abril 08, 2010

Vegetarianos e Veganos







Pense nas suas aulas de geometria. Lembra-se do filósofo grego Pitágoras? Seu teorema sobre o triângulo recto? "A soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa". Nascido por volta de 580 aC, perpetuou-se não só por seu gênio matemático como também por ser considerado “pai do vegetarianismo”. Por quase 2.500 anos, europeus e americanos chamavam pitagóricos àqueles que seguiam o vegetarianismo, pois o termo não era usado até a fundação da Sociedade Vegetariana Britânica, em 1847.

O argumento de Pitágoras em favor da dieta sem carne tinha três "pontas" (como um triângulo): 
- veneração religiosa, 
- saúde física e 
- responsabilidade ecológica
Essas razões continuam a ser citadas até hoje. Enquanto sempre houve vegetarianos na população mundial, muitos escolheram esse caminho mais por necessidade do que por preferência. O mundo medieval considerava vegetais e cereais como comida para animais. A carne era símbolo de status de classe alta: quanto mais alguém comia carne, mais elevada era a sua posição na sociedade – de forma que somente a pobreza compelia as pessoas à substituição de carnes por vegetais.

Vegetarianismo é com frequência ligado a
religião, e a força dessa relação parece se vincular diretamente à longevidade de cada credo religioso. O relativamente jovem Islamismo (1.300 anos), por exemplo, não tem cultura vegetariana forte.
Os budistas, por outro lado, seguindo os princípios de não-violência, têm praticado vegetarianismo por 2.500 anos. O Hinduísmo possui princípios vegetarianos que datam de 5.000 anos. Judeus citam uma passagem bíblica como prescrição da dieta original: 
"E Deus disse, Eu vos dei cada semente de erva, que estão por toda a terra, cada árvore, nas quais estão os frutos de semente; para vocês elas servirão de comer" (Gênesis 1:29).
Evitar o consumo de carne e jamais comer porco ou mariscos era uma provação (símbolo de pesar e tristeza), voltada também para a restrição dos desejos e prazeres do corpo. O Cristianismo primitivo, com suas raízes na tradição judaica, viram o vegetarianismo de maneira similar – um jejum modificado para purificar o corpo: evitar a carne é uma forma de reforçar a disciplina e a força de vontade necessárias para resistir às tentações. 
Isso tornou as restrições dietéticas muito comuns no comportamento cristão da época. E essa crença foi passada adiante, ao longo dos anos, de uma forma ou de outra – por exemplo, a proibição de carne (exceto peixe) da Igreja Católica Romana nas sextas durante a Quaresma.

Na América do Norte o vegetarianismo foi quase um acidente decorrido da preocupação com a Guerra Civil. Em 1863, a crescente Igreja Adventista do Sétimo Dia passou a defender as idéias vegetarianas, abriu um instituto de saúde, mas cedo descobriu que sua sobrevivência dependia de uma equipe médica treinada. Com o apoio da igreja, o jovem John Harvey Kellogg, um convertido ao adventismo, se matriculou e completou o curso de medicina. Em 1876, Kellogg se tornou diretor desse instituto, chamando-o de Battle Creek Sanitarium, e sob sua direção se tornou uma clinica de fama mundial e um centro de fabricação de cereais para café da manhã (Kellog´s). Nutricionistas dos anos vinte e trinta do século 20 não tinham muita disposição tanto para condenar quanto para promover o vegetarianismo, sentindo que faltavam necessárias evidências para justificar ambas as posições. Vegetarianos eram mais lamentados do que valorizados, e tanto a comunidade médica como o público geral expressavam preocupação com as conseqüências da dieta. A explosão das pesquisas científicas depois da Segunda Guerra Mundial atenuaram bastante o estigma da dieta sem carne. Compilação do artigo “Vibrant Life”(1992), de Glen Blix, Dr. Phd,
professor da Universidade de Loma Linda, Califórnia.



AFINAL, O QUE SÃO VEGANS?
O termo vegan (ou vegano) surgiu para diferenciar os vegetarianos que, além de não comerem carne, excluem de sua dieta qualquer outro produto de origem animal: leite e seus derivados, ovos, gelatina, mel. Os vegans também são contra o uso e a exploração de animais para outros fins, que incluem vestuário (artigos de couro, casacos de pele), entretenimento (circos e rodeios, por exemplo) e experimentação (testes em laboratórios ou utilização de substâncias de origem animal em cosméticos e medicamentos). Ou seja: vegan é o vegetariano levado às últimas conseqUências(?).

Muita gente pergunta:
Se os vegans não comem carne, ovos ou leite, então eles comem o quê?”. 
Muito mais do que se possa imaginar!
 A variedade de alimentos é enorme, principalmente no Brasil, um dos maiores produtores de soja do mundo e um país com uma enorme variedade de grãos, verduras, legumes e frutas. 


Dá para substituir todos os nutrientes encontrados nos produtos de origem animal se você seguir uma dieta vegan ou vegetariana equilibrada. A maioria dos grandes supermercados vende leite e 'carne' de soja, além de alguns produtos mais elaborados, como leite de arroz, nuggets, hambúrguer, almôndegas, kibe, salsicha, carne de glúten, maionese... tudo sem carne, leite ou ovos
Tendo um pouquinho de paciência para ler os rótulos, você vai descobrir que o que não falta é bolacha, chocolate, cereal, panetone, doce, geléia e outros produtos que não utilizam substância alguma de origem animal. E saiba que pão francês também é vegan. Também dá para encontrar muita coisa em empórios de produtos orgânicos e naturais. Restaurantes de comidas típicas (árabes, indianos, chineses, mexicanos, japoneses, tailandeses, italianos) oferecem vários pratos que se encaixam perfeitamente no cardápio vegan ou vegetariano.
Para que não haja nenhum tipo de deficiência nutricional, uma dieta vegetariana/vegan (como qualquer outra dieta) deve conter uma grande diversidade de alimentos vegetais, ressaltando alimentos crus ou preparados de forma que não percam os seus nutrientes (no vapor, por exemplo) e alimentos integrais e não industrializados. Para aqueles vegetarianos que consomem ovo e/ou leite e seus derivados (ovolacto-, ovo- e lactovegetarianos), nenhuma suplementação nutricional é recomendada. Mas para vegans, deficiências de vitamina B12, cálcio e vitamina D podem ocorrer. 
Para estas pessoas uma complementação de vitamina B12 e cálcio é recomendada, seja através do uso de alimentos enriquecidos com estes nutrientes como pelo uso de suplementos nutricionais. E nos casos de baixa exposição solar está indicada a suplementação de vitamina D. Em relação ao ferro, trabalhos recentes têm demonstrado que vegetarianos apresentam incidência de anemia por deficiência de ferro igual a onívoros. Assim, a suplementação de ferro deve restringir-se às situações de anemia comprovada ou quando existirem fatores de risco para carência de ferro como gravidez ou hemorragias.




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