A posição dos direitos animais é a de que não temos nenhuma justificativa moral
para explorar os não-humanos, por mais “humanitariamente” que o façamos.
O objetivo dos Direitos Animais é a Abolição do uso dos animais.
(c) Gary L. Francione
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novembro 02, 2014
outubro 26, 2012
Neurocientista afirma que animais têm consciência
Em 7 de julho de 2012, foi realizada uma Conferência, em Cambridge, a reunir neurocientistas renomados de todo o mundo, com o intuito de assinar um MANIFESTO, ou seja, um comunicado oficial, que afirma a existência de CONSCIÊNCIA em todos os mamíferos, aves e em outros indivíduos, incluindo os moluscos e polvos.
A pesquisa foi encabeçada pelo neurocientista PHILIP LOW e contou com a presença deSTEPHEN HAWKING.
PHILIP LOW afirma que, depois dessa descoberta, pretende virar VEGETARIANO.
Leia a entrevista a respeito, publicada na VEJA:
"Quais animais têm consciência? Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos.
É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos?Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.
Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência?Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica.
Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais? Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.
Qual é a ambição do manifesto? Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.
As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento?Acho que vou virar vegano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.
O que pode mudar com o impacto dessa descoberta? Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles."
A íntegra, em inglês, do manifesto que afirma a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como polvos.
http://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf
Fonte: SVB - RJ
A pesquisa foi encabeçada pelo neurocientista PHILIP LOW e contou com a presença deSTEPHEN HAWKING.
PHILIP LOW afirma que, depois dessa descoberta, pretende virar VEGETARIANO.
Leia a entrevista a respeito, publicada na VEJA:
"Quais animais têm consciência? Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos.
É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos?Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.
Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência?Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica.
Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais? Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.
Qual é a ambição do manifesto? Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.
As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento?Acho que vou virar vegano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.
O que pode mudar com o impacto dessa descoberta? Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles."
A íntegra, em inglês, do manifesto que afirma a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como polvos.
http://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf
Fonte: SVB - RJ
julho 21, 2012
"Não é mais possível dizer que não sabíamos", diz Philip Low
Neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, e como essa descoberta pode impactar a sociedade.
Estruturas do cérebro responsáveis pela produção da consciência são análogas em humanos e outros animais, dizem neurocientistas
O neurocientista canadiano Philip Low ganhou destaque no noticiário científico depois de apresentar um projeto em parceria com o físico Stephen Hawking, de 70 anos. Low quer ajudar Hawking, que está completamente paralisado há 40 anos por causa de uma doença degenerativa, a se comunicar com a mente. Os resultados da pesquisa foram revelados no último sábado (7) em uma conferência em Cambridge. Contudo, o principal objetivo do encontro era outro. Nele, neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra.
Low é pesquisador da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambos nos Estados Unidos. Ele e mais 25 pesquisadores entendem que as estruturas cerebrais que produzem a consciência em humanos também existem nos animais. "As áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais não são as que produzem a consciência", diz Low, que concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:
Estudos sobre o comportamento animal já afirmam que vários animais possuem certo grau de consciência. O que a neurociência diz a respeito?
- Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência.
A íntegra, em inglês, do manifesto que afirma a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como polvos
http://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf
Quais animais têm consciência?
- Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos.
É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos?
- Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.
Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência? Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica.
Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais?
- Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo - que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) - consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.
Qual é a ambição do manifesto?
- Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.
As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento?
- Acho que vou virar vegano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.
O que pode mudar com o impacto dessa descoberta?
- Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles.
Fonte: VEJA
março 08, 2012
Moralidade animal: 7 vídeos incríveis
“O pouco que sabemos agora sobre o comportamento moral dos animais nos leva a concluir que é muito mais desenvolvido do que nós lhe demos crédito”, disse Marc Bekoff, professor de ecologia e biologia evolutiva. “Não somos os únicos ocupantes da arena moral”.
No mundo científico, acumulam-se evidências que sugerem que muitos animais são seres morais. Comportamentalistas animais têm observado muitos casos em que eles exibem um senso de certo e errado e, geralmente, tratam uns aos outros com bondade, justiça e reciprocidade – mais do que nós podemos nos gabar. Veja algumas das provas nesses vídeos incríveis:
No mundo científico, acumulam-se evidências que sugerem que muitos animais são seres morais. Comportamentalistas animais têm observado muitos casos em que eles exibem um senso de certo e errado e, geralmente, tratam uns aos outros com bondade, justiça e reciprocidade – mais do que nós podemos nos gabar. Veja algumas das provas nesses vídeos incríveis:
7 – Hipopótamo e impala
Em um exemplo surpreendente de altruísmo entre espécies, um hipopótamo resgata um impala jovem da morte pelas garras de um jacaré e ainda parece tentar ressuscitar o animal.
6 – CÃO CULPADO
Neste divertido vídeo, o tutor de um cão volta para casa e descobre seu lixo espalhado por toda parte e a tampa da lata de lixo presa na cabeça de seu cão. O animal apresenta linguagem corporal de culpa (muita culpa), e especialistas dizem que ele provavelmente entende que se comportou mal, quebrando uma regra posta em prática pelo membro alfa de seu “grupo” – seu tutor.
5 – PINGUIM LADRÃO
No vídeo, pinguins-de-Adélia são vistos reunindo pedras para construir seus ninhos. Um deles furtivamente rouba uma pedra do ninho do seu vizinho toda vez que ele vai pegar uma nova. Mas será que o pinguim ladrão sabe que suas ações secretas são moralmente erradas?
