maio 10, 2011

ÉTICA NA PRODUÇÃO ANIMAL

Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho1, Ana Maria Bridi2 e Maria José Hötzel1
Publicado no ZOOTEC 2007 (XVII Congresso Nacional de Zootecnia e IX Congresso
Internacional de Zootecnia), 29 de maio a 01 de junho de 2007, Londrina, PR.


INTRODUÇÃO

O fato de não sermos filósofos não nos desautoriza a comentar sobre “ética” na
produção animal. Afinal de contas, foi exatamente a sociedade civil organizada e seus
movimentos sociais que trouxeram preocupações éticas com a produção animal. Estas
preocupações, então, foram acompanhadas por reflexões e trabalhos de diversos
filósofos (SINGER, 1975, REGAN, 1983; ROLLIN, 1995).
Seria mesmo interessante um debate ético sobre a produção animal dentre os
profissionais da Zootecnia. Há muito que os conceitos de “neutralidade” e
“imparcialidade” na ciência aplicada não se sustentam, uma vez que “cientistas são
criaturas de uma cultura e de uma sociedade, como todo mundo” (BERREMAN, 1968).
Logo, nesse ambiente cada um(a) trará sua experiência, sua cultura, interesses, e fará
seu próprio juízo de valor. Nos apresentamos como professores / pesquisadores de uma
importante e emergente área da Ciência Animal: a Etologia Aplicada e bem-estar dos
animais zootécnicos. É evidente também que não somos “neutros”, e este trabalho com
certeza espelhará nossa visão de mundo. Entretanto, é um sério equívoco considerar que
a adesão a princípios éticos possa comprometer a utilização de critérios científicos
rigorosos (HURNIK, 1997). Ao contrário, ter consciência e assumir a “não
neutralidade”, nos dá melhores condições de ter objetividade científica na abordagem
de algum assunto.
A palavra ética tem origem grega (ETHOS) e significa modo de ser, o caráter. O ser
humano não nasce com a ética, esta não é uma característica adquirida geneticamente. É
uma realidade humana que é constituída histórica e socialmente a partir das relações
coletivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem, por isso ela é
constantemente repensada e mudada.



1 Professor(a) Departamento de Zootecnia e Des. Rural, LETA – Lab. de Etologia Aplicada, UFSC. Email de contato: pinheiro@cca.ufsc.br
2 Professora Departamento de Zootecnia, UEL.

A ética tem sido definida, pelo senso comum, como “estudos dos juízos de apreciação
referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do
mal, seja relativamente a uma sociedade, seja de modo absoluto” (FERREIRA, 1999).

Ou seja, a ética é o julgamento do que seria “certo” ou “errado”. Entretanto, o “certo”
para alguns pode ser “errado” para outros, tudo dependendo das idéias de cada um, que
é o produto das experiências e do tempo que uma pessoa vive. Deste modo, o que pode
ser considerado “certo” para alguns ou para um tempo histórico, pode ser considerado
“errado” para outros e / ou para outro tempo histórico. O escravagismo, o direito de
voto das mulheres, a monarquia, entre outros, são bons exemplos históricos disto. Esse
princípio se aplica a todas as esferas da atividade humana, e certamente também se
aplica à produção animal.


LINHAS FILOSÓFICAS DA ÉTICA APLICADA À PRODUÇÃO ANIMAL

Ética na produção animal é um tema abrangente, e envolve necessariamente vários
aspectos da criação. Para Warris (2000), carne com “qualidade ética” seria oriunda de
animais que foram abatidos e tratados em condições de bem-estar e que estas condições
criatórias sejam sustentáveis e ambientalmente corretas. Logo, para abordar o tema da
ética na produção animal é preciso considerar todos os fatores relacionados aos sistemas
de produção.
As preocupações éticas com os animais são antigas, mas no ano de 1964, quando a
escritora Ruth Harrison lançou, na Inglaterra, um livro chamado Animal Machines: The New Factory Farming Industry, denunciando os maus tratos que os animais eram submetidos na criação
confinada, inaugurou-se o debate sobre a Ética na produção animal. O impacto que a
publicação gerou na sociedade Britânica mobilizou o Parlamento, que criou o comitê
BRAMBELL para examinar a situação. Dentre as conclusões apresentadas no relatório
do Comitê, havia a proposição de garantir cinco liberdades mínimas aos animais:
virar-se; cuidar-se corporalmente; levantar-se; deitar-se; esticar seus membros.

