos, utilizando para isto lâminas de aço quente. O procedimento é doloroso e tem por objetivo evitar que os ataques de uns aos outros causem mortes e ferimentos dentro do criadouro, pois o stress a que são submetidos desencadeia comportamentos agressivos. Muitos morrem de fome por perder a capacidade de alimentar-se com o bico reduzido.

Galinhas poedeiras - Nas grandes granjas de produção de ovos, as galinhas são mantidas em pequenas gaiolas de arame, onde não há espaço sequer para que estiquem as asas. Ferimentos decorrentes do atrito entre seus corpos e as grades da gaiola são comuns. Pintos machos de raças poedeiras não possuem valor comercial, pois não crescem rapidamente ou não chegam ao tamanho suficiente para sua utilização na indústria da carne. Em consequência disto, são simplesmente descartados. Algumas companhias abatem as avezinhas recém-nascidas com a utilização de gases tóxicos. Em outros estabelecimentos, práticas mais cruéis: os pintos machos são moídos vivos para servir de alimentação a outros animais, ou jogados ainda conscientes em embalagens plásticas, onde sufocam-se uns sob os outros.

Porcos - Porcos são castrados, desdentados e, como muitas vezes passam a morder os rabos uns dos outros em virtude do confinamento, têm ainda esta parte da anatomia amputada. Como já sabemos, tudo é feito sem o uso de anestésicos – a regra é baratear ao máximo o processo. O piso inadequado das pocilgas, geralmente laminado ou de concreto, muitas vezes causa dolorosos ferimentos nas patas dos animais. Sabe-se que os criadores de porcos costumam economizar na ração das fêmeas destinadas à procriação, fornecendo-lhes apenas o mínimo necessário ao processo reprodutivo.

Bovinos - Em geral bois e vacas são mantidos em cercados que não possuem abrigo contra o tempo. Isto pode constituir um grave problema em zonas que apresentam inverno rigoroso, podendo levar muitos animais mesmo à morte. Bovinos são ferrados e têm os chifres extraídos a sangue frio. Os machos, em sua grande maioria, são castrados. Em muitas unidades de criação, as fêmeas leiteiras são mantidas sob severas condições de confinamento, passando grande parte de suas vidas em estábulos diminutos, sem espaço sequer para que se virem ou andem alguns passos em qualquer direcção.

Vitelos - A carne de vitela é um subproduto da indústria do leite. As vacas precisam gerar para lactar, mas os bezerros machos (vitelos) das raças leiteiras são desprezados pelos criadores, pois não produzem leite nem rendem bem se utilizados na produção de carne. A maneira pela qual a criação destes filhotes torna-se rentável é a seguinte: depois de separados das mães com apenas alguns dias de vida, são confinados em pequenos alojamentos individuais, onde mal podem mover-se. Recebem alimentação contendo pouquíssimo ou nenhum ferro. Anêmicos e absolutamente sedentários, produzem carne tenra e clara, que alcança bom valor comercial. São abatidos normalmente com dezesseis a vinte semanas de vida.

maio 26, 2010

O Vegetarianismo como Obrigação Ética

Departamento de Filosofia da Universidade de Lisboa
Centro de Ética Aplicada da Sociedade Portuguesa de Filosofia
Sociedade Ética de Defesa dos Animais | ANIMAL
Centro de Estudos de Direito dos Animais


Introdução


Fundamentalmente, há três possíveis vias de argumentação a favor do vegetarianismo: 1) o respeito pelos animais não-humanos, 2) a preservação do ambiente e 3) o cuidado com a saúde. Só as duas primeiras vias de argumentação é que são de ordem ética e, por isso, são apenas essas duas que vou analisar. Há ainda uma possível quarta via de argumentação a favor do vegetarianismo, que é o da eficiência económica, que pode também ter uma relevância ética, como procurarei demonstrar.

Neste artigo, defenderei que temos o dever ético de i) respeitar os animais não-humanos, de ii) preservar o ambiente e viver tão ecologicamente quanto possível, e de iii) ter um sistema de produção alimentar que seja o mais economicamente eficiente possível, essencialmente para corresponder às necessidades elementares de todos os humanos, e argumentarei que uma das implicações que se segue destes deveres é o vegetarianismo como obrigação ética.

À prova de “bichinhos”


Já alguma vez se deparou com uns bichinhos a passear dentro de um saco de farinha?
Pois, não é muito agradável, e o mais certo é mandar a farinha imediatamente para o 
lixo.
Pois aqui vai uma solução muito simples para manter esses bichinhos (gorgulho,caruncho) longe da farinha, castanhas,  feijão, arroz e outros legumes secos… coloque algumas folhas de louro nos seus recipientes.
Mais uma oportunidade para evitar matar bichinhos!

maio 05, 2010

Petição FIM DO EMBARQUE DE ANIMAIS VIVOS

Bovinos são transportados entre o Brasil e o Oriente Médio em condições que fariam os filmes de época que mostram a escravidão durante o império romano parecer filme de Walt Disney. Eu geralmente apoio apenas campanhas abolicionistas, mas em casos extremos como esse eu faço uma exceção. Eu sei que esses animais, se ficarem no Brasil, serão cruelmente assassinados também. Mas se for possível evitar que eles sejam submetidos a essa jornada de horrores e ao abate em país muçulmano, é melhor. Existem níveis de crueldade, e o transporte de animais é o mais alto.




abril 24, 2010

Magia Vegetal



Magia Vegetal! Colaboração da nutricionista Claudia Lulkin
Tudo sobre plantas aromáticas, medicinais e temperos!!!!
Um pouco de Botânica e história das plantas (Etnobotânica).

abril 08, 2010

Respeito à vida humana ou animal: De que lado a ética se posiciona?


