junho 02, 2010

Os Animais estão em processo de evolução e são mais inteligentes do que imaginam!

Cães podem farejar situações injustas e apresentar uma emoção simples similar à inveja ou ciúmes, afirmam pesquisadores. “Estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostrou que os cachorros se lambem ou se coçam e agem de modo estressado quando se vêem sem os prêmios dados a outros cachorros.”(1) O cientista austríaco Friederike Range, da Universidade de Viena, liderou o estudo sobre emoções caninas e atesta que certos animais possuem um sentimento ou emoção mais complexa do que normalmente atribuiríamos a eles.


Muitas pesquisas demonstram que os animais são mais inteligentes do que se imagina. Alguns dão até sinais de consciência. “O imaginário construído em torno da idéia do filósofo francês René Descartes, no século XVII [de que os animais seriam como máquinas, desprovidos de emoção e pensamento], persistiu até o século XX. Mas foi sepultado por estudos recentes, a exemplo do publicado na Universidade Saint Andrews, na Escócia. Os pesquisadores  dessa Universidade confirmaram que os animais não estão tão distantes de nós em uma habilidade considerada exclusivamente humana: a linguagem. Tese corroborada por Irene Pepperberg, pesquisadora da Universidade Brandeis, nos Estados Unidos, uma das pioneiras no estudo da inteligência animal.”(2)

Sob a lupa kardeciana, segundo os Espíritos, considerando a inteligência humana se comparando entre alguns homens e certos  animais, percebe-se muitas vezes que é notória a inteligência superior dos animais, por isso é difícil estabelecer-se linha de demarcação em alguns casos. Porém, ainda assim,  o homem é um ser à parte, que desce, às vezes, muito baixo [irracionalidade]ou que pode elevar-se muito alto. “É bem verdade que o instinto domina a maioria dos animais; mas há os que agem por uma vontade determinada, ou seja percebemos que há uma certa inteligência animal, ainda que limitada.”(3)

A Doutrina Espirita  defende a tese de que os animais têm linguagem própria. Não uma linguagem formada de palavras e de sílabas, mas um meio de se comunicarem entre si. Eles “dizem” muito mais coisas do que supomos, lembra Kardec, mas “a sua linguagem obviamente é limitada, como as próprias idéias, às suas necessidades.”(4)

Os animais, sendo dotados da vida de relação, têm meios de se prevenir e de expressar as sensações que experimentam. Descarte, “o homem não tem o privilégio exclusivo da linguagem, pois que a dos animais é instintiva e limitada pelo círculo exclusivo das suas necessidades e das suas idéias, enquanto a do homem é perfectível e se presta a todas as concepções da sua inteligência.”(5) 

Sobre a questão do “livre-arbítrio” dos animais,  recordemos que eles não são simples máquinas, embora sua liberdade de ação seja limitada pelas suas necessidades, e logicamente não pode ser comparada ao humano. Sendo mais inferiores que o homem, não têm os mesmos deveres. Mas eles tem liberdade sim! “Ainda que restrita aos atos da vida material.”(6) Nesse tópico, considerando que “os animais têm uma inteligência que lhes dá uma relativa liberdade de ação, neles há uma espécie de alma” (infinitamente inferior à do homem)(7) E sobre isso o Espiritismo explica  afirmativamente essa realidade e expõe que “esse princípio sobrevive ao corpo físico após a morte.” (8) Ou seja, “conserva após a desencarnação sua individualidade , porém não a consciência de si mesma, apenas a vida inteligente permanece em estado latente.”(9) Fica numa espécie de “erraticidade, pois não está unida a um corpo. Mas não pode ser considerado um Espírito errante. Posto que o Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o espirito dos animais não tem a mesma faculdade. Ressalte-se que é a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do Espírito humano. O Espírito do animal é classificado, após a morte, pelos “Espíritos incumbidos disso e utilizado quase imediatamente; não dispõe de tempo para se pôr em relação com outras criaturas no além.”(10)

Em verdade a inteligência é, assim, uma propriedade comum, um ponto de encontro entre a alma dos animais e a do homem, todavia, os animais não têm senão a inteligência da vida material; nos homens, “a inteligência produz a vida moral essa é sem dúvida uma diferença fundamental.”(11) Explicam-nos os Benfeitores que os animais “retiram o princípio inteligente do elemento inteligente universal.”(12) E a do homem também da mesma fonte,  “mas no homem ela passou por uma elaboração que a eleva sobre a dos brutos.”(13)

Podemos deduzir que o pensamento não é uma característica apenas humana. Animais pensam, mas não raciocinam. Animais têm memória e recorrem a ela, aprendem com o acerto e o erro e não com o raciocínio. Evidentemente que não conseguem teorizar, abstrair, prever eventos, solucionar problemas., mas são de fato mais inteligentes do que imaginamos. Estão em processo de evolução e nesse sentido devemos considerar que eles [os animais]possuem diante do tempo, um porvir de fecundas realizações, através de numerosas experiências chegarão, um dia, ao chamado reino hominal, como, por nossa vez, alcançaremos, no escoar dos milênios, a situação de angelitude. A escala do progresso é sublime e infinita. No quadro exíguo dos nossos conhecimentos, busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de amor que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e invisível. O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade. 


Busquemos reconhecer a infinidade de laços que nos unem nos valores gradativos da evolução e ergamos em nosso íntimo o santuário eterno da fraternidade universal.”(14)

Jorge Hessen 
Site http://jorgehessen.net 

Referências:
(1)    Disponível em:
http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2008/12/08/cachorros_demonstram_inveja_ciume_diz_estudo-586900143.asp
(2)    Disponível em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI9477-15224,00-O+QUE+OS+BICHOS+PENSAM.html
(3)    Kardec, Allan. O Livro dos Espiritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 592
(4)    Idem perg. 594.
(5)    Idem idem.
(6)    Idem perg. 595.
(7)    Há, entre a alma dos animais e a do homem, tanta distância quanto entre a alma do homem e Deus.
(8)    Idem perg. 597-a
(9)    Idem perg. 598.
(10)    Idem perg. 600.
(11)    Idem perg. 604-a
(12)    Idem perg. 606.
(13)    Idem perg. 606 –
(14)    Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Rio de Janeiro: Ed Feb, 1995, perg.79



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