julho 28, 2010

Acessibilidade plena


Para um lugar ser acessível, todas as pessoas devem ter acesso a tudo que nele acontece. Uma rampa de acesso é um bom começo, mas e o que vem adiante?

Os itens básicos de acessibilidade são: acessos, circulação horizontal e vertical, sinalização, sanitários acessíveis, estacionamento e mobiliário. Esses itens devem ser aplicados em todas as edificações.
Depois de verificar esses itens, a edificação tem sua característica e isso deve ser levado em consideração para que o espaço seja utilizado por todas as pessoas. A Norma de Acessibilidade nos dá uma base e parâmetros antopométricos, mas o bom senso e a criatividade devem ir mais além.

Vou dar alguns exemplos de lugares acessíveis:

- Auditórios, casas de espetáculos e locais de shows: o palco também deve ser acessível, assim como os camarins, sanitários e locais de troca de roupas. Deve haver também piso tátil de alerta da borda do palco, avisando para o deficiente visual onde o palco acaba.

- Bares e restaurantes: é lei ter cardápio em Braille. Pelo menos 5% do total de mesas devem ser acessíveis para pessoas em cadeira de rodas, com aproximação frontal sem atrapalhar a pessoa que está sentada a frente. Se a conta não for paga na mesa, o balcão também deve ser acessível. Alguns restaurantes têm um dispositivo facilitador na mesa para a chamada do garçom.

- Farmácia: a disposição dos produtos de forma vertical atende pessoas de todas as alturas. Para ilustrar eu fiz um post no meu blog como exemplo. Além da disposição, os produtos “provadores” podem ter informações em Braille. Essa forma de organização também pode ser feita em diversos segmentos do varejo.

- Lojas de roupas: é necessário que tenha pelo menos um provador acessível feminino e um masculino. Hoje, as grandes lojas de departamento possuem este tipo de provador. As lojas menores não possuem provador acessível por ocupar muito espaço. Uma boa solução é o provador de cortina. O aro que sustenta a cortina não atrapalha na circulação da loja e pode ser maior, do tamanho da área de giro de uma cadeira de rodas: 1,50m de diâmetro.  Este provador também é útil para adultos com crianças ou idosos que precisem de acompanhamento. E para deficientes visuais, as etiquetas podem ser em Braille com informações básicas sobre as peças.

- Museus: todas as pessoas devem ter acesso a todas as obras. Um exemplo de museu acessível é a Pinacoteca, em São Paulo. Também fiz um post sobre o local. A Viviane Sarraf é especialista em Museus Acessíveis. Veja uma entrevista dela para a revista Sentidos. Esses foram só alguns exemplos de locais que podem ser totalmente acessíveis.

Usando a criatividade a gente pode tornar um espaço cada vez mais frequentado por todas as pessoas, incentivando o convívio entre todos.


"A acessibilidade é uma condição básica para a inclusão social das pessoas com deficiências ou que tenham necessidades especiais. Numa sociedade em que cada vez mais estamos utilizando modernas tecnologias de informação e de comunicação para estudarmos, informar-nos, trabalharmos e entreter-nos, acaba sendo prioritário para todos garantir a acessibilidade plena, inclusive para a Internet. De outra parte, ao projetar os espaços, os planejadores devem pensar em todas as condições de acessibilidade, sendo mais específicos os problemas de acessibilidade e utilização de equipamentos por parte das pessoas que usam cadeiras de rodas. Ao executar ou adaptar um projeto, seus construtores não podem deixar de considerar, por exemplo, condições antropométricas específicas destes usuários, já que a cadeira de rodas impõe limites à movimentação e também ao alcance manual e visual de seus usuários."

Muito discutido na atualidade é o tema de acessibilidade aos cadeirantes. Vários discursos de defesa chegam até nós, sejam eles políticos, informativos ou de cunho social, a questão é: criar vagas nos estacionamentos, implantar rebaixamento nas calçadas, significa que há um respeito às limitações físicas de pessoas com deficiência? Ou, é mais uma questão de distanciamento entre teoria e prática? 
Pensamos que, a conquista pela garantia de um espaço social onde não haja exclusão a essas pessoas foi, em partes, contemplada. É comum encontrarmos vagas em estacionamentos de supermercados, bancos e avenidas, assim como declives na estrutura de prédios e instalações. O que nos intriga é a conscientização da sociedade de que estes "lugares" devem ser respeitados e resguardados a quem realmente necessita deles.
Talvez a maioria ainda vê o deficiente físico com uma visão piedosa e não respeitosa, como o devia ser. O que falta, nestes casos, é colocar-se no lugar destes indivíduos e conhecer a real rotina destas pessoas.

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