junho 19, 2016

Homem que é homem não come carne

Ser vegetariano não tem nada de pose. É questão de mostrar postura contra a matança de animais e contra a devastação do meio ambiente.

Veganismo

A cena é corriqueira. Ao servir minha mulher e a mim em restaurantes, garçons colocam à minha frente o prato ornado com filé ou outra carne qualquer e, à metade dela, a escolha vegetariana. Impulsivamente, está nos afirmando que carne é para macho. Assim como discussão sobre a crise do Corinthians. Atitude até menos preconceituosa que incoerente.

Apesar de o Brasil ocupar, segundo o grupo de pesquisas Ipsos, a vice-liderança entre os países em que a população tem a maior propensão a se tornar vegetariana (28%), só atrás dos EUA, ainda vigora no cidadão médio a estúpida filosofia carnista-desabotoada-peito-peludo-corrente-de-ouro de que vegetais são para quem abocanha fronhas.

Não poderia me importar menos com o que pensa esse mesmo cidadão médio. Mas burrice incomoda. Muito. Sou obrigado a reagir.

Bois são mortos em fila, com marretada ou disparos de pistola de ar comprimido no cocoruto. Porcos, da mesma maneira, mas têm de ser jogados em água fervente, para separar o espesso couro da carne. Peixes morrem asfixiados. Galinhas, decepadas.

Nas linhas acima estão as principais razões que me fazem vegetariano. Tive consciência disso aos 9 anos, quando assisti no Fantástico (“o show da vida”) à matança de bebês-foca a pauladas no Canadá.

Se conto isso, sou questionado em relação ao sentimento das plantas, ao serem arrancadas ou cortadas pela raiz. Se alguém me mostrar o sistema nervoso central, que responde pela dor, de uma planta, passo a me alimentar na mesma hora de barro.

Mas e a lei da natureza, do mais forte se alimentar do fraco? Respeito, desde que a pessoa então passe a compartilhar o habitat daquele que satisfaz sua fome e o abata em condições iguais.

A afirmação que mais me diverte é a de que só na carne é encontrado um nutriente (geralmente falam “uma proteína”) essencial ao ser humano. Se alguém me mostrar essa tal proteína, racho uma picanha no alho com o gênio. A única propriedade nutricional superior da carne é empacotar o ferro de uma maneira que o organismo humano o absorva mais facilmente. Mas, se você consumir ferro por meio de feijão ou folhas verde-escuras com algo rico em vitamina C, como um copo de suco de laranja, estará ok.

Noves fora, é por isso que enxergo com o mesmo grau de estranheza um porco ou um cachorro à mesa. Não por preconceito ou por sentimento de superioridade, mas por pensar naquilo que consumo e por ter essa consciência registrada no meu código moral.

E seguir aquilo em que se acredita é o que torna o homem com H maiúsculo. Isso é postura de vida. Sei que não mudarei o mundo com isso. Mas eu me importo.

Luiz Cesar Pimentel é jornalista, escritor e diretor de conteúdo do portal R7.

Texto publicado originalmente em 2007 na revista Um, e republicado em 2014 no portal R7.


Comer carne não te faz mais homem. Na verdade, pode te fazer mais doente.

Uma matéria publicada no site Quartz explica:
Culturalmente falando, ainda existe uma mentalidade que diz que homem precisa de carne. Na verdade, a associação mais próxima entre masculinidade e carne é que o consumo de carne pode fazer com que o o homem adoeça.
Quem já teve o mínimo de interesse em pesquisar como a comida chega até seu prato, pôde aprender que os animais explorados para consumo já nascem escravizados e a maioria passa a vida toda em condições miseráveis e indignas até o abate. Completamente indefesos e frágeis, esses animais são vítimas de uma covardia injustificável.
Homens de verdade não aceitam qualquer tipo de covardia.
Esse é um grande problema, mas não é o único. O consumo de carne está associado a inúmeros problemas graves de saúde, como câncer, diabetes e problemas cardíacos. Aliás, cientistas já confirmaram que vegetarianos têm 53% menos risco de desenvolver diabetes. Um estudo desenvolvido no Reino Unido durante 11 anos com 45.000 voluntários revelou que uma dieta vegetariana pode reduzir em até 32% os riscos de desenvolver problemas cardíacos.

Muitas pessoas, especialmente homens, tendem a achar que o consumo de carne é necessário para a obtenção de proteína, principalmente para quem pratica atividades físicas e musculação.

Mas nada disso é verdade. Inclusive, o consumo excessivo de carne, que é rica em gordura saturada e colesterol, pode prejudicar o desempenho sexual.

De acordo com as Recomendações Dietéticas publicadas pelos Ministérios da Saúde e Agricultura dos EUA US Dietary Guidelines), "adolescentes e adultos do sexo masculino também precisam reduzir a ingestão de proteína animal, reduzindo o consumo de carnes vermelhas, aves e ovos e aumentando as quantidades de vegetais’’.

Cada vez mais atletas de ponta estão deixando de consumir carne e derivados.

Alimentos vegetarianos não são apenas bons para a nossa saúde. Eles também são isentos da crueldade e covardia praticadas contra animais sensíveis e indefesos. Animais que são tratados como simples peças da engrenagem da indústria mais cruel do planeta.

Fonte: Escolha Veg



Como as pessoas defendem o acto de comer carne

Um novo estudo concluiu que comedores de carne que justificam seus hábitos alimentares se sentem menos culpados e são mais tolerantes a desigualdade social.

As quatro explicações
Uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo Dr. Jared Piazza, da Universidade de Lancaster (Inglaterra), examinou as formas com que as pessoas defendem ser carnívoras.
“As relações que as pessoas têm com os animais são complicadas. Enquanto a maioria desfruta da companhia de animais e milhares de milhões de dólares são gastos anualmente cuidando deles, as pessoas continuam a comê-los. Para superar essa aparente contradição, elas empregam um número de estratégias”, explica Piazza.

A grande maioria racionaliza o seu comportamento usando uma dessas quatro ideias, que são:
É natural: “Seres humanos são carnívoros”;
É necessário: “A carne fornece nutrientes essenciais”;
É normal: “Fui criado comendo carne”;
É bom: “É delicioso comer carne”.

“Vegetarianos motivados podem provocar os onívoros, despertando neles comportamentos projetados para se defender contra a condenação moral”, afirma Piazza. Os estudantes e adultos nos Estados Unidos que responderam à pesquisa se protegeram usando principalmente a racionalização de que é “necessário” comer carne, seguida das outras três categorias.

Menos igualitários?
Homens eram mais adeptos dessas quatro racionalizações que as mulheres, enquanto as pessoas que rejeitaram essas justificativas mostraram uma maior preocupação com o bem-estar animal, como esperado.

As pessoas que disseram comer carne é algo natural, necessário e normal também compartilhavam outras características, por exemplo, atribuíam menos capacidades mentais para as vacas e eram mais tolerantes com a desigualdade social. [ScienceDaily - How people defend eating meat]

Fonte: Hypescience

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