Em relação aos animais de fazenda e de experimentação, as principais linhas filosóficas
aplicadas ao bem-estar animal são a PRODUTIVISTA, UTILITARISTA e a
DEONTOLÓGICA OU DIREITO ANIMAL.
A teoria Produtivista ou Humanocentrista, que têm sua base filosófica em René
Descartes, afirma que os Seres Humanos são os únicos membros da comunidade moral
porque é a única espécie pensante, por isso tem domínio sobre o modo de vida dos
animais. A conseqüência é que os animais só possuem valor como meio para os fins
humanos. Assim, o sofrimento animal é justificado pelo aumento da produtividade,
pois é necessário produzir comida para o mundo. Estes conceitos tem sido criticados por
outros filósofos (p. ex. Peter Singer) como “Especicismo”, ou seja, a presunção da
superioridade da espécie humana.
A linha Filosófica Utilitarista, defendida por Peter Singer (Professor de bioética da
Universidade de Princeton – EUA e autor do livro Animal Liberation), defende que o
limite da SENCIÊNCIA (capacidade de um ser experimentar sentimentos) é a única
fronteira defensável para a preocupação pelos interesses dos outros, cuja a ética deve
garantir. Esta linha filosófica focaliza as conseqüências das ações e tenta maximizar as
conseqüências boas em relação às ruins. O certo será aquilo que, dentro das ações
possíveis, produzir os maiores benefícios e os menores prejuízos. Para Singer, o fato de
sermos seres racionais não nos daria privilégios em relação aos outros animais e que não
devemos, ou não temos, o direito de impor uma vida de sofrimento aos animais só para
satisfazer o nosso paladar. O grande problema do Utilitarismo é como fazer o cálculo
das conseqüências das ações.
A Deontologia (deotos = dever) é um princípio ético baseado em regras no qual a
conduta moral não é definia pelos resultados, mas pelos deveres ou regras as serem
observados. Neste caso os animais possuem valor INTRÍNSECO, o que significa que
eles têm importância por direito próprio por serem seres SENTIENTES (capazes de
experimentar sentimentos). Esta linha filosófica tem como principal filósofo Tom
Regan (autor do livro Animal Rights) que defende o vegetarianismo porque os animais
devem ter o direito de controlar suas vidas. Esta linha filosófica exige a abolição do uso
de animais para abate ou experimentação. Alguns tolerariam a criação para consumo de
leite, ovos ou lã, desde que assegurado o bem-estar dos animais.
Por várias décadas a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico na agricultura animal
tem tido como critérios centrais a produção e a produtividade animal. O animal era visto
como “máquina” (DOMINGUES, 1960), e as conseqüências ambientais e sociais eram
em geral ignoradas. Em conseqüência, pouca ou nenhuma atenção foi dada ao impacto
das então novas tecnologias e sistemas criatórios no ambiente, na saúde do produtor, na
qualidade do alimento produzido, nas comunidades rurais e no bem-estar dos animais
(FRASER et al., 2001).
A avaliação de um sistema de produção apenas por um critério de produtividade ou
mesmo lucratividade, pode levar a equívocos. Um sistema de produção, além de
eficiente, deve ser ambientalmente benéfico, eticamente defensável, socialmente
aceitável, e relevante para os objetivos, necessidades e recursos das comunidades para
os quais foi desenhado para servir (TRIBE, 1985). Um sistema de produção também
precisa ser economicamente viável e energeticamente sustentável. A abordagem da ética
na produção animal passa por todos esses aspectos, que serão brevemente discutidos a
seguir.