Os cientistas acreditam que não, porque dentro do grupo social dos pinguins, não há punição ou tratamento diferente para aves que roubam. Entre os corvos, por outro lado, existem consequências sociais para as aves que roubam. Os cientistas pensam que isso instila neles um senso de certo e errado.
Os cientistas acreditam que não, porque dentro do grupo social dos pinguins, não há punição ou tratamento diferente para aves que roubam. Entre os corvos, por outro lado, existem consequências sociais para as aves que roubam. Os cientistas pensam que isso instila neles um senso de certo e errado.
4 – ESQUILO DE LUTO
Neste vídeo, um esquilo jaz morto na estrada, enquanto outro luta com os corvos que vêm para comer a carcaça. O esquilo vivo parece ter um impulso emocional ou moral de proteger o corpo de seu companheiro.
3 – CÃO PEDINDO RESGATE
Nesta filmagem um pouco famosa, feita logo após o tsunami no Japão, um cão parece tentar chamar a atenção e obrigar a equipe de filmagem a resgatar seu companheiro ferido. Ele se recusa a deixar para trás o cão ferido e parece confortá-lo.
2 – ELEFANTES RESGATAM FILHOTE
Numa demonstração enorme de compaixão, elefantes trabalham juntos para resgatar um filhote do afogamento.
1 – CACHORRO TENTA SALVAR COMPANHEIRO
Um cão resgata o outro companheiro que havia sido atropelado e estava ferido, arrastando-o pela movimentada pista de uma rodovia, arriscando seu próprio pescoço.
Além desta cadela que salvou um bebê humano recém-nascido que havia sido abandonado no frio congelante, cientistas descobriram que cães possuem uma forma rudimentar de empatia.
Fonte: ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animaisdezembro 19, 2011
Exercícios de zooliteratura
Por Maria Esther Maciel
Nas últimas décadas, mais precisamente a partir dos anos 1970, o debate sobre a questão animal e as relações entre humanos e outros viventes tem mobilizado pensadores e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, em várias partes do mundo. Esse crescente interesse pelo tema possibilitou, inclusive, o surgimento de um novo campo de investigação que, sob a denominação de estudos animais, vem se afirmando como um espaço de entrecruzamento de várias disciplinas oriundas das ciências humanas e biológicas, em torno de dois grandes eixos de discussão: o que concerne ao animal propriamente dito e à chamada animalidade, e o que se volta para as complexas e controversas relações entre homens e animais não-humanos. O que evidencia a emergência do tema como um fenômeno transversal, que corta obliquamente diferentes campos de conhecimento e propicia novas maneiras de se reconfigurar, fora dos domínios do antropocentrismo e do especismo, o próprio conceito de humano.
Nesse espaço híbrido têm sido referências teóricas importantes os escritos de Jacques Derrida sobre o animal, as análises de Michel Foucault sobre animalidade e loucura, o conceito de devir-animal de Gilles Deleuze & Félix Guattari, as reflexões de George Bataille sobre a animalidade, as abordagens bioéticas de Peter Singer, a noção de companion species de Donna Haraway, os estudos etnológicos de Eduardo Viveiros de Castro, além das instigantes contribuições de John Berger, Giorgi Agamben, Dominique Lestel e Cary Wolfe, entre outros. Mas foi Michel de Montaigne quem prefigurou esse pensamento, ainda no século XVI, através de seu ensaio “Apologia de Raymond Sebond”, no qual, com propósitos de desqualificar a presunção humana, empreende um longo elogio aos animais. Muitas das considerações apresentadas por ele se fazem presentes, hoje, nos estudos sobre as relações entre humanos e outros viventes.
No que tange aos estudos literários, as discussões relativas ao problema dos animais começaram a se delinear mais efetivamente nos últimos anos. É notável o crescente interesse crítico-teórico pela temática, fora das circunscrições metafóricas que quase sempre marcaram os enfoques literários dos animais não-humanos. O que se justifica, não apenas pelas preocupações de ordem ecológica que têm movido a sociedade contemporânea, mas também por uma tomada mais efetiva de consciência, por parte dos escritores e artistas em geral, dos problemas ético-políticos que envolvem nossa relação com as demais espécies viventes. Não são poucos os escritores/artistas que hoje têm explorado, sob um enfoque liberto das amarras alegóricas, diferentes categorias do mundo zoo. Feras enjauladas nos zoológicos do mundo, animais domésticos e rurais, bichos de estimação, seres vivos classificados pela biologia, cobaias de laboratórios, animais confinados e abatidos em fazendas industriais e espécies em extinção têm ocupado, cada vez mais, um visível espaço em livros, telas de cinema, palcos e salas de exposição. Para não mencionar as imbricações entre humanidade e animalidade, natureza, cultura e técnica, presentes em diversas produções simbólicas contemporâneas. Muitos escritores e artistas buscam, dessa forma, investigar a complexidade que os animais representam para a razão humana, buscando deles extrair, inclusive, um saber alternativo sobre o mundo e a humanidade. Autores como o sul-africano, ganhador do Nobel, John M. Coetzee, o inglês John Berger, a australiana Eva Hornung, o francês Jacques Roubaud, os mexicanos Juan José Arreola e José Emílio Pacheco, o italiano Alessandro Boffa, a americana Patricia Highsmith, entre vários outros, são alguns nomes exemplares.