Para o acadêmico em Biologia Róber Bachinski, se um ser possui o interesse de não sentir dor, esse interesse deve ser respeitado, independentemente de ser humano ou não.

março 28, 2010

Fundação Brigitte Bardot

Fondation Brigitte Bardot 


"A Fundação Brigitte Bardot luta contra todas as formas de sofrimento dos animais na França e no estrangeiro. Ela participa de projetos de reintrodução na natureza ea criação de santuários e centros de reabilitação para animais selvagens.
Ela também participa do desenvolvimento de leis que protegem os animais e implementa campanhas de sensibilização do público em geral ". 

março 24, 2010

SeaWorld

Ex-treinador de Flipper fala sobre o caso da orca do Sea World


O especialista em golfinhos Ric O’Barry, famoso por ter treinado Flipper e se arrependido, deu seu parecer sobre o caso da baleia que atacou e matou a treinadora no Sea World.
Foto: Junji Kurokawa / Associated Press
TraduçãoO ex-treinador de  "Flipper", diz que parques de animais, como o SeaWorld,  transmitem uma "má educação" para os visitantes


Um dos colunistas do Los Angeles Times, Steve Lopez, publicou um artigo em que questiona sua própria atitude de levar a filha ao Sea World. “Será que quero mesmo que minha filha pense que os animais selvagens existem para nosso entretenimento?” ponderou.
Foi quando ele decidiu consultar dois especialistas, o biólogo porta-voz do Sea Woirld Dave Koontz e Ric O’Barry.
Enquanto Koontz afirmou que os visitantes do parque experimentam “uma ótima apreciação desses animais e do ambiente em que vivem nos oceanos”, O’Barry discordou, dizendo que essa é uma “péssima educação.”
“Não existe conexão entre conservação e truques estúpidos impostos aos golfinhos,” disse O’Barry, que foi também o primeiro especialista a treinar baleias orcas no mundo.
O’Barry ainda afirmou que a falta de privacidade para mamíferos grandes como orcas e golfinhos no Sea World pode levar a um comportamento agressivo e violento, às vezes contra humanos e às vezes contra eles mesmos.
O’Barry foi o responsável por capturar e treinar golfinhos para o filme Flipper, quando mais jovem. Ele acredita que um dos animais que treinou cometeu suicídio ao recusar-se a subir para respirar, após uma longa jornada de exploração. Hoje em dia ele é defensor dos golfinhos e crítico árduo do adestramento.
Ele também participou do premiado documentário “The Cove”, que retrata a cruel matança de golfinhos em Taiji, no Japão.
Com informações de Los Angeles Times
via ANDA



A Sea Shepherd é mais segura que o Sea World





Por Capitão Paul Watson


março 22, 2010

Richard Gere quer que cidade onde Buda alcançou a iluminação seja vegetariana



O ator norte-americano Richard Gere, seguidor da religião budista há 35 anos, decidiu hoje dar incentivo a transformar em região totalmente vegetariana a cidade em que Buda alcançou sua iluminação, onde está de visita nesta quinta-feira.
Na segunda-feira, o astro do cinema chegou a Bodh Gaya, no estado de Bihar, ao norte da Índia, para participar de um seminário de cinco dias dado pelo Dalai Lama.
“Sou totalmente a favor de transformar Bodh Gaya em uma região vegetariana”, disse Gere antes de assistir a um discurso do líder espiritual budista, em declarações da agência indiana Ians.
Gere disse estar muito feliz por visitar a cidade: “Eu gostaria de voltar várias vezes”, afirmou. O ator encorajou tanto os aldeões quanto os turistas a abandonarem o consumo de qualquer tipo de carne e passar à vida vegetariana.
O ator reuniu-se nesta quarta-feira com o próprio Dalai Lama, segundo afirmou um oficial do mosteiro tibetano de Mahabodhi, que se apressou a esclarecer que Gere é como “qualquer fiel” do líder budista.
Gere participou também de uma passeata convocada pela Sociedade de Tibetanos pelo Vegetarianismo para transformar a cidade de Bodh Gaya em um espaço de comida só vegetariana, como já ocorre com algumas cidades sagradas hindus da Índia.
Richard Gere, que visitou o Dalai Lama em diversas ocasiões, é um dos rostos públicos mais conhecidos da causa tibetana em sua reivindicação de independência da China e sobre a denúncia de ocupação chinesa do Tibete.
O Dalai Lama teve de fugir do Tibete em 1959 e vive desde então junto a seu séquito e milhares de seguidores em Dharamsala, uma localidade situada nos Himalayas indianos.


Fonte: Terra
via: ANDA