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julho 04, 2010

Nova Zelândia conquista penas mais severas para crimes contra animais

Por Giovanna Chinellato (da Redação)
Dez meses atrás, a Paw Justice levantou uma ação legal contra o abuso de animais na Nova Zelândia, iniciando uma campanha a nível nacional e uma petição voltada para aumentar a pena de quem abusa de animais. Felizmente, essas penalidades mais severas são agora uma realidade.
Foto: AP
Criminosos que abusam de animais agora pagam uma pena maior para um leque mais abrangente de ofensas, e basicamente passarão mais tempo na prisão, sendo mais severamente impedidos do contato com animais.
Mudanças assim não surgem do nada, nem sem a assistência de um grande número de pessoas. Conforme reportagem do jornal NZ Herald, todos os neozelandeses que assinaram a petição e ergueram a voz contra o abuso de animais podem agora sentir-se orgulhosos e responsáveis por esta vitória. A RNZSPCA, que apoiou firmemente os neozelandeses, ajudou a criar as leis. Unidos a neozelandeses que amam seus animais, eles todos fizeram a diferença.
Essas mudanças são os primeiros passos para pôr um fim às atrocidades cometidas contra os animais no país.
A Paw Justice continuará com sua missão educativa, de advocacia e sua ação pelo bem-estar animal.
A Paw Justice pretende monitorar a fiscalização das leis de bem-estar animal, e particularmente sentenciar com penalidades mais severas. Estaremos juntos pelos animais com todos os neozelandeses de compaixão, trazendo união entre os amantes de animais, educando os mais novos, encorajando denúncias, providenciando assistência prática para famílias de animais abusados e lutando por aqueles que não podem lutar por si mesmos. Os animais agradecem.
via ANDA

junho 25, 2010

Animais: engrenagens e ingredientes

por Marcio de Almeida Bueno
Foto: Romulo Bernardi / Zero Hora
Pois então ontem mais um cavalo capotou na maior avenida de Porto Alegre, a Protásio Alves. Exausta, a égua foi surrada pelo carroceiro, que fugiu em seguida, e então populares a colocaram na calçada, para que não fosse atropelada. O fato, corriqueiro nas veias abertas do trânsito da Capital, acabou ganhando espaço em sites, jornais e até telejornais locais. O excesso de violência aplicado aos ‘cavalos do asfalto’ tem revoltado até mesmo aqueles que, habitualmente, fazem vista grossa e sempre tiram da manda o argumento-air-bag ‘ah, mas ele está trabalhando’. Não, não está.
Nesse sistema de revirar lixo nas calçadas e amontoar na periferia tudo aquilo que as zelosas donas-de-casa consciente separaram para reciclagem, quem tem trabalho garantido é aquele que puxa carroça, estressado pelo holocauso automotivo, sedento, esfomeado e contando com a própria sorte para não se ferir. Pois um ferro no casco, um corte ou pata quebrada não vão lhe dar salvaguarda para o expediente no dia seguinte. Para o carroceiro, é um subemprego com aura glamourosa de auto-gestão e ecologia, segundo alguns coletivos de gente que não faz a barba e estuda em universidade federal. Quando o prazo derradeiro para circulação das VTA – veículos de tração animal – se esgotar, vou me divertir descobrindo qual será a nova massa de manobra que esses jovens ‘conscientes’ vão usar para brincar de revolução. Porque os catadores estarão em um beco sem saída, e os universitários já vão estar preocupados em tomar banho, fazer a barba e arrumar um emprego, finalmente.
E quem os colocou contra a parede foi justamente a parcela da população que ideologizou a escravidão que capota no asfalto, e a grande maioria que ignora o que quer que esteja além do pára-brisa do próprio automóvel. Algum ganho, alguma melhoria, muita esperança, veio justamente daqueles que, desconfortáveis em suas cadeiras, começaram a desatar o nó social pelo viés dos eqüinos explorados até depois da queda. Aqueles que justamente são taxados de não se importarem com os humanos, de só se importarem com os animais, de não se importar com a fome dos filhos dos carroceiros – deco acusatório levantado por quem não percebe a própria indiferença. E o estrago que ela causa.
As carroças não nasceram ontem, mas um cruzamento de variáveis fez proliferar sua presença no corre-c-rre urbano da Capital gaúcha, e junto toda a verdade não-romanceada. Pois lembro de um nome da inteligentzia local, em um programa de rádio, dizendo que as VTA eram cultura, não podiam ser extintas. Claro, quem vive da grana pública da Lei de Incentivo À Cultura não está puxando uma carroça atrelado pels dentes, nem está revirando lixo, sem muitos dentes na boca. Mas não quer ficar mal com o público descolado, então demagogiza um pouquinho, e sai como uma voz dos desfavorecidos. Um poeta do povo. ‘Sou burguês mas sou artista’. Ok, e eu sou o Bozo.
Enquanto isso, os abolicionistas fazem muita articulação e correria para que se prescinda dos cavalos como engrenagem. E também para tirar os animais também da condição de ingrediente.
Fonte: ANDA