PRODUTIVIDADE

Nos últimos 50 anos, os progressos na saúde, nutrição e genética animal, resultaram
num formidável e inquestionável aumento da produtividade e produção animal. Em
conseqüência desses progressos houve benefícios significativos para a sociedade
humana, como alimento abundante e barato, redução da sazonalidade na oferta de
alimentos e melhora na higiene dos produtos. Para os animais também ocorreram
benefícios, como proteção contra predadores, abrigo, alimentação balanceada e
progressos na prevenção de doenças e cuidados veterinários (HURNIK et al. 1995).
Esses progressos não podem ser esquecidos e nem subestimados, pois representaram
enormes avanços para várias sociedades humanas.
Entretanto, nesse processo os animais foram confinados em espaços cada vez menores,
as dietas ficaram mais especializadas, e houve grande consumo de energia fóssil no
processo produtivo, seja pelos tipos de instalações adotadas, seja pelo custo energético
de produção da alimentação animal. Paralelamente, o acúmulo de dejetos se tornou um
grave problema ambiental. Progressos e resultados análogos também se verificaram na
produção vegetal. Paradoxalmente, apesar do enorme custo ambiental, energético e de
bem-estar animal, o aumento de produtividade não tem se refletido em benefício, nem
para o consumidor, nem para o produtor. Nos EUA, por exemplo, o preço da carne para
os consumidores aumentou 45% de 1982 a 1999. No mesmo período, o preço pago aos
produtores se manteve estável (FRASER et al. 2001). A mesma tendência se verifica no
Brasil, sendo os preços do leite e da carne suína exemplos atuais.
O aumento da produtividade foi acompanhado por um discurso em prol do “combate à
fome no mundo”. De fato, nos últimos 30 anos a produção total de alimentos do mundo
aumentou 134% (cereais) e 227% (carnes). Já a população mundial aumentou 94% no
mesmo período (Tabela 1). Apesar disso, a fome continua em números nunca vistos, a
ponto do mundo já somar ¼ de sua população na miséria absoluta, vivendo com menos
de US$ 1,00 por dia. Boa parte dessas populações são pequenos produtores ou expequenos
agricultores, expulsos de suas terras pelo processo de concentração da
produção (e da propriedade) na agricultura que ocorreu ao nível mundial.
Em síntese, não há necessidade de aumentar ainda mais a produção e produtividade de
alimentos no mundo para alimentar a humanidade, uma vez que é um problema muito
mais de distribuição do que de quantidade. Por outro lado, o aspecto de produtividade é
fundamental e não pode ser esquecido na avaliação de qualquer sistema de produção.


IMPACTOS SOCIAIS

Ao que tudo indica, o sistema de produção implantado desde a década de 60 –
monocultura animal ou vegetal, especialização da propriedade, capital intensivo e alto
uso de insumos industriais - está relacionado com o processo de mudança de perfil das
realidades agrárias dos diversos países. Em 1996, 39% da produção mundial de carne
suína, 79% da carne de frango e 68% dos ovos advinha de confinamentos intensivos
(SERE and STEINFELD, apud Fraser et al., 2001). Atualmente, este percentual deve
ser ainda maior pois, se nos países industrializados a quase totalidade dos suínos e aves
são criados em sistemas de confinamento intensivo, nos países da periferia, o percentual
do rebanho criado em confinamentos intensivos tem crescido continuamente.
Dentre outras conseqüências, a implantação do modelo produtivista na agricultura, nos
sistemas econômicos de livre mercado, veio acompanhada de uma forte monopolização
da atividade agrícola, concentração da produção e da propriedade. E isto ocorreu,
primeiro nos países centrais, depois, nos periféricos. Nos EUA, em 1945 havia 5,9
milhões de fazendas (NRC, 1989). Este número reduziu-se para 2 milhões na década de
90 (USDA, 2001). No Brasil, em 1970 eram 49.190.089 de propriedades rurais, e em
1996 restaram 4.859.865 propriedades (IBGE, 1997). Quer dizer, em 26 anos restaram
apenas 9,8% das propriedades no campo! A conseqüência foi que, se em 1960 havia
55% da população vivendo no campo, em 1996, este percentual caiu para 21% (IBGE,
1997).
A mesma tendência verifica-se nos confinamentos intensivos, nos países centrais e nos
periféricos. Tome-se novamente como exemplos os EUA e o Brasil, e a atividade
suinícola (Figura 1). Em 1980 havia aproximadamente 650 mil granjas de suínos nos
EUA. No ano 2000, o número de granjas era menor que 90 mil (USDA, 2001). Nos
EUA tem havido uma forte tendência da produção de suínos deixar de ser em pequenas
unidades familiares, a campo, para transformar-se em sistemas confinados de grande
escala (FRASER et al., 2001). De fato, atualmente 50,5% do rebanho suíno norteamericano
está concentrado em 2,4% das granjas (USDA, 2001). No Brasil, tomando o
estado de Santa Catarina como exemplo, em 1985 cerca de 57% do rebanho suíno
catarinense era industrial (confinado). Em 1996 esse percentual cresceu para 75%
(IBGE, 1997). Já o número de suinocultores industriais em SC, que em 1985 era de
54.176, no ano 2000 ficou reduzido a 17.500 produtores (IBGE, 2001), evidenciando
um claro processo de concentração fundiária e da produção.