Pode-se afirmar que Franz Kafka foi um marco nesse processo, ao inserir em seus contos – no início do século XX – figuras animais fora da circunscrição antropocêntrica, inscrevendo na zooliteratura ocidental uma nova forma de compreender o animal e as manifestações da animalidade. Nesse sentido, a novela A metamorfose, de 1915, é um marco para o surgimento de uma linhagem literária voltada para os processos de identificação/entrecruzamento de humano e não humano, sob um viés crítico, capaz de desestabilizar as bases do humanismo antropocêntrico. Ela pode ser considerada, assim, uma obra precursora no horizonte da literatura moderna e contemporânea que problematiza as fronteiras entre humanidade e animalidade. Fronteiras essas que demandam, mais do que nunca, uma abordagem pautada no paradoxo: ao mesmo tempo em que são e devem ser mantidas – graças às inegáveis diferenças que distinguem os animais humanos dos não-humanos –, é impossível que sejam mantidas, visto que os humanos precisam se reconhecer animais para se tornar humanos.
No Brasil, verifica-se que a miríade de escritores voltados para um enfoque mais matizado e consciencioso dos animais é expressiva, remontando à segunda metade do século XIX, com Machado de Assis, que dedicou memoráveis contos, crônicas e passagens de romances à situação dos animais no mundo dominado pela ciência e pelo triunfo do racionalismo moderno. Vale dizer que ele foi um dos primeiros escritores nacionais a fazer o elogio do vegetarianismo, numa crônica sobre a greve de açougueiros acontecida no Rio de Janeiro em 1893, além de ter se manifestado contra as touradas e abordado criticamente a crueldade das práticas de vivissecção, comuns nos laboratórios científicos do tempo. Para não mencionar o uso paródico que o escritor fez das fábulas, ao dar voz e palavras aos animais em alguns textos como o conto “Ideias de canário”, no qual ele mostra ser a ave bem mais sábia do que o ornitologista que a estuda, ou a crônica “Conversa de burros”, de 1892, em que relata uma interessante e filosófica conversa entre dois desses animais sobre a possibilidade de ficarem livres da exploração humana por causa da expansão do uso da tração elétrica nos bondes do Rio de Janeiro. A diferença com relação à fabula tradicional é que os animais, neste caso, não são antropomorfizados e nem estão a serviço da edificação humana, mas aparecem como animais-animais que expressam o que o autor imagina que eles falariam se pudessem fazer uso da linguagem verbal.
Já no século XX, autores como Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Clarice Lispector e João Alphonsus também se ocuparam do universo animal, sem se renderem ao mero fascínio da fábula e da alegoria. A esses se somam também alguns escritores atuais, como Wilson Bueno, Nuno Ramos, Regina Redha, Astrid Cabral, Rubens Figueiredo e Eucanaã Ferraz, que, atentos à situação do mundo neste início do século XXI, adotam uma postura mais incisiva e radical diante da questão, assumindo uma posição mais engajada em relação ao problema dos animais na sociedade contemporânea. Basta dizer que Regina Redha publicou o primeiro “romance vegano” brasileiro, em 2008.
No caso específico de Guimarães Rosa, pode-se dizer que ele se destaca como o grande animalista das letras brasileiras. Desde seu primeiro livro de contos, Sagarana (1946), Rosa nunca deixou de conferir aos animais uma especial atenção, tomando-os quase sempre como sujeitos ativos, fora do amansamento antropomórfico e moralizador que constitui grande parte da zooliteratura ocidental. Nas páginas de quase todos os seus livros “fervilham bichos” de todas as espécies. Além disso, os embates, as interações, o corpo-a-corpo dos homens com o mundo animal são bastante frequentes em suas narrativas, indiciando o vivo interesse do escritor em abordar as afinidades e os limites que há entre humanos e não humanos. Isso se dá a ver especialmente nos textos em que o autor enfoca a convivência diária entre vaqueiros e os animais do mundo rural do interior de Minas Gerais. Para não mencionar a exploração que o autor faz dos traços de animalidade do humano, como em “Meu tio o Iauaretê”, que trata da transformação de um onceiro em um homem-onça, por um processo de contágio.
Percebe-se, assim, um visível interesse de Rosa pelas “comunidades híbridas”, nas quais predominam a riqueza e a diversidade das relações entre homem e animal não-humano, estas construídas a partir de compartilhamento de sentidos, experiências, afetos e necessidades. A isso se soma ainda o interesse do escritor em observar os aquários e os bichos enjaulados nos zoológicos do mundo, como atestam as instigantes séries “Aquário” e “Zoo”, do livro póstumo Ave palavra, as quais podem ser tomadas como uma espécie de bestiário poético-afetivo. Aliás, chama a atenção numa das seções desse livro, uma frase que parece justificar toda a série zoológica de Rosa: “Amar os animais é aprendizado de humanidade”.
O animal como sujeito
Outra questão que se coloca é o esforço desses escritores em apreender, pela palavra articulada, o “eu” dos animais não-humanos, entrar na pele deles, imaginar o que eles diriam se tivessem o domínio da linguagem humana, encarnar uma subjetividade possível (ainda que inventada) desses outros, conjeturar sobre seus saberes acerca do mundo e da humanidade. Guimarães Rosa explorou isso nos contos “O burrinho pedrês” e “Conversa de bois”. Outro exemplo é Carlos Drummond de Andrade que, no poema “Um boi vê os homens”, encenou a voz de um “eu-bovino” que rumina seu próprio conhecimento sobre a vida e a espécie humana, pondo em xeque a capacidade dos homens em entender outros mundos que não o amparado pela consciência. Recurso este também adotado pelo poeta carioca Eucanaã Ferraz no poema “Fado do boi”, de 2008, espécie de recriação interrogativa do poema drummondiano.
