março 23, 2010

Crónicas de um Vegetariano

 A bendita proteína

(*)Por Luciano Milhomem

Vegetarianos sempre ouvem a mesma pergunta: “Como você obtém proteína se não come carne?” Ora, ora, ora! Parece até brincadeira! O pior é que há realmente quem não saiba que ovos, leite, feijão, lentilha, para ficar em poucos exemplos, também são fontes naturais de proteína. Os vegetarianos que ainda consomem leite e ovos têm, portanto, opções a perder de vista. E os que só comem vegetais encontram em um punhado de grãos, sobretudo na soja, poderosos aliados.







Parêntese para quem não sabe ou não lembra (quem já sabe pode saltar para o próximo parágrafo): as proteínas são moléculas essenciais para manter a estrutura e o funcionamento de todos os seres vivos. Formadas por uma cadeia de aminoácidos, elas têm diferentes propriedades e funções, como regular a contração muscular, a produção de anticorpos, a expansão e a contração dos vasos sangüíneos para manter a pressão normal, entre outras. Enzimas, hemoglobina, certos hormônios e o colágeno dos ossos, tendões e pele, por exemplo, são proteínas.

Há também fontes industrializadas de proteína – e espero que, ao comentá-las, eu não receba vaia de naturalistas radicais. Os laboratórios produzem, por exemplo, o famoso Whey Protein, a partir da proteína do soro do leite. Não há malhador que não o conheça. Há dele também a versão mais concentrada, o Whey Protein Isolado, sem lactose (carboidrato que causa intolerância em várias pessoas). O mercado traz shakes prontos, mas o Whey também fica interessante batido com água e alguma fruta. Sai nos sabores baunilha, chocolate e morango. Há também sem sabor.

Outra forma industrializada de proteína são os aminoácidos líquidos, também produzidos a partir da proteína do soro do leite, mas esses nem sempre são gostosos. Alguns têm sabor e consistência de óleo para veículo. Bem... Nunca experimentei óleo de motor, mas pelo cheiro dá para ter uma idéia... Por isso, prefiro o amino em cápsulas, que pelo menos não têm gosto de nada.

Agora, gostosas mesmo são as barrinhas protéicas! Nem os tabletes são tão bons. Elas matam a fome rapidinho e lembram chocolate com caramelo por causa do gosto e da consistência. O mercado tem diversas opções. Mas o teor protéico de cada marca varia. Convém consultar um nutricionista (aliás, sempre!) e, se o consumo for esporádico, pedir informações detalhadas ao vendedor. Nas lojas especializadas em suplementos alimentares, eles costumam entender do assunto – ou pelo menos deveriam. Muitos são malhadores e consomem eles próprios vários dos produtos que vendem.

Naturalista radical ou não, a verdade é que as fontes naturais são mesmo bem mais saudáveis, além de agradáveis ao paladar. Feijão, soja, ervilha, castanhas, nozes, grãos e cereais inteiros rendem mil receitas. Quem come carne faz cara feia. Diz que a vaca no espeto, a galinha na panela ou o peixinho na brasa oferecem bem mais proteína. Pode ser. Mas tudo tem seu preço.

Especialistas garantem: uma picanha suculenta fornece em torno de 38 gramas de proteína, acompanhada de 44 gramas de gordura, 16 delas saturadas, ou seja, gorduras ruins que prejudicam o organismo. A mesma quantidade de sardinha fornece 34 gramas de proteína, com 18 gramas de gordura, 4 delas saturadas. Um concha de feijão tem 18 gramas de proteína, porém menos de 1 grama de gordura. E então? Vai de preto, fradinho ou carioquinha?...







(*) Luciano Milhomem é jornalista, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB) e não ingere carne de bípedes e quadrúpedes há dois anos e meio.
Consultoria técnica: Juliana Pompeu, nutricionista

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