abril 12, 2010

Obesidade infantil é problema da família

O primeiro relatório do Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil, que Portugal assumiu a sua coordenação e denominou-o de COSI, aponta para a existência no nosso País de 32 por cento de crianças com excesso de peso entre os 6 e os 10 anos.


O estudo não engloba uma amostra regional, mas sim nacional, contudo, a Madeira participou neste estudo com 171 crianças de quatro escolas, cujas crianças vão voltar a ser avaliadas este ano, porque o estudo é para ser actualizado de dois em dois anos para ir registando a evolução nutricional das crianças europeias.
Quem está a acompanhar os alunos nos estabelecimentos de ensino regionais é a nutricionista do IASAÚDE, Carmo Faria, juntamente com uma enfermeira, que fizeram o levantamento da situação para a investigação do estudo europeu.
Segundo a especialista, os números só vieram confirmar os receios mundiais de que a obesidade entre os mais novos tem vindo a aumentar. Em Portugal, a mudança de hábitos alimentares e a falta de actividade física está na base da obesidade infantil. No entanto, quanto mais cedo o problema for detectado, mais cedo haverá mudanças ao nível alimentar e de estilo de vida da criança e da família. Segundo a nutricionista, até agora a obesidade infantil tem sido vista como um problema individual, ou seja, apenas da criança X ou Y, todavia «esta é uma resposta que tem de ser dada à família daquela criança, porque de pouco serve que a criança tenha um plano alimentar quando tem um irmão sentado ao lado na mesa a comer batata frita», alertou. Para que a estratégia dê resultados, toda a família tem de estar envolvida na actividade física e também na adopção de uma alimentação saudável. «Assim, toda a família irá beneficiar», salientou a nutricionista.

Carmo Faria adiantou que algumas crianças com excesso de peso têm sido encaminhadas para médicos de família, pediatras e para as consultas de nutrição. No seu entender, há cada vez mais a consciência de que é preciso alargar a questão da obesidade infantil ao contexto familiar.
O trabalho nas escolas já começou a ser feito com as recomendações da Secretaria Regional de Educação e Cultura, em parceria com o IASAÚDE, para que sejam servidas nas escolas do primeiro ciclo do ensino básico, pré-escolar e creches alimentos saudáveis. Além disso, as muitas escolas básicas do 2.º e 3.º ciclos já aderiram à rede de bufetes saudáveis. Agora, é preciso que os pais continuem esse trabalho em casa. Por vezes é difícil, como adianta a nutricionista, porque como as crianças comeram de forma saudável na escola, a opção ao jantar é «fazer qualquer coisa» ou então recorrer a comida pré-cozinhada. Mas, a nutricionista alerta para o facto de que para ter uma alimentação equilibrada não é necessário ser-se «escravos da cozinha». A opção passa, por exemplo, num dia com mais tempo confeccionar sopa ou assar carne para congelar e poder utilizar nos dias em que as horas na cozinha são mais escassas.
E se a criança se recusar a comer os legumes? Não desistir e ser criativo é o conselho que a nutricionista dá aos pais. Um erro que estes cometem é o de prometerem uma recompensa se os filhos comerem a sopa toda. Carmo Faria recorda que as refeições devem ser encaradas como convívios familiares, sem televisão, em que os adultos devem dar o exemplo aos mais pequenos.

Plano de Saúde com metas cumpridas

O Plano Regional de Saúde 2004-2010 tinha como meta que este ano a população já deveria ter adoptado um comportamento alimentar mais saudável. Segundo a nutricionista do IASAÚDE, Carmo Faria, as intervenções estratégicas do Plano foram todas cumpridas a começar pela informação e sensibilização da população para a importância de uma alimentação equilibrada. Para tal, foram elaborados vários manuais de alimentação saudável para as faixas etárias, desde os recém-nascidos, jovens, passando pelos idosos e grávidas.
A ser elaborado está um manual de recomendações para os restaurantes, que deverá ser publicado em breve. Um outro ponto que foi cumprido foi a educação para a saúde na comunidade e isso foi possível com a colocação de nutricionistas nos vários centros de saúde da Região, bem como do esforço dos médicos daquelas unidades de saúde primários para a importância de uma boa alimentação. A promoção da actividade física foi também uma meta cumprida, já que o IASAÚDE associou-se e promover várias iniciativas que apelavam à prática do exercício físico em qualquer idade. A questão da investigação também foi desenvolvida e a integração da Madeira no projecto COSI Portugal é um desses exemplos.
No entanto, para o futuro há também outras mudanças. A ideia que vai ser defendida de uma forma mais vincada é uma política pública de saúde assente numa abordagem familiar e vai proporcionar um espaço de trabalho junto das famílias e em toda a envolvente social da criança, facilitadora da co-responsabilização das famílias e do tecido social na adopção de hábitos alimentares saudáveis e invertendo a prática, ainda habitual, de respostas individuais a problemas de sobrepeso e obesidade.
Relativamente à determinante actividade física a abordagem passará por uma reestruturação de fundo dos curriculos escolares. As escolas poderão promover actividades lúdicas no contexto extra curricular que impliquem desgaste energético significativo. O grupo europeu “European hildhood Obesity Group´s” recomenda mesmo que a escola proporcione uma hora diária de educação física. É que Portugal é dos países da União Europeia que menos actividade física pratica e há que inverter esta situação.

