dezembro 05, 2009

Rajendra Pachauri responde às perguntas dos fãs do Parlamento Europeu no Facebook

O Presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas e Nobel da Paz em 2007, Rajendra Pachauri, esteve no Parlamento Europeu para participar numa audição intitulada 'Menos carne = Menos aquecimento'. Optimista em relação à Conferência de Copenhaga, Pachauri afirma que é possível reduzir as emissões sem perdas económicas. Os fãs do Parlamento Europeu no Facebook colocaram as questões.

Rajendra Pachauri, Parlamento Europeu,
 Bruxelas, 3 de Dezembro de 2009


Pergunta de Joseph Caruana: Será a COP15 a primeira instância de colisão diplomática entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos?
"Espero que não pois considero que temos um interesse comum. Todos os países, mais ou menos desenvolvidos, acabarão por ser vítimas do impacto das alterações climáticas, pelo que temos de ter consciência da necessidade de agir conjuntamente. Existem diferentes níveis de responsabilidade, a que devem corresponder diferentes níveis de compromisso, em função da situação do país. Alguns países, sobretudo em determinadas regiões de África, da Ásia e da América Latina não têm capacidade para se adaptarem ao impacto das alterações climáticas. Penso que o mundo desenvolvido deverá prestar o auxílio necessário nesse sentido: trata-se de uma questão moral e ética. Estou optimista em relação a Copenhaga porque constatei uma alteração substancial da opinião pública ao longo dos últimos dois anos, sobretudo desde a publicação do quarto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas".



É necessária vontade política, mas como diz o meu amigo Al Gore, 'a vontade política é um recurso renovável'.

Pergunta de Philip Strothmann: As propostas apresentadas pelos EUA e pela China em matéria de redução das emissões não tornam o aumento da temperatura em 2°C inevitável?

"Se não tomarmos medidas, não tenho dúvidas de que iremos ultrapassar o aumento de 2°C. Seja qual for o acordo celebrado em Copenhaga, não será certamente a última palavra dita sobre o assunto. A ciência tem o dever de elucidar os decisores sobre as consequências das decisões tomadas neste domínio. O quinto relatório de avaliação do PIAC, que será publicado entre 2013 e 2014, fornecerá mais informações".

Pergunta de Isaak Magerman: Acredita que as tecnologias verdes podem substituir as tecnologias existentes?
"Sem dúvida. Estive ontem na Alemanha e encontrei-me com a Chanceler Angela Merkel. O governo alemão está a seguir políticas pró-activas e instalaram uma central solar termoeléctrica com uma capacidade de 5,5 gigawatts. Na Índia também estamos a desenvolver planos muito ambiciosos de aproveitamento da energia solar. Existem muitas oportunidades de melhorar a eficiência energética no sector dos transportes, da habitação e da indústria. Se todas estas medidas forem tomadas de forma articulada é realisticamente possível acreditar que podemos diminuir substancialmente as emissões, sem efeitos negativos na economia e no emprego. Com efeito, algumas destas medidas oferecem novas possibilidades de emprego. É necessária vontade política, mas como diz o meu amigo Al Gore "a vontade política é um recurso renovável".

Pergunta de Paul Van Rompaye: O objectivo de redução das emissões de CO2 não é uma oportunidade para redirigir a economia noutros sentidos que não o do modelo americano de consumismo?
O mundo já atravessou mudanças radicais e tectónicas, se assim as podemos designar. Começámos por nos organizar em sociedades de caçadores e recolectores e em seguida desenvolvemos a agricultura. Não entendo por que motivo temer as profundas alterações que estão a decorrer actualmente e que permitirão um crescimento, um desenvolvimento e um consumo de uma forma mais consistente com a protecção do ambiente. Temos de trazer o ambiente a as alterações climáticas para o centro das decisões".
Pergunta de Andres Galinda: Até que ponto devemos temer a falta de água potável no futuro?

"Penso que não há que ter receio, mas devemos ter consciência de que, em algumas partes do mundo, os problemas relacionados com a escassez de água assumem proporções dramáticas. Temos de criar um movimento que permita que os governos, os empresários e a sociedade civil comecem a considerar mais o problema da água e a entender que não existe nenhum recurso mais valioso".

Pergunta de Ercan Acar: Poderão as energias renováveis substituir os combustíveis fósseis?

"Não tenho dúvidas de que as energias renováveis podem substituir os combustíveis fósseis e possivelmente a energia nuclear. Penso que existem diversos locais do mundo, incluindo a Europa, onde é possível aliar a criatividade e a inovação na utilização de energias renováveis a uma larga escala. Uma possibilidade que tem sido esquecida é a capacidade que o Norte de África tem em termos de aproveitamento da energia solar, transportável por cabos subaquáticos para a Europa. O vento é outro bom exemplo e claro que podemos utilizar energias renováveis mas devemos garantir, simultaneamente, que melhoramos a eficiência da energia utilizada".





Para saber mais :
Conferência de Copenhaga sobre Alterações Climáticas
Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas
Parlamento Europeu apela a acordo vinculativo em Copenhaga
 O Parlamento Europeu no Facebook
Entrevista com Rajendra Pachauri, Prémio Nobel da Paz 2007

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