Tal esforço de encarnar a primeira pessoa de um animal na escrita não deixa também de ensejar algumas especulações. É possível configurar/encenar na linguagem dos homens uma subjetividade animal? O que vem a ser subjetividade? É uma instância reservada apenas àqueles que se enquadram nas categorias de eu, razão, consciência, desejo, vontade e intencionalidade?
Michel de Montaigne, na “Apologia de Raymond Sebond”, já defendia a ideia do animal como sujeito e chamava a atenção para a complexidade dos bichos, mostrando que eles, dotados de variadas faculdades, “fazem coisas que ultrapassam de muito aquilo de que somos capazes, coisas que não conseguimos imitar e que nossa imaginação não nos permite sequer conceber” (1). Interessante que tais considerações hoje vêm encontrarando amparo científico graças, sobretudo, às descobertas da etologia contemporânea. Dominique Lestel, em As origens animais da cultura, reafirma as conjeturas de Montaigne, ao mostrar – a partir de estudos recentes no campo do comportamento animal – a extraordinária diversidade de comportamentos e competências dos viventes não-humanos, que vão da habilidade estética até formas elaboradas de comunicação.
Assim, diante dos estudos etológicos contemporâneos, quem garante que os animais estão impedidos de pensar, ainda que de uma forma muito diferente da nossa, e ter uma voz que se inscreve na linguagem? Estará, como indaga Lestel, a nossa racionalidade suficientemente desenvolvida para explicar uma “racionalidade” que lhe é estranha, caso esta realmente exista? (2).
À literatura cabe sondar, através dos recursos da imaginação e da ficção, essas possibilidades. Cada escritor busca criar uma forma de encontro com a outridade animal, seja através do pacto, da aliança e da compaixão, seja pela entrada no espaço desses outros, seja pela tentativa ilusória de figuração ou de incorporação de uma subjetividade alheia, o registro ficcional sobre animais se faz sempre como um desafio à razão e à imaginação. São tentativas que indicam tanto a nossa necessidade de apreender algo deles, quanto um desejo de recuperar nossa própria animalidade perdida ou recalcada, contra a qual foi sendo construído, ao longo dos séculos, um conceito de humano e de humanidade. Afinal, foi precisamente através da negação da animalidade que se forjou uma definição de humano, não obstante a espécie humana seja fundamentalmente animal.
Maria Esther Maciel é professora associada de teoria da literatura e literatura comparada da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É autora, dentre algumas publicações, dos livros: A memória das coisas ensaios de literatura, cinema e artes plásticas (2004), O animal escrito (2008) e Escrever/Pensar o animal (Org., 2011). E é, atualmente, colunista semanal do caderno de cultura do jornal Estado de Minas.
Notas de rodapé
- Montaigne, Michel de. Apologia de Raymond Sebond. Ensaios II. Trad. Sérgio Milliet. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p.118.
- Montaigne admitia a existência de um processo de raciocínio nos animais. Ele chega a mencionar o conhecimento que os atuns teriam dos três ramos da matemática: a astronomia, a geometria e a aritmética. Nas palavras do filósofo, eles “revelam conhecer a geometria e a aritmética, porquanto se reúnem em cardumes da forma de um cubo quadrado por todos os lados, de sorte que formam um batalhão sólido de seis faces iguais; nadam nessa ordem de dimensões idênticas atrás e na frente, de modo que quem os encontra e conta uma fileira tem ideia precisa do todo, já que a largura do cardume é igual à profundidade e ao comprimento” (Montaigne. Apologia de Raymond Sebond. p. 222).
novembro 13, 2011
Monumento homenageia animais explorados e mortos nas guerras
Não foram só os humanos as vítimas das guerras. Cachorros, cavalos e até uma mula receberam uma homenagem especial com o monumento Animais na Guerra, no Park Lane, em Londres, na Inglaterra. Todos eles estão lá representados para que se reconheçam as “contribuições” prestadas por milhões de animais em conflitos militares no século XX.
O monumento foi inaugurado pela princesa real em novembro de 2004, depois que £ 2 milhões (US$ 3,2 milhões) foram arrecadados, por meio de um apelo nacional e consequente generosidade de muitos doadores, entidades beneficentes e empresas, para construir a obra.

A lista de animais que passaram por períodos de guerra é impressionante:
- 8 milhões de cavalos e incontáveis mulas e burros morreram durante a I Guerra Mundial. Muitas mulas também foram utilizados nas batalhas da Frente Ocidental e no calor opressivo de Birmânia, Eritreia e Tunísia durante a II Guerra.
- centenas de cachorros foram usados nos conflitos para enviar mensagens, detectar minas e desenterrar vítimas de bombas, assim como explorados de cães de guarda e patrulha.
- mais de 300 mil pombos serviram a Grã-Bretanha durante as duas guerras mundiais, salvando milhares de vidas ao levar mensagens imprescindíveis quando a comunicação não era possível.
- muitos outros animais foram utilizados em guerras por anos, incluindo elefantes, camelos, bois, gatos, canários e até vagalumes.

Todos estes animais foram lembrados até hoje, é certo que assim o seja. Mas eles deveriam ser lembrados pela bravura? Um animal pode ser chamado de “corajoso” quando não entende os riscos a que está sendo submetido ou as razões para tal?
ANDA
They served and suffered for us
O Livro: Animals in War
A major monument designed for London.
- centenas de cachorros foram usados nos conflitos para enviar mensagens, detectar minas e desenterrar vítimas de bombas, assim como explorados de cães de guarda e patrulha.