IMPACTO AMBIENTAL E SAÚDE HUMANA

O confinamento intensivo tem também sido criticado por suas conseqüências no
ambiente e na saúde humana. Nos EUA, estima-se que até 70% de todos os nutrientes
que atingem as águas de superfície, principalmente nitrogênio e fósforo, são originários
ou de fertilizantes agrícolas ou de dejetos de confinamentos de animais (NRC, 1989).
Também as águas subterrâneas, nos EUA, tem sido poluídas por fertilizantes, pesticidas
e acúmulo de dejetos de confinamentos.
Em Santa Catarina, a poluição de águas no Oeste – inclusive de poços artesianos - tem
sido em parte atribuída à suinocultura intensiva. Levantamentos realizados em zonas
rurais das regiões produtoras de suínos e aves confinadas, de Santa Catarina, revelam
que 85 % das fontes de água estão contaminadas por coliformes fecais, oriundos do
lançamento direto do esterco, principalmente de suínos, em cursos ou mananciais
d’água (LOHMANN, 1999). Este problema é especialmente grave em períodos de
chuva e com o esterco líquido, cuja quantidade diária produzida é de 4,9% a 8,5% do
peso vivo do animal (SILVA & MAGALHÃES, 2001). Quer dizer, um suíno de 60kg
produz em torno de 4kg de esterco líquido por dia. Quando os dejetos encontram
mananciais ou cursos de água, geram sérios desequilíbrios ecológicos: redução do teor
de oxigênio dissolvido na água, disseminação de agentes patogênicos e contaminação
(da água) por amônio, nitratos e outros elementos (MENEGAT, 1999).
O poder poluente dos dejetos é bem maior que a do esgoto humano. Enquanto a
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) é de cerca de 200 mg/L no esgoto doméstico,
a DBO dos dejetos oscila entre 30.000 a 52.000 mg/L, ou seja, em torno de 260 vezes
superior. A DBO avalia indiretamente o conteúdo orgânico biodegradável dos dejetos
através da medida de oxigênio consumido pelos microrganismos atuantes na sua
oxidação. O aumento da DBO têm como conseqüências a diminuição da concentração
de oxigênio na água, a produção de substâncias tóxicas e a proliferação exagerada de
algas.
A alta concentração de animais em confinamentos intensivos em alguns municípios
catarinenses colocam os dejetos de animais, ao lado da extração do carvão e dos
agrotóxicos da rizicultura, entre as maiores ameaças de contaminação do Aquífero
Guarani, a maior fonte de água subterrânea da América do Sul (CAMPOS, 2000;
POÇOS, 2000).
Em termos de saúde humana e animal, o uso continuado de antibióticos na ração animal
também pode levar ao desenvolvimento de cepas de patógenos resistentes (NRC, 1989).
Nos EUA, em 1994, 59% dos suínos comercializados receberam antibiótico na ração
com finalidade de incrementar o crescimento (FRASER et al., 2001).
Para agravar o problema, o manejo inadequado pode resultar na emissão de óxido
nitroso, que é um dos gases responsáveis pelos danos do efeito estufa. Embora este gás
tenha concentração bem menor que o CO2 na atmosfera, parece ter um potencial de
efeito estufa 270 vezes superior ao CO2 (Li, 1995 apud Amado & Spagnollo, 2001).


