julho 13, 2010

Crônica policial


Aconteceu no Rio.
Casal jantando no restaurante. A TV, ligada, influencia o diálogo:
-”Que horrível, querido, esse crime. Uma monstruosidade! E olhando pra ele, ninguém poderia imaginar…”
-”Um jogador bem-sucedido, com uma carreira pela frente… Pagasse a pensão e pronto!”
-”Em minha opinião, tem muito machismo nisso… Humm, mas esta picanha está deliciosa! Como você descobriu este restaurante?”
-”Segredo de Estado! Hoje em dia, você sabe… Mas o que mais me revoltou foi a frieza dele, os requintes de crueldade.”
-”Coitada dela. Crime desumano…”
-”Agora, preso, ele vai pensar melhor sobre seus atos… Vamos, amor?”
-”Pela pressa, você deve ter feito reservas no nosso ninho preferido, acertei?”
-”E você acha que eu não pensei em todos os detalhes?… Garçon, a conta… E parabéns pela picanha, estava ótima!… EEEI, O QUE E ISSO???”
-”INVESTIGADOR MARTINS, POLICIA VEGETARIANA! Vocês estão presos, em flagrante, por consumo de cadáver de uma vitima de especismo! E por compactuar com os crimes de confinamento, maus-tratos, assassinato premeditado e esquartejamento do animal!
Churrascaria com fachada de restaurante, hein?… Cadê o gerente?… ‘Tá preso! Tragam o pessoal da cozinha, também. Todo mundo p’ra Delegacia! No interrogatório, o delegado descobre o matadouro… quem sabe, o fazendeiro!
Crime desumano!”
Enquanto os policiais levavam os detentos para a Delegacia de Direitos dos Animais, podia-se ler nas viaturas o lema da PV:
Animais são amigos, não comida

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