- mais de 300 mil pombos serviram a Grã-Bretanha durante as duas guerras mundiais, salvando milhares de vidas ao levar mensagens imprescindíveis quando a comunicação não era possível.
- muitos outros animais foram utilizados em guerras por anos, incluindo elefantes, camelos, bois, gatos, canários e até vagalumes.
ANDA
They served and suffered for us
O Livro: Animals in War
novembro 08, 2011
Só 46% dos cereais plantados alimentam pessoas
Publicado na Folha de S. Paulo em 7 de novembro de 2011 | Quando a Terra atingiu o sexto bilhão de seres humanos habitando-a simultaneamente, em 1999, o matemático biológico Joel E. Cohen,67, guardava um certo otimismo.
Via exagero no fatalismo com que alguns estudiosos referiam-se ao futuro e achava que a pergunta que dá título a seu livro mais famoso -quantas pessoas a Terra aguenta?- não era para ser respondida com um número, mas com políticas públicas e iniciativas sociais.
Entre o sexto e o recém-alcançado sétimo bilhão, porém, a humanidade -e seus governos- pouco colaboraram para manter o otimismo do matemático, que chefia o Laboratório de Populações na Universidade Rockfeller e leciona em Columbia, ambas em Nova York.
Em entrevista, Cohen falou sobre controle populacional, educação, investimento em desenvolvimento e o uso da comida que o mundo produz hoje.
Mas o tom que era de expectativa deu lugar à premência em um planeta que, a seu ver, tem seguido uma “receita para o desastre”.
A entrevista é de Luciana Coelho e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 07-11-2011.
Eis a entrevista.
Quando chegamos aos 6 bilhões, o senhor dizia que a pergunta que dá título ao seu livro era algo em aberto. Aos 7 bilhões, continuamos sem resposta?
Agora percebemos que a mudança climática é uma ameaça à produção de comida, à vida das espécies, incluindo a humana, com mais clareza do que há 12 anos.
O progresso científico trouxe razões para nos preocuparmos mais.
Hoje também temos o maior número de famintos em 40 anos, segundo o braço da ONU para agricultura e alimentação: quase 1 bilhão.
Até recentemente, o número de pessoas cronicamente mal nutridas estava caindo, mas, nos últimos anos o preço dos alimentos subiu muito, em boa medida devido à competição com biocombustíveis e outros usos industriais da comida. Com isso, a fome aumentou.
Os biocombustíveis têm um impacto significativo? Porque a mudança climática também pesa nas colheitas.
Onde há medição, as colheitas diminuíram por causa da mudança climática. Mas acho que pesam os dois fatores, uso industrial e clima.
Outra questão é a crescente riqueza em alguns países em desenvolvimento. A quantidade de carne consumida por pessoa na Terra subiu, se não me engano, quatro vezes desde 1961. Países antes pobres, como a China, aumentaram enormemente a demanda, e muito do gado é alimentado com grãos, cultivados em terra agricultável que podia ser usada para plantar comida.
Os ricos conseguiram melhorar sua dieta, o que é bom, mas às custas dos pobres, que não têm como bancar a competição com os animais.
O que os governos de um mundo superpopuloso deveriam priorizar?
Em 2009-2010, o mundo cultivou 2,3 bilhões de toneladas métricas de cereais. Do total, 46% foi para a boca de pessoas, 34% for para animais e 18% foi para máquinas -biocombustível, plásticos. Nosso sistema econômico não precifica gente que passa fome. A fome é economicamente invisível. Não é que não possamos alimentar as pessoas -com o que se planta agora, poderíamos alimentar de 9 bilhões a 11 bilhões. O problema é que os pobres não têm renda.
O que o sr. sugere?
A primeira coisa é que todas as 215 milhões de mulheres que querem usar métodos anticoncepcionais, mas não têm sua demanda atendida, deveriam ter apoio financeiro para conseguir anticoncepcionais moderno.
Isso custaria US$ 6,7 bi ao ano para o mundo todo. Os EUA, sozinhos, gastaram US$ 6,9 bi para festejar o Halloween há uma semana [segundo a Federação Nacional de Varejistas]. Devemos dividir a conta com países ricos e pobres. Mas o mundo pode bancar isso facilmente.
E o que mais?
Assegurar que todos tenham uma educação de boa qualidade no ensino fundamental e médio, que permita às pessoas ter renda e ser trabalhadores capacitados.
Isso também melhoraria a velhice, pois gente bem educada na juventude envelhece com mais saúde. E, quando os jovens vão à escola, eles se casam mais tarde. Mulheres educadas costumam ter menos filhos, e seus filhos sobrevivem melhor. As taxas de mortalidade caem.
E a minha terceira recomendação é garantir nutrição adequada para todas as gestantes, lactantes e crianças de até cinco anos. Isso é crucial, pois se a criança passa fome antes de chegar à idade escolar, ela não aprende.
Há problemas de desenvolvimento.
Se você quiser que as crianças tenham cérebros que funcionam, é preciso assegurar que tenham acesso a boa comida. Não estamos fazendo isso. Estamos desperdiçando nossas crianças sem ver o custo econômico.
Há um conceito em economia chamado custo de oportunidade, que é o que você perde ao não explorá-la. Nosso péssimo tratamento das crianças é um custo de oportunidade enorme que não é incluído nos sistemas econômicos nacionais.
O sr. está familiarizado com os programas de transferência de renda no Brasil?