AQUECIMENTO GLOBAL

Também a produção animal tem sido responsabilizada pelo efeito estufa. No relatório
apresentado por Steinfeld et al. (2006) à FAO, se afirma que 40% das emissões
antropogênicas de metano, um dos importantes gases que contribuem com o efeito
estufa, tem origem na fermentação entérica e nos dejetos produzidos por animais
zootécnicos (p. 112). O mesmo relatório também aponta outro dado menos divulgado na
imprensa leiga, de que a maior parte dessas emissões provêm de sistemas extensivos,
que são uma das principais fontes de sobrevivência de milhões de pequenos agricultores
marginalizados e descapitalizados de regiões pobres do planeta (p. 114).
Samuel Jutzi, Diretor da divisão de Sanidade e produção da FAO, conclamou o setor
agrícola a encontrar soluções técnicas apropriadas para o uso ambientalmente
sustentável dos recursos utilizados na produção animal (STEINFELD et al., 2006). As
premissas para tal solução, no entanto, não são claras ao longo do relatório e não
envolvem mudanças no paradigma atual de produção animal, mas se rendem à
"realidade" de que hoje cerca de 80% do crescimento da produção animal se origina em
sistemas industriais (p. 278). Seguindo esse raciocínio, por exemplo, o confinamento
intensivo de monogástricos é apontado como a melhor alternativa à vista para manter as
emissões de gases de origem animal até 2050, quando se espera que a produção de
animais dobre no planeta, nos níveis de hoje.
A produção de gado de corte, tanto em sistemas intensivos confinados como em
sistemas extensivos tradicionais, trazem danos irreparáveis ao ambiente. O primeiro
pela contaminação da água e do solo com nutrientes, mais notadamente nitrogênio e
fósforo, antibióticos e outros químicos, o segundo pela degradação do solo (erosão,
compactação) pelo manejo inadequado. Embora ambos concorram nesse sentido, os
sistemas extensivos são os mais associados à perda de biodiversidade pela
transformação de diversos habitats em pastagens. No relatório citado a bovinocultura a
pasto tem sido também associada à maior produção de metano. Essas são falsas
questões que precisam ser esclarecidas. Em primeiro lugar, há vários tipos de produção
a pasto, e apenas o mau manejo do complexo solo – animal – pasto resulta em
degradação dos solos e perda da biodiversidade. Em segundo lugar, não é verdade que a
produção a pasto resulte em maior produção de metano.
O adequado manejo do complexo solo – animal - pastagem pode resultar em aumento
da biodiversidade e incremento da vida de um ecossistema, devido ao fabuloso aporte
de matéria orgânica e reciclagem de pasto em excremento pelo animal. Numa
experiência realizada em Minnesota e monitorada por pesquisadores da Universidade
deste estado, encontrou-se maior número e diversidade de insetos e peixes num curso
d’água passando por uma área de pastoreio racional rotativo, como o preconizado por
Voisin (1974), do que por uma área de reserva em recuperação, fechada por 30 anos
(BAGDLEY, 2003).
Quando avaliamos apenas o que acontece no animal, é correto afirmar que a produção
de metano por um bovino criado a pasto será maior, comparado com um bovino criado
em confinamento. A fermentação ruminal da celulose tem como principal produto final
o ácido acético, que ao ser formado no rúmen libera quatro moléculas de H2. Essas
moléculas em união com o CO2 dão origem ao metano. Já na fermentação do amido, o
principal produto final será o ácido propiônico, que consome moléculas de H2,
reduzindo a produção ruminal de metano (KAUFFMANN, 1982). E isso não chega a
ser uma novidade.
Acontece que o bovino criado a pasto não existe sem a pastagem. Então é preciso
comentar que há uma associação indissolúvel entre o animal e o pasto. Se a produção de
metano de um bovino a pasto é maior do que de outro alimentado com grãos, o
seqüestro de carbono (C) realizado pela pastagem é muitas vezes superior às lavouras
que produzem os grãos. O seqüestro de carbono por pastagens é maior do que de
florestas, como demonstram Conant et al. (2004): “... nossos resultados indicam que os
macroagregados (do solo) reciclam mais rapidamente sob pastagem do que sob floresta,
e são menos eficientes em estabilizar o C do solo, enquanto que microagregados de
solos de pastagem estabilizam uma maior concentração de C do que microagregados de
florestas.”
A concentração, na criação animal, é um problema não só no que se refere ao número de
animais em um dado alojamento, mas também em relação ao número de criações em
uma dada região que, quando em excesso, superam a capacidade do ambiente de
reciclar os nutrientes. A concentração animal frequentemente implica também no uso
excessivo de água, outro tema que chega tarde à discussão da ética na produção animal.
O relatório de Steinfeld et al. (2006) conclui que danos ao ambiente são encontrados em
todos os espectros da produção (extensiva a industrial), e são provavelmente maiores
em relação à criação de gado de corte e menores em relação à de aves. Esta conclusão,
tomada fora de contexto dos demais dilemas éticos da produção animal, pode ter
repercussões perigosas em termos de desenvolvimento de políticas locais e globais. A
criação de aves tomada como base para essa análise é a industrializada confinada,
grande consumidora de grãos, altamente concentrada e, não menos importante, em um
sistema onde é extremamente difícil encontrar soluções para o bem-estar dos animais
envolvidos no processo.
Ao mesmo tempo que é fácil associar o desmatamento à criação de bovinos, pois eles
passam a ocupar a área desmatada, é mais difícil de visualizar o dano correspondente
quando a mesma área passa a ser dedicada à cultura de grãos usada para alimentar
animais criados em confinamento. A produção de grãos envolve altíssimos gastos em
energia fóssil, desde a sua plantação até o transporte até onde será consumida pelo
animal.


