setembro 22, 2010

Jornalismo e direitos animais: como falar do que não se quer ver, mas que está no prato

II Congresso Vegetariano Brasileiro/Especial EcoAgência

Jornalistas Silvana Andrade, da Anda, e Márcio Bueno, da Vanguarda Abolicionista, falaram sobre o papel da mídia na defesa dos animais.
  
RSantini/Vanguarda Abolicionista    
Jornalista Márcio Bueno, da Vanguarda Abolicionista

Por Danielle Sibonis, para EcoAgência de Notícias Ambientais
A relação entre a mídia e os direitos dos animais também foi tema de debate no III Congresso Brasileiro Vegetariano que se encerrou no último domingo (19) em Porto Alegre.  A jornalista Silvana Andrade falou sobre O papel da imprensa na difusão dos direitos animais. Silvana é a idealizadora e diretora editorial da Agência de Notícias de Direitos Animais, a Anda, primeira no gênero no mundo.
Silvana retomou o histórico da cobertura jornalística em relação aos animais, em que há mais de 20 anos a mídia começou a falar da preservação ambiental, sem abordar de animais, porém, há pouco tempo começou a tratar a questão da defesa animal. “A imprensa resiste às novas idéias, mas com o tempo começa a perceber os animais não apenas como benefício”, prova disso, apontou a jornalista, está na quantidade de matérias em que a grande imprensa replicadas do Anda.
A Agência de Notícias de Direitos Animais existe há 18 meses e conta com o trabalho voluntário de 40 colunistas, tem acesso em 75 países, correspondentes na Argentina, Canadá, Estados Unidos, França, Inglaterra e Austrália. Silvana tem o objetivo de futuramente criar o canal ANDA Kids, pelo potencial que as crianças representam para a questão ambiental.
Outro jornalista que abordou a questão foi Márcio Bueno, membro fundador da Vanguarda Abolicionista. “Grande parte da sociedade não entende a exploração, a causa animal, só sabe que discorda e que não quer pensar nela”. Márcio tem a experiência de ir para a rua e tratar do tema, boca a boca e com panfletos e cartazes.
“Animais premiados que custam R$ 10 mil sempre são bem tratados, mas os outros milhões não” – era isto que estava escrito em um dos cartazes que a Vanguarda Abolicionista usou recentemente em uma campanha na Expointer. Márcio comentou a reação das pessoas: “elas não entendem porque estamos lá protestando, acham que todos animais são bem tratados, sem saberem da realidade cruel”. O jornalista lembrou de como é a realidade nestas feiras agropecuárias em que animais são trazidos de longe, de cidades como Uruguaiana, o que causa um stress da viagem que é aumentando pelo confinamento e visitação de centenas de pessoas. Ele citou também o cage madness, a “loucura do confinamento”, em que os animais enlouquecem no cativeiro e passam a comer as fezes e urinas um do outro.
Diante de toda essa realidade que é ocultada da população, Márcio Bueno defende a necessidade de espalhar informações para atingir o maior número de pessoas a fim de sensibilizá-los para a causa. Mais informações sobre o III Congresso Vegetariano Brasileiro na próxima quinta-feira (23/9), partir das 10h, no Programa Sintonia da Terra, uma parceria do NEJ/RS e UFRGS, na Rádio da Universidade (1080 AM), em Porto Alegre, ou pela internet no site www.ufrgs.br/radio.

Leia ainda:
http://www.anda.jor.br/
http://vanguardaabolicionista.wordpress.com/

EcoAgência Solidária de Notícias Ambientais

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