março 17, 2010

Pra entender





Se diversas entidades científicas*, após revisões da literatura médica, afirmam que não é preciso comer carne, por que muitos profissionais apregoam o contrário?


 Aqui precisamos fazer algumas considerações.
Como não nascemos com manual de instrução, para nos orientarmos quanto às nossas necessidades nutricionais, assim como diversos outros aspectos do nosso funcionamento, recorremos às pesquisas científicas.
Se consultarmos os arquivos de pesquisas médico/nutricionais encontraremos relatos de crianças e adultos vegetarianas e macrobióticas (não necessariamente vegetarianas!) com deficiências nutricionais decorrentes da dieta.

 Mas também encontraremos pesquisas demonstrando que há crianças e adultos seguindo dietas vegetarianas e macrobióticas com crescimento e desenvolvimento adequados, sem deficiências nutricionais.

Por que isso ocorre?
A análise dessas situações distintas demonstra claramente que a diferença não está no fato de comer ou não carne, mas sim na forma de elaborar a alimentação sem carne.
Dessa forma, uma dieta bem planejada, sem carne e sem derivados animais, pode ser nutricionalmente adequada e promover o crescimento e desenvolvimento adequados. É isso que afirmam os pareceres sobre dietas vegetarianas que analisaram as diferenças dos estudos.
O fato é que a maioria dos profissionais de saúde não sabem quase nada sobre dieta vegetariana. Muitos pensam que os vegetarianos só se alimentam de verduras. E por mais absurdo que isso possa parecer ainda encontramos pessoas que esquecem que o reino vegetal é composto de vários outros grupos: cereais (trigo e seus derivados – pães, macarrão -, arroz, milho, centeio, cevada, cevadinha, painço...), leguminosas (grão de bico, lentilha, ervilha, soja e todas aos outras dezenas de variedades de feijões...), oleaginosas (nozes, amêndoas, amendoim, castanha-do-pará...), frutas, legumes e verduras.
Pelo desconhecimento do que é ou deixa de ser uma dieta vegetariana (inclusive sobre a inclusão ou não de ovos, leite ou derivados – que também podem fazer parte da dieta vegetariana), alguns profissionais lêem um artigo sobre crianças com anemia por falta de ferro (ferropriva), por exemplo, e concluem que a dieta vegetariana induz a anemia.
Isso é tão absurdo quanto a seguinte situação fictícia. Analisamos uma população financeiramente carente e desnutrida, mas que come carne e, portanto, é onívora. Verificamos que a prevalência de anemia ferropriva e desnutrição protéico-calórica é elevada nesse grupo. Assim concluímos que uma dieta com uso de carne leva à desnnutrição e anemia.

Vamos então supor que essa população deva se tornar vegetariana para corrigir esse distúrbio? Ou será que devemos voltar a nossa atenção para o aspecto econômico desse grupo e analisar também a quantidade e a qualidade nutricional ingerida?
É esse raciocínio precário e simplório que muitos profissionais fazem ao analisarem uma dieta vegetariana.
Vale a pena ressaltar que a anemia ferropriva é uma das deficiências nutricionais mais prevalentes no Brasil, e, no entanto, quase toda a nossa população faz uso de carne.

Com relação às gestantes e demais fases da vida, segue o mesmo raciocínio.   

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