Rapazes mais altos e com mais peso

A obesidade infantil é um dos mais sérios problemas de saúde pública, quer em contexto europeu, quer mundial. A taxa de crescimento da doença tem-se mantido constante, acrescentando 400,000 crianças por ano, que se juntam às 45 milhões de crianças que já têm excesso de peso.
A Organização Mundial de Saúde (OMS), no âmbito da aprovação da Carta Europeia de Luta Contra a Obesidade, lançou uma iniciativa a pedido dos estados-membros da região europeia com a intenção de instalar um sistema de vigilância da obesidade infantil. O WHO - European Childhood Obesity Surveillance Initiative constitui o primeiro Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil. Portugal assumiu a coordenação europeia desta iniciativa e a nível nacional este estudo denomina-se “COSI – Portugal".
A implementação deste sistema de vigilância é uma medida importante para colmatar uma lacuna que existe na obtenção de informação sobre o estado nutricional, instrumentos de avaliação e monitorização da prevalência de obesidade em crianças, permitindo também, identificar grupos de risco. Este Sistema de Vigilância tem como principal objectivo o de criar uma rede de informação sistemática, com um intervalo de dois anos, e comparável entre os países da Europa, sobre as características do estado nutricional infantil de crianças dos 6 aos 10 anos.
No primeiro ano de avaliação (2008/2009) participaram 13 países dos 22 que integram esta iniciativa. Em Portugal, este projecto foi articulado entre várias entidades, entre as quais o Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais da Madeira (IASAÚDE).
O estudo avaliou 3.847 crianças do 1.º ciclo do ensino básico de 185 escolas, constituindo uma amostra representativa nacional. A Madeira participou com 171 crianças de quatro escolas: a de Machico, Terça de Cima, Jardim do Mar e Escola Salesiana.
Todas as crianças foram avaliadas através de parâmetros antropométricos (peso e estatura), por 74 examinadores e foram ainda aplicados dois questionários compreendendo variáveis relativas à família e ao ambiente escolar.
Para a classificação do estado nutricional, foi utilizado o Índice de Massa Corporal (IMC) em relação aos percentis 85 e 95 das tabelas do Center for Diseases Control and Prevention (CDC), iguais às do Boletim de Saúde Infantil, sendo valores superiores aqueles percentis, considerados de pré-obesidade e obesidade, respectivamente.
Os resultados, cedidos ao nosso jornal pela vice-presidente do IASAÚDE, a enfermeira Ana Clara Silva, mostraram uma distribuição por género semelhante (47,9% raparigas) bem como a média de idade, que foi idêntica entre rapazes e raparigas (7,5 anos). Os rapazes eram, em média, mais altos e mais pesados que as raparigas, sendo a média da estatura de 122,4 cm nas raparigas e de 124,3 nos rapazes e no que diz respeito ao peso este era de 26,6 kg nas raparigas e de 27,3 kg nos rapazes. Com base nos critérios do CDC, a prevalência de pré-obesidade foi de 18,1 % (P85 ≤ IMC ≥ P95) e de obesidade de 13,9% (IMC ≥ P95), somando uma prevalência de 32% de excesso de peso.
O excesso de peso foi maior nos rapazes (32,9%) do que nas raparigas (31,0%). Ainda segundo este critério de avaliação, embora não tenham sido produzido dados de amostras representativas regionais, a região que mostrou maior prevalência de pré-obesidade e obesidade foi a dos Açores (21,7% e 20,7%, respectivamente) e a que mostrou menor prevalência de pré-obesidade e obesidade, foi o Algarve (10,7% e 6,8%, respectivamente).





Palhaço é acusado de promover a obesidade infantil

Ronald McDonald vai reformar-se



Ronald McDonald é imagem de marca da cadei McDonald's desde 1963




A imagem de marca do McDonald’s desde 1963, o palhaço Ronald McDonald, dever-se-á reformar por, alegadamente, incitar as crianças a tornarem-se obesas.



O palhaço é acusado de atrair crianças ao restaurante, estimulando o consumo dos produtos da marca e, consequentemente, levando à sua obesidade.

A exigência é feita por profissionais de saúde, pais e um grupo de activistas sedeado em Boston, nos Estados Unidos da América.
De acordo com o jornal ‘Chicago Tribune' a empresa de Boston estará a preparar a sua festa de despedida.






Correio da manhã

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