junho 29, 2010

1/3 de tudo que você compra vai direto para o lixo

Enquanto estudiosos se engalfinham em discussões intermináveis sobre a questão da fome no Brasil e no mundo, milhões de crianças crescem desnutridas ou subnutridas, com sérias conseqüências para seu desenvolvimento físico, mental e intelectual, à medida que outros milhões — adultos e crianças — morrem de fome. E apesar disso, milhares de toneladas de alimentos são jogadas no lixo.

A fome e o desperdício de alimentos são dois dos mais relevantes problemas que o Brasil enfrenta, constituindo-se em um dos maiores paradoxos de nosso país, já que produz um excedente de 25,7 % dos alimentos que necessita para alimentar a sua população. Ao passo que simultaneamente temos milhões de excluídos sem acesso aos alimentos em quantidade e/ou qualidade para que se mantenham, primeiramente, vivos e, quando assegurada a sobrevivência, com saúde e capacidade adequada ao desenvolvimento humano.

Acredita-se que alimentos eliminados indiscriminadamente poderiam ser aproveitados como principal fonte de combate aos efeitos da fome, desnutrição e subnutrição. Ou seja, sem se gastar nem mais um centavo com a produção de alimentos, apenas nos dedicando objetivamente a recuperar este desperdício, estaríamos oferecendo alimentação a 72 milhões de brasileiros que se encontram em insegurança alimentar.


Ao desperdiçarmos toneladas de alimentos diariamente, contribuímos para a degradação econômica e social do nosso país, prejudicando a saúde de milhões de pessoas, cidadãos que sofrem com a irracionalidade do desperdício.
Aproximadamente 64% do que se planta no Brasil é perdido ao longo da cadeia produtiva: 
  • 20% na colheita;
  • 8% no transporte e armazenamento;
  • 15% na indústria de processamento;
  • 1% no varejo;
  • 20% no processamento culinário e hábitos alimentares.

Atualmente, das 10 mil toneladas de produtos que entram diariamente no CEAGESP, 1% (100 toneladas) vai para o lixo, isto significa 100 mil kg/dia, sendo que entre 30% e 50% do lixo é composto de alimento próprio para o consumo. 

Segundo Embrapa, o Brasil desperdiça 37 quilos de hortaliças por pessoa ao ano, cerca de 35% de todas as hortaliças que produz

Por dia, 39.000 toneladas de alimentos são jogadas fora. Isto seria suficiente para alimentar 19 milhões de pessoas com as três refeições básicas: café da manhã, almoço e jantar. 

Segundo as últimas estimativas da FAO, mais de 1 milhão de pessoas são vítimas da fome no mundo. Mesmo assim, ¼ dos gêneros alimentícios é perdido em todas as etapas do sistema de produção dos alimentos. 
(cerca de 24.000 pessoas morrem diariamente devido à fome, ou a causas relacionadas a ela.)

As perdas frequentemente ocorrem por causa de: 
  • Eliminação de produtos deformados durante a colheita;
  • Uso de embalagens inadequadas durante o transporte e distribuição - frutas, legumes e verduras são empilhados em caixas retangulares que quase nunca conseguem deixar os alimentos intactos, elas amassam os que estão em baixo, arranham e machucam os alimentos;
  • Seleção somente dos melhores produtos pela indústria, causando descarte dos que não passam no controle de qualidade;
  • Descarte de produtos próximos da data de vencimento pelos varejos;
  • Processamento culinário inadequado na casa do consumidor não priorizando o aproveitamento integral dos alimentos e comprando um volume maior do que o próprio consumo, levando a mais desperdícios. 

    De acordo com o Instituto Akatu, cerca de 20% a 40% dos alimentos que uma família brasileira compra vão para o lixo. 

    No entanto, se uma família deixar de desperdiçar 20% dos alimentos e investir esse valor, terá acumulado ao longo da vida mais de 800 mil reais. Se o apelo de consumo consciente não for suficiente para modificar os nossos hábitos, esperamos, quem sabe, que o apelo financeiro o seja. 



    A campanha do Instituto Akatu visa incentivar o consumidor a diminuir o desperdício de alimentos, ao mostrar o quanto a atitude impacta no bolso das pessoas. 
    Dicas de combate ao desperdício de alimentos:
    • Planeje as compras verificando o que já tem em casa. Opte pelo essencial.
    • Siga a lista que preparou no supermercado. Procure fazer as compras após as refeições. E adquira na quantidade de consumo da sua família.
    • Compre verduras, legumes e frutas semanalmente.
    • Não se importe com pequenas imperfeições destes alimentos, pois isto indica um menor uso dos agrotóxicos.
    • Coma primeiro as frutas mais maduras.
    • Prepare salada de frutas, vitaminas, aproveitando os alimentos disponíveis com criatividade.
    • No preparo, procure aproveitar integralmente os alimentos, sempre que possível.
    • Os talos de couve, agrião, beterraba, brócolis e salsa, entre outros, contêm fibras e devem ser aproveitados em refogados, no feijão e na sopa.
    • As folhas da cenoura são ricas em vitamina A e devem ser aproveitadas para fazer bolinhos, sopas ou picadinhos em saladas. O mesmo pode se dizer das folhas duras da salsa.
    • A água do cozimento das batatas acaba concentrando todas as vitaminas. Aproveite-a, juntando leite em pó e manteiga para fazer purê.
    • As cascas da batata, depois de bem lavadas, podem ser fritas em óleo quente e servidas como aperitivo.
    • A casca da laranja fresca pode ser usada em pratos doces à base de leite, como arroz doce e cremes.
    • A parte branca da melancia pode ser usada para fazer doce, que se prepara como o doce de mamão verde.
    • Com as cascas das frutas (ex: goiaba, abacaxi, etc.), pode-se preparar sucos batendo-as no liquidificador. Este suco pode ser aproveitado para substituir ingredientes líquidos no preparo de bolos.
    • Evite consumir folhas com aparência amarelada.
    • Cozinhe as verduras a vapor, assim elas não perderão o valor nutritivo.

    Evite o desperdício de alimentos, contribuindo assim para o atual desafio global da construção da sustentabilidade da vida no planeta.

    Fonte 

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