dezembro 19, 2009

Vovó morreria de desgosto

“O que o rapaz afirma na nota de ontem do boletim é falso. A pecuária é uma atividade que ocupa recursos naturais, sim, mas o faz sem destruir a natureza, ao contrário de muitas outras atividades humanas, como a agricultura, que com seus arados fere e destrói a terra, altera o curso dos rios e extermina a flora e fauna nativas. Basta ver o pampa gaúcho, onde a pecuária mantém intactas a natureza em todos os lugares em que é praticada de forma tradicional. Onde a pecuária é expulsa pela silvicultura ou a cultura de vegetais transgênicos, extingue-se a natureza. Os vegetarianos e defensores de animais não se contentam em adotar esse hábito antinatural de abstinência da alimentação mais saudável – a deliciosa carne vermelha – como espalham mentiras e falsidades para convencer os incautos de que o fazem por motivações pseudorracionais e moralmente superiores, escondendo a natureza semirreligiosa do seu desvio comportamental-alimentar. Precisam disso para justificar-se?”

(Carlos Sant’Ana, no boletim eletrônico do vereador Adeli Sell, de Porto Alegre, a respeito de comentário anterior sobre a Segunda Sem Carne)



A hipnose coletiva é uma excelente maneira de se manter as coisas tal como estão, sem que haja visão crítica daquilo que se sedimentou meramente por decurso de prazo. Ouço gente esclarecida falar os maiores absurdos em relação à forma como os humanos tratam, julgam, veem e usam os animais. Mesmo dentro de uma sociedade caleidoscópica como a nossa, o especismo é uma parede à qual todos fazem questão de acrescentar tijolos. E os tijolos sempre têm a mesma forma, a mesma cor, o mesmo conteúdo.


Compartilha-se da visão obtusa de que os animais estão aí para nos servirem, para a humanidade deles dispor como se queira, em usufruto legalizado por divindades, tradições, consenso e demais engodos. ‘Ah, mas pegar alguns ovos da galinha do sítio da minha vó, não tem problema algum!’ – curioso que a pessoa não tem apetite por ovo de passarinho nem de urubu, mas não vive sem saborear exatamente o mesmo feto líquido que o vizinho também saboreia. E ainda todos se consideram livres em suas escolhas, opiniões e forma de conduzir as próprias vidas. Desculpe, não.



Estar acostumado com tal sabor, porque desde cedo na mesa da cozinha estava este e aquele sabor disponível, indica apenas uma linha de tradição estúpida e autoritária – à qual as pessoas se dobram de forma voluntária. Viver sem comer ovos, carne, leite etc.? Mataria a vovó de desgosto.

 
 
Fonte: Marcio de Almeida Bueno
           Vanguarda abolicionista

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