Li pouco sobre eles, mas sei que existem programas similares no México. São maravilhosos. O Brasil e o México estão entre os países mais ricos que levam a questão a sério. Na América Latina como um todo, o número médio de filhos por mulher passou de 6, nos anos 60, para 2 ou 2,1 hoje. Uma mudança enorme.
O sr. atribui isso a quê?
É uma via de mão dupla. Por um lado, as mulheres e meninas receberam mais educação, e houve quedas tremendas na taxa de fertilidade. Por outro, a queda na fertilidade faz com que haja menos crianças precisando de escola. As duas coisas andam juntas. A educação reduz a fertilidade, e a fertilidade mais baixa melhora as oportunidades para a educação, se a sociedade quiser.
Na África subsaariana e no Sul da Ásia, inclusive parte da Índia, você não vê uma queda tão drástica na fertilidade, tampouco melhoras na nutrição.
A fertilidade caiu na Europa, e a população envelheceu. O mesmo tem ocorrido na América como um todo. Mas a fertilidade ainda é alta em partes do mundo, sobretudo na Ásia, como o sr. diz. Qual o impacto, para o planeta, de uma população declinante e envelhecida de um lado e países cada vez mais superpopulosos de outro?
Você tem razão, temos pelo menos dois regimes demográficos hoje. Há mais de 50 países onde os níveis de fertilidade caíram abaixo da taxa de reposição. E há outros com crescimento rápido.
Em 1950, havia três vezes mais gente na Europa do que na África Subsaariana. Em 2010, havia 16% mais gente na África Subsaariana do que na Europa. Pelas projeções da ONU, em 2100 haverá 5 pessoas na África Subsaariana para 1 na Europa. De 3 para 1, fomos de 1 para 5 -a proporção aumentou 15 vezes.
Isso pode significar uma tremenda pressão pela imigração da África subsaariana para a Europa se a África continuar pobre. Por outro lado, se os europeus, se a China e se o resto do mundo ajudarem a África a enriquecer, isso pode significar um mercado enorme para o maquinário, os produtos e até o estilo que a Europa produz. E pode significar prosperidade.
O perfil da população mudou, mas a renda não acompanhou -menos gente tem mais, mais gente tem menos.
É lamentável. É uma situação instável ecológica, política, econômica e socialmente. É a receita para o desastre.
Números
1 bilhão
Passam fome no mundo
É o maior número de famintos em 40 anos, segundo o braço da ONU para agricultura e alimentação
2,3 bilhões
Cultivo de cereais
Foi o que o planeta produziu no biênio 2009-2010
46%
Dos 2,3 bilhões de cereais
Percentual usado para alimentar pessoas; 34% foram para animais e 18%, para produção de combustível
4 vezes
Consumo de carne
É o quanto aumentou o consumo por pessoa na Terra desde 1961
Vista-se
novembro 04, 2011
Itália: manifestação com corpos de animais
Durante um vídeo investigativo realizado pela ONG italiana “Nemesi Animale“, em outubro de 2011, foram resgatados alguns corpos de animais que foram assassinados pela indústria de produtos de origem animal. O intuito era fazer uma grande manifestação silenciosa em praça pública. A imagem chocante – e ao mesmo tempo emocionante – fez com que centenas de pessoas parassem para prestar atenção ao que estava acontecendo.
Para ver um álbum de fotos da manifestação no Flickr, clique aqui.
Agradecimento especial a Ivan V. Tavazzi, membro da Nemesi Animale que se tornou leitor do ViSta-se e enviou esta notícia para inspirar a todos nós brasileiros.
Em dezembro de 2010 ocorreu um protesto semelhante em São Paulo, coordenado pela ONG Veddas, veja aqui.
outubro 09, 2011
Santuário das Fadas
Na verdade, a Terra ainda sobrevive porque existem muitas pessoas que mantêm e lutam pela energia positiva dos humanos e não humanos. Vejam o exemplo do "Santuário das Fadas" Bem hajam!
O Santuário das Fadas é um santuário de animais resgatados de situações de maus-tratos, negligência, abandono, exploração, abuso e tráfico de animais. O Santuário abriga animais diversos como aves, suínos, cães, gatos, coelhos, porquinhos da índia, cabras, eqüinos, bovinos, entre outros. Somos uma associação civil que luta pela libertação animal, sua preservação e conservação. O Santuário é uma entidade sem fins lucrativos que visa somente defender o direito e a vida dos animais.
O Santuário das Fadas é um santuário de animais resgatados de situações de maus-tratos, negligência, abandono, exploração, abuso e tráfico de animais. O Santuário abriga animais diversos como aves, suínos, cães, gatos, coelhos, porquinhos da índia, cabras, eqüinos, bovinos, entre outros. Somos uma associação civil que luta pela libertação animal, sua preservação e conservação. O Santuário é uma entidade sem fins lucrativos que visa somente defender o direito e a vida dos animais.
maio 23, 2011
Aquecimento global
Um relatório da ONU de 2006 constatou que criar animais para alimentação humana gera mais gases com efeito estufa do que todos os carros e caminhões em todo o mundo reunidos [1].
Felizmente, nós podemos ajudar a corrigir esse problema alterando a nossa dieta.
De acordo com um estudo feito em 2006 por pesquisadores da Universidade de Chicago, a maioria dos americanos pode reduzir mais gases com efeito estufa tornando-se vegetariana do que mudando para um carro híbrido elétrico.
Eles descobriram que comer uma dieta vegetariana impede a emissão equivalente a 1,5 toneladas de CO2 a cada ano. Isso é mais do que a tonelada de emissões de CO2 evitada pela troca de um sedan típico por um Toyota Prius (modelo híbrido da Toyota) [2].