ENERGIA

Uma vez que os sistemas agrícolas são abertos, a quantidade de energia (de origem
fóssil) que entra no sistema deve ser, preferencialmente, igual ou menor a que sai. Na
maior parte dos casos, isto só é possível com a maximização da captação da energia
solar através da integração de diferentes culturas, da rotação do uso do solo e do
reaproveitamento de resíduos. A base de qualquer sistema de produção agrícola é o
solo. Mesmo num confinamento intensivo é a produção de alimentos para os animais,
oriundas de culturas, o fator decisivo e em geral mais oneroso do processo produtivo. A
adição de excremento animal é a única prática agrícola capaz de melhorar e manter a
fertilidade de solos de lavoura (TILMAN, 1998).
A intensificação dos sistemas de produção na agricultura (animal e vegetal) ocorrida de
1940 a 1970, o auge da “Revolução Verde”, mais do que triplicou a demanda energética
(fóssil) na produção agrícola americana, enquanto que o consumo energético apenas
duplicou (STEINHART & STEINHART, 1974). Sistemas de produção animal
altamente intensificados, como o confinamento de bovinos de corte demandam alto
custo energético. Nos “feedlots” americanos, para produzir-se 1 libra de carne bovina se
consome o equivalente a 1 galão de gasolina em energia fóssil, resultando numa relação
calorias de energia cultural investida / calorias de energia alimentícia produzida de 5:1.
Em contraste, a produção de carne e leite pastoril na África tem uma relação de 1:10, ou
seja 50 vezes mais eficiente energeticamente.


BEM-ESTAR ANIMAL

De acordo com Hurnik (1992) o bem-estar animal é um estado de harmonia entre o
animal e seu ambiente, caracterizado por condições físicas e fisiológicas ótimas e alta
qualidade de vida do animal. Broom (1991) propõem que bem-estar não é um atributo
dado pelo homem aos animais, mas uma qualidade inerente a estes. O bem-estar se
refere, então, ao estado de um indivíduo do ponto de vista de suas tentativas de
adaptação ao ambiente. Ou seja, se refere a quanto tem de ser feito para o animal
conseguir adaptar-se ao ambiente e ao grau de sucesso com isso está acontecendo.
Assim, o bem-estar pode variar de MUITO BOM a MUITO RUIM e pode ser avaliado
cientificamente a partir de estado biológico do animal e de suas preferências. Neste
contexto, produtividade, sucesso reprodutivo, taxa de mortalidade, comportamento
anômalos, severidade de danos físicos, atividade adrenal, grau de imunodepressão ou
incidência de doenças, são fatores que podem medidos para avaliar o grau de bem-estar
dos animais.

Na tentativa de construir um consenso em torno da definição de bem-estar, Fraser et al.
(1997) sintetizaram as três principais questões éticas que, segundo eles, são levantadas
pela sociedade em relação à qualidade de vida dos animais:

1. Os animais deveriam SENTIR-SE BEM, ou seja, deveriam atingir seus
interesses, os quais consistiriam basicamente em estar livres de sentir medo e dor e em
poder de experiências prazerosas.


2. Deveriam ter um BOM FUNCIONAMENTO, isto é, poder satisfazer suas
necessidades de saúde, crescimento, fisiologia e comportamento.


3. Os animais deveriam VIVER VIDAS NATURAIS, deveriam poder viver e
desenvolver-se da maneira para a qual estão adaptados.

