abril 04, 2010

Os animais não vêem fronteiras


Há pessoas que não compreendem por que razão alguém de um país ajudaria animais noutro país. É simples: os animais não vêem fronteiras. Podem ir facilmente de Espanha para Portugal ou vice-versa sem fazer ideia que atravessaram a fronteira. Nos E.U.A. os animais podem vir do México e entrar nos E.U.A. sem, mais uma vez, terem ideia de que atravessaram a fronteira. Os animais simplesmente vêem mais terra talvez com uma cerca ou um rio.
Claro que têm os seus territórios e protegem-nos na maioria das vezes. Apenas querem terra suficiente para sobreviver. Não têm desejo de acumular riqueza como os humanos. Querem usufruir das suas vidas.
Se dissermos que somos veganos por razões éticas então que diferença faz o país onde vivem as pessoas que ajudam os animais? Que diferença faz em que país estão os animais?
Podemos com certeza aprender algo com os animais acerca de fronteiras. São travadas muitas guerras a propósito de fronteiras. Estaríamos, de longe, bem melhor se conseguíssemos ver que as fronteiras são criadas pelo Homem. Há muitas coisas que podemos aprender com os animais. Precisamos apenas de observar e aprenderemos imenso.
Se salvarmos um animal noutro país ainda assim salvámos a vida de um animal. Que diferença faz se o animal vive nos E.U.A., Portugal ou qualquer outro país? Por mim, continuarei a ajudar animais onde quer que eles vivam.
(Tradução do original por Ana Soares)
David A. WeselohPh.D.
Midland, Texas, USA,



Fronteiras..

Há pessoas que estranham os que são diferentes,
esquecem-se que elas próprias são diferentes através dos olhos dos outros...
(P. Spier)


Não me chames estrangeiro, só porque nasci muito longe
ou porque tem outro nome essa terra donde venho.
Não me chames estrangeiro porque foi diferente o seio
ou porque ouvi na infância outros contos noutras línguas.
Não me chames estrangeiro se no amor de uma mãe
tivemos a mesma luz nesse canto e nesse beijo
com que nos sonham iguais nossas mães contra o seu peito.
Não me chames estrangeiro, nem perguntes donde venho;
é melhor saber onde vamos e onde nos leva o tempo.
Não me chames estrangeiro, porque o teu pão e o teu fogo
me acalmam a fome e o frio e me convida o teu tecto.
Não me chames estrangeiro; teu trigo é como o meu trigo,
tua mão é como a minha, o teu fogo como o meu fogo,
e a fome nunca avisa: vive a mudar de dono.
E chamas-me tu estrangeiro porque um caminho me trouxe,
porque nasci noutra terra, porque conheço outros mares,
e parti, um dia, de outro porto...
mas são sempre, sempre iguais os lenços da despedida
iguais as pupilas sem brilho dos que deixámos lá longe,
os amigos que nos chamam, e também iguais os beijos
e o amor dessa que sonha com o dia do regresso.
Não me chames estrangeiro; trazemos o mesmo grito,
o mesmo cansaço velho
que sempre arrastou o homem
desde fundos tempos,
quando não havia fronteiras,
e antes de virem esses, que dividem e que matam,
os que roubam, os que mentem,
os que vendem nossos sonhos
os que inventaram um dia esta palavra: estrangeiro.
Não me chames estrangeiro, que é uma palavra triste,
que é uma palavra gelada, e que cheira a esquecimento
e cheira também a desterro.
Não me chames estrangeiro: olha o teu filho e o meu
como correm de mãos dadas, até ao fim do caminho.
Não me chames estrangeiro: eles não sabem línguas,
de limites nem bandeiras; olha como sobem ao céu
no riso que é uma pomba que os reúne no voo.
Não me chames estrangeiro; vê teu irmão e o meu,
o corpo cheio de balas, beijando o solo de morte;
eles não eram estrangeiros, conheciam-se desde sempre,
pela eterna liberdade, e livres os dois morreram.
Não me chames estrangeiro; olha-me nos olhos
muito para lá do ódio, do egoísmo e do medo,
e verás que sou um homem, não posso ser estrangeiro. 

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