Por meio de seu processo digestivo, o rebanho emite 16% da produção anual de metano [6].
Então por que é que a carne provoca tanto aquecimento global? Há uma porção de fatores. Aqui estão alguns:
Extinção é para sempre
A criação de pastos é um sério problema para as espécies ameaçadas, tanto na parte ocidental dos Estados Unidos quanto nas florestas tropicais da América do Sul.Nos Estados Unidos, os pastos têm contribuído para o desaparecimento de 26% das espécies ameaçadas de extinção[1].
Em The Western Range Revisited, um livro publicado em 1999 pela Universidade de Oklahoma, a autora Debra L. Donahue escreve: "O desmatamento para a criação de pastos causa mais danos ao meio ambiente do que qualquer outra atividade humana no ocidente, e eliminar essa atividade detém maior potencial de benefício para a biodiversidade do que qualquer outra forma de se utilizar a terra".
maio 05, 2011
Somos todos comida
fevereiro 17, 2011
Vida Univeral pede ajuda em abaixo-assinado urgente
Da Alemanha, a ativista Janette Wood do grupo Vida Universal, co-irmão da Vanguarda Abolicionista, relata que uma rodovia será constuída bem no meio da Terra da Paz, fazenda vegana mantida pelo grupo. Animais silvestres e domésticos abrigados pelo local perderão seu refúgio. Solicita-se assinatura no formulário publicado em www.gabriele-stiftung.de - em Espanhol, ou em www.gabriele-stiftung.de/cms - em Inglês. A primeira lista de assinaturas será entregue ainda esta semana.
janeiro 31, 2011
novembro 24, 2010
Como nascem os paradigmas...!
“Somente duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto ao primeiro.”
Albert Einstein
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam davam-lhe uma surra. Dentro de algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado na surra ao novato.
Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e afinal, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
“Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui”.
Resposta correta dos Macacos:
A Minha resposta seria:
Caro amiguinho novato, não suba nesta escada porque aqui nesta gaiola toda vez que alguém sobe na escada recebemos um jato de água fria até descermos da escada e mesmo que você não tenha visto este perigo em nenhum lugar, podes acreditar porque aqui acontece isto, nossos antecessores aprenderam esta lição a duras penas até que desistiram de comer as bananas que estão aí em cima.Mas como Macaco não entende esta linguagem, então a solução é descer a pancada mesmo, porque jamais conseguirão convecê-lo do contrário com esta ladainha tola, afinal quem tem filho adolescente sabe muito bem qual é o resultado deste papo carêta.Na minha opinião particular eu diria que se continuassem trocando os macacos por mais tres gerações sem jogar nenhum jato de água fria, da primeira vez que se distraissem e um macaquinho pegasse a banana, nunca mais ninguém apanharia sem motivo.É assim que as coisas mudam com o passar dos anos, naturalmente e não artificialmente com jatos de água fria programados.
novembro 09, 2010
Veja como chicletes, tampinhas de garrafa e filtro de cigarro matam animais
Pássaros são atraídos por chicletes jogados no chão?
Circula a informação de que os pássaros são atraídos pelo cheiro doce do sabor de frutas dos chicletes.
No momento em que o chiclete gruda no bico, a ave tenta desesperadamente tirá-lo e, na maioria das vezes, morre sufocada – é o texto que vem em sequência.
Ao imaginar a cena chocante e a quantidade de chicletes jogados no chão, a primeira sensação é de pânico. Passado o primeiro instante, o Blog da Saúde pesquisou mais sobre o assunto e não encontrou nenhum estudo que comprove a atração dos pássaros pela goma de mascar.
O CEO – Centro de Estudos Ornitológicos (observação, estudo e preservação das aves) também não possui trabalho científico sobre o assunto. Ainda assim, cada produto deve ser jogado no lixo de forma adequada. O chiclete demora 5 anos para se decompor.
O resíduo humano que mais prejudica os animais é, sem dúvidas, o plástico, que demora muito para se degradar (por volta de 450 anos) e que os animais podem comer pensando que é alimento, informa o CEO.
Caso saiba sobre algum estudo com fonte comprovada sobre a relação entre restos de chiclete e pássaros, por favor nos envie. Por enquanto, a afirmação permanece como mito.
A cultura de não tratar o destino do lixo como uma responsabilidade individual e coletiva tem levado à morte milhares de animais.
Atraídos pelo cheiro adocicado e o sabor de fruta, passarinhos comem restos de chicletes. O material acaba grudando no bico do passarinho que então tenta removê-lo com os pés e na maioria das vezes morre por asfixia.
Os filhotes de pássaros também são vítimas do lixo humano por contaminação de nicotina. Os filtros de cigarro que são jogados acabam sendo utilizados por várias espécies de pássaros na construção de seu ninho. O alto teor de produtos químicos cancerígenos que se acumulam no filtro do cigarro matam em pouco tempo os filhotes.
No mar e nos rios, o perigo está na tampa das garrafas de refrigerantes que são engolidas por peixes, tartarugas e golfinhos, que morrem por congestão e asfixia.
Outro perigo para a vida marinha e as reservas de água doce são os saquinhos e sacolinhas plásticas, que acabam sufocando o sistema respiratório de várias espécies marinhas.
Para evitar que mais animais sejam mortos por contaminação do lixo humano, devemos todos dar o devido destino ao nosso lixo e cobrar das autoridades que façam coleta seletiva de lixo e campanhas de esclarecimentos sobre o tema nas escolas.