As mudanças relativamente recentes que têm sido implementadas no sistema de criação
não têm considerado as necessidades comportamentais dos animais, o que pode estar
influenciando negativamente o bem-estar de milhares de animais. A domesticação não
alterou o repertório comportamental das espécies animais (Price, 1999). Hoje existem
suficientes estudos mostrando, por exemplo, as conseqüências negativas da
impossibilidade de construir um ninho no comportamento e fisiologia das porcas e
leitões, e na sobrevivência dos leitões (BARNETT et al., 2001; THODBERG et al.,
1999; HÖTZEL et al., 2004, 2005), que não devem ser ignorados. O intenso contato
com os leitões, forçado pelo confinamento, é aversivo para as porcas (PAJOR et al.,
2000). Em aves, as altas densidades utilizadas no confinamento podem levar à bicagem
de penas e canibalismo (Wechsler & Huber-Eicher, 1998), levando até a morte de
animais. O uso de pisos inadequados aumenta a incidência de laminite em vacas
leiteiras (Webster, 2002). Até 60% das galinhas poedeiras podem apresentar fraturas
ósseas no final da sua vida produtiva (Nicol et al., 2006).
Nos últimos anos, coincidindo com o advento e crescimento do confinamento de
algumas espécies zootécnicas, o principal objetivo da seleção tem sido aumentar a
eficiência e produtividade. Embora possa ser argumentado que a seleção genética tenha
trazido benefícios para o bem-estar animal e para o meio ambiente, através de melhor
utilização dos recursos, também é claro que resultou em graves problemas em relação
ao bem-estar animal, principalmente através do que é chamado no meio veterinário de
“doenças da produção” (BLOOD & RADOSTITS, 1989). Trata-se de algumas doenças
vastamente disseminadas na criação animal, como a mastite e doenças metabólicas em
vacas leiteiras e laminite em porcas e vacas leiteiras (HEMSWORTH et al., 1995;
WELLS et al., 1998; BARNETT et al., 2001; RUSHEN, 2001), problemas de
articulações e ossos como fraqueza, pré-disposição a fraturas e mortalidade relacionada
à osteoporose, ascite em aves, problemas digestivos e susceptibilidade a estresse
(BRADSHAW et al., 2002; JULIAN, 1998; RATH, 2000). Muitas delas estão
associadas, direta ou indiretamente, com a seleção para rápido crescimento ou alta
produtividade e consumo de alimentos (JULIAN, 1993).
Na avaliação de um sistema de produção, o bem-estar animal é parte fundamental. Não
apenas pelo compromisso ético implícito que a humanidade tem para com os animais
que domesticou e colocou completamente sob seu controle, mas também em função da
opinião da sociedade sobre a qualidade de vida dos animais. Se o objetivo primeiro da
criação animal é produzir alimento de qualidade para as pessoas, então a opinião destas
pessoas deve ter grande importância. Isto deve ser verdade para o bem-estar animal
(FRASER et al., 2001), mas também deve valer para o sistema criatório como um todo.


CONCLUSÃO

As alternativas à produção animal convencional devem ser superiores em termos
ambientais, energético, de bem-estar animal, com menor dependência de insumos
externos e menor impacto social e cultural. Logo, é um tipo de produção que deve
interessar a toda a sociedade. Assim sendo, deve ser tratada como regra, e não como
exceção ou “nicho”. A produção animal ética, com bem-estar e sem agressão ao meio,
deve ser uma opção para TODA a agricultura, e não apenas para uma parte. Para tanto,
é preciso que seja competitiva também economicamente. E não há motivo algum para
que não seja. Ao contrário, há vários exemplos de redução de custos e / ou aumento da
lucratividade com a adoção de princípios agroecológicos. No Oeste do estado de Santa
Catarina, a produção de leite a pasto sem o uso de insumos químicos tem tido um custo
de produção que é a metade do convencional (MACHADO FILHO et al., 2000). O
custo de instalação de uma matriz no SISCAL é aproximadamente a metade do
confinamento, e a lucratividade do SISCAL é também em geral maior do que no
confinamento (EDWARDS, 1996). Entretanto, há ainda inúmeras perguntas a serem
respondidas com relação aos sistemas alternativos de produção. Com efeito, se há
dezenas de milhares de trabalhos publicados sobre os mais variados aspectos do sistema
convencional, a pesquisa agroecológica é ainda incipiente.


Referências bibliográficas

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2 comentários:

claudia lulkin disse...

incrível material!
Gratidão!!!!

Mª de Lourdes disse...

Claudinha,
Muito obrigada pela sua visita.
Grata.
Grande beijinho.