julho 10, 2010

Vegansexualismo. Ética … Sexual?

Depois dos heterossexuais, dos homossexuais, dos bissexuais e dos metrossexuais, conhece agora os … vegansexuais.
Este novo conceito de orientação sexual foi recentemente formulado pelo Centro de Estudos Humanos e Animais, da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, no âmbito de um estudo denominado “Perspectivas e Experiências de Vegetarianos e de outros Consumidores Éticos”, estudo esse incluído num projecto mais vasto sobre a interacção entre seres humanos e animais. Este estudo foi realizado a nível nacional (Nova Zelândia) e baseou-se num inquérito a 157 vegetarianos sobre os seus hábitos de vida e opções de consumo.

Como é sabido, designa-se por vegano alguém que, movido por argumentos de natureza ética, de saúde, de respeito pelo meio ambiente e/ou religiosos, opta por não ingerir quaisquer alimentos de origem animal (incluindo lacticínios, ovos e mel). No entanto, o veganismo não se restringe à alimentação. É todo um modo de vida, com princípios estritos, que implica tomadas de posição bem definidas em muitos aspectos do quotidiano, como por exemplo: renunciar ao vestuário, calçado e acessórios em couro, lã ou seda (recorrendo a outros materiais como sintéticos, algodão, linho, cânhamo ou outras fibras), exercer o consumo responsável através do boicote a empresas que poluem o ambiente, que testam em animais, etc.

O que é então um vegansexual?
Sendo a actividade sexual parte da nossa natureza, é de esperar que, também esse campo da nossa vida seja objecto de reflexão e de opções por parte dos veganos. Um vegansexual é assim alguém que escolhe não se envolver íntima e sexualmente com parceiros que ingerem carne, sob o argumento de que os corpos destes últimos são autênticos “cemitérios de animais”, literalmente construídos e sustentados por restos de cadáveres, animais abatidos em condições que implicaram grande sofrimento para os mesmos. Um vegansexual não aceita envolver-se com alguém que contribuiu para os maus tratos e matança de seres vivos, nem com alguém cujos fluidos corporais transportam resíduos de uma alimentação carnívora (suor, saliva, esperma…). Já para não falar do odor corporal, habitualmente mais intenso e pungente naqueles que ingerem carne do que nos vegetarianos.
If meat has passed your lips, you may not pass muster with that hunky vegan in the Whole Foods aisle.Não deixa de ser verdade também que todos nos sentimos, regra geral, atraídos por pessoas com interesses e hábitos semelhantes aos nossos, pois isso tende a facilitar a convivência no dia-a-dia. Para um vegano, pode ser difícil aceitar partilhar refeições com um parceiro que se alimenta de carne, devido, por exemplo, à contaminação dos utensílios de cozinha e ao cheiro dos cozinhados com carne. Por muito forte que seja a atracção sexual, esta raramente sustenta por si só os desafios do convívio prolongado...

Segundo o estudo neo-zelandês, as opções de vida dos veganos levam-nos a tomadas de consciência sobre o seu próprio corpo, o dos outros, e a uma visão diferente da vida. Essa tomada de consciência leva-os a considerar moralmente repugnante e eticamente inaceitável ter relações íntimas com carnívoros ou sequer beijar alguém por cujos lábios tenham passado pedaços de alimentos de origem animal.
Ainda segundo o estudo, são principalmente as mulheres que manifestam particular repulsa pelo envolvimento íntimo com parceiros que ingerem carne. Algumas, apesar de não se descreverem inteiramente como vegansexuais (já que consideram alguns carnívoros sexualmente atraentes), têm o vegetarianismo como critério preferencial na escolha dos seus parceiros.

Se um tal selectivismo reduz fortemente a possibilidade de encontros amorosos para os veganos (veja-se o caso de Portugal, onde a comunidade vegana é ainda reduzida), o sexo é também em si uma forma de apelo e activismo eficaz, já que, devidamente orientada e sem imposições e radicalismos, pode contribuir para mudar a forma de pensar de muitos potenciais parceiros sexuais e de vida, incutindo-lhes hábitos de vida mais saudáveis (para si próprios e para o planeta) e eticamente aceitáveis.

Fonte: Centro Vegetariano

3 comentários:

Juliana disse...

Ok ok, sei que muitos não irão concordar com meu comentário, e embora eu não seja vegan (com a pretensão de ainda ser um dia), também não acho que esse extremismo vá levar a alguma coisa. Na verdade, extremismo é algo que nós vemos com uma certa frequência neste movimento, algo que eu não consigo muito concordar... O veganismo, assim como o vegetarianismo, tem que surgir a partir de uma consciência particular de cada um, de uma visão de como o sistema de abate é desumano e utiliza de seu produto vidas de animais que poderiam viver tranquilamente se não houvesse um desejo quase compulsório do ser humano em comer carne; e embora um dia isso foi necessário (não podemos negar nosso passado), hoje essa é uma alternativa totalmente possível por que existem any alternativas para não se comer mais carne. Mas isso é uma opinião minha, e a partir da minha perspectiva diante desse assunto que resolvi me tornar ovolactovegetariana; agora ficar querendo impor aos outros isso ai, até mesmo a partir do sexo, é minimamente estranho. É claro que uma pessoa vegan terá mais interesse em outras pessoas vegans devido a aderência de seu estilo de vida; mas e se ela gostar (por acasos da vida) de alguém que coma carne? Deixará de ficar com a pessoa por causa disso? Isso seria como se fosse um preconceito, e uma condição totalmente extrema. Desculpe, eu nao concordo, e eu aceito que a maioria das pessoas pensem diferente de mim; mas infelizmente algumas atitudes como essa só fazem gerar nas pessoas que comem carne ainda mais raiva do movimento (impedindo-as de um dia se adequarem ao veganismo) exatamente por essas condições que normalmente são interpretadas pelas pessoas que comem carne como alguém chato e deselegante. Vamos ser um pouco mais humanos nesse quesito, e manifestar nossa opinião, mas com uma certa delicadeza e menas encheção de saco, que esse comportamento só gera ainda mais aversão aos vegetarianos e vegans.

Mª de Lourdes disse...

http://tvegana.blogspot.com.br/2013/12/7-vantagens-de-namorar-um-vegano.html

Dimares disse...

Só entendem alguns...
Quando se tornar vegan, mesmo que daqui por uns anos volte aqui para se reler.
O meu namorado não é vegan e noto algum atrito e dificuldades de percepção de algumas coisas.
Quanto mais viver junto e criar uma criança por exemplo...
Olhe, quem me dera que os meus progenitores que tivessem criado já Vegan.
Penso que o VeganSexual nada tem a ver com extremismo, mas sim com um gosto e escolha a ser respeitado.
Há quem já não sinta o cheiro a carne à muito tempo na sua casa e vai juntar-se com alguém que vai trazer essas memórias? Bem como todo um dia-a-dia que em nada se quaduna...
Só quem lá está e sente é que sabe.