Fonte
Circula a informação de que os pássaros são atraídos pelo cheiro doce do sabor de frutas dos chicletes.
No momento em que o chiclete gruda no bico, a ave tenta desesperadamente tirá-lo e, na maioria das vezes, morre sufocada – é o texto que vem em sequência.
Ao imaginar a cena chocante e a quantidade de chicletes jogados no chão, a primeira sensação é de pânico. Passado o primeiro instante, o Blog da Saúde pesquisou mais sobre o assunto e não encontrou nenhum estudo que comprove a atração dos pássaros pela goma de mascar.
O CEO – Centro de Estudos Ornitológicos (observação, estudo e preservação das aves) também não possui trabalho científico sobre o assunto. Ainda assim, cada produto deve ser jogado no lixo de forma adequada. O chiclete demora 5 anos para se decompor.
O resíduo humano que mais prejudica os animais é, sem dúvidas, o plástico, que demora muito para se degradar (por volta de 450 anos) e que os animais podem comer pensando que é alimento, informa o CEO.
Caso saiba sobre algum estudo com fonte comprovada sobre a relação entre restos de chiclete e pássaros, por favor nos envie. Por enquanto, a afirmação permanece como mito.
A cultura de não tratar o destino do lixo como uma responsabilidade individual e coletiva tem levado à morte milhares de animais.
Atraídos pelo cheiro adocicado e o sabor de fruta, passarinhos comem restos de chicletes. O material acaba grudando no bico do passarinho que então tenta removê-lo com os pés e na maioria das vezes morre por asfixia.
Os filhotes de pássaros também são vítimas do lixo humano por contaminação de nicotina. Os filtros de cigarro que são jogados acabam sendo utilizados por várias espécies de pássaros na construção de seu ninho. O alto teor de produtos químicos cancerígenos que se acumulam no filtro do cigarro matam em pouco tempo os filhotes.
No mar e nos rios, o perigo está na tampa das garrafas de refrigerantes que são engolidas por peixes, tartarugas e golfinhos, que morrem por congestão e asfixia.
Outro perigo para a vida marinha e as reservas de água doce são os saquinhos e sacolinhas plásticas, que acabam sufocando o sistema respiratório de várias espécies marinhas.
Para evitar que mais animais sejam mortos por contaminação do lixo humano, devemos todos dar o devido destino ao nosso lixo e cobrar das autoridades que façam coleta seletiva de lixo e campanhas de esclarecimentos sobre o tema nas escolas.
Fonte
outubro 13, 2010
outubro 12, 2010
The story of Little Dude the rescued pig
From Woodstock Farm Animal Sanctuary
In August, 2010, we took in a young pig rescued from a neglect case. He immediately fit in with the herd and LOVES people — you can pet him for hours, and he looks you right in the eye with an appreciation you can feel inside.
Here is the story of Little Dude as told by his original rescuers, Dawn and Jerry, down in New Jersey:
Dude and his brother were brought to our neighborhood by a man who was friends with our neighbor. He was raising them to be butchered & keeping them there temporarily until he found a more permanent place for them. After about a week, we couldn’t help but notice that they were screaming constantly. We went to see them and find out what was going on and saw two scrawny little piglets. We immediately went back to our house to gather up some food for them, thinking they may be hungry.
Well, needless to say they gobbled up everything we brought them. They had no water, just old bagels and stale bread in their pen. Nothing more. For the next few days, we fed and watered them. We even cooked fresh veggies and gave them fresh fruits every day. The man who owned them found out that we were feeding them and he was angry that we did that. He insisted they be kept on the diet he had them on…. old stale rolls, bagels and rotten unidentifiable “stuff.”
After a few weeks, we still were sneaking over to continue to feed them as much as possible, the poor little babies were starving!! We decided to take it upon ourselves to call the vet and have him take a look at the pigs, but one of them ended up dying anyway.
Another week or so went by, and we were still sneaking food over to “Dude.” Jerry confronted the owner again and again to take care of this little pig or we would take him away and call authorities. The owner was reluctant to let us take the pig, he wanted to eat him the way he was!!!….. only about 2 months old !! Well…..we took him !
We provided the best possible home we could by converting one of our sheds into a pen. He had a pretty big indoor area and a fenced in outdoor area. Dude kept going through the fencing and escaping into neighbors’ yards, of course, when we were at work.
Unfortunately, animal control got involved several times. They warned us that if we didn’t contain him we would have been taken to court, fined, and they would have taken the pig to be put down — or shall I say eaten! We put up an electric wire fence to contain him into a smaller yard. He was not happy and neither were we.
Before we knew it, we had many strange people knocking on our door to take the pig. Apparently animal control put out the word that we needed to find Dude another home. These strange people all wanted to “take him off our hands”. We found out that every person that came to us had plans on either a pig roast, or butchering him themselves.
One guy told us that he would do us a “favor” and butcher him in our yard and share the meat! He said that it would be easy to kill him because the pig comes right up to people, without fear or aggressiveness. He wanted to shoot him in the head, hang him on our daughter’s swing set and slice him up before she got home from school.
Despite all this we were able to keep him for just over a year and it got to the point where it was clear he would be safer at farm sanctuary. We are so thankful that you agreed to take him.
This really is the short version of the story, otherwise I could write a book ! You have no idea what we and Dude have been through. We are soooooo happy he has a wonderful home !!!
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
To find out more about the work Woodstock Farm Animal Sanctuary do, please visit their website: http://www.woodstocksanctuary.org/
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