fevereiro 02, 2010

Você mata para comer?

Não creio, como dizem os vegetarianos, que devamos estender aos animais os mesmos direitos que temos


Você come carne? Se você respondeu "sim", então, come animais mortos. Não é agradável pensar assim. Afinal, quase todo mundo gosta de animais. Talvez você até tenha gato ou cachorro. Mas, quando se atraca com uma feijoada, não se lembra do porco, que pode ser tão inteligente quanto cães.

Afastamos de nossos olhos a morte do que comemos. Você já esteve num matadouro? Qual foi a última vez em que viu uma galinha viva se transformar numa refeição? O que comemos costuma chegar à geladeira dentro de sacos plásticos. Fica fácil não pensar na vida que a sua comida levou. Você já tem tanta coisa para se preocupar, não é mesmo? Há uma turma, porém, que discorda. É uma pequena minoria, quase insignificante no Brasil, mas que tem um bom argumento. Se é imoral ou inaceitável matar e comer o seu melhor amigo canino, por que ser indiferente ao sofrimento e à morte da vaca e do frango? O movimento vegetariano usa a informação sobre o que decidimos ignorar para chocar e convencer. Há poucos dias recebi um e-mail do movimento No More Meat (chega de carne) com imagens de abatedouros ensanguentados, porcos num chiqueiro apertado, galinhas amontoadas, coisas assim. Era chocante, mas insuficiente para me convencer a virar vegetariano.

Concordo que os animais têm de ser criados e mortos da maneira mais humanitária possível. Mas não creio, como dizem os vegetarianos, que devamos estender aos animais os mesmos direitos que temos. Os animais podem ter algum tipo de sentimento e de inteligência, mas não têm valores morais, vivem apenas segundo seus instintos. Alguns direitos, que são uma invenção moral, são restritos aos seres humanos que os inventaram.

Sim, isso significa considerar o Homo sapiens superior aos demais animais. Há quem iguale essa minha opinião a um tipo de racismo, seria o "racismo" da espécie humana contra as demais. Posso viver com tal acusação. Solidariedade sinto pelos que realmente me são iguais.

Isso não quer dizer que não devamos melhorar os métodos de criação e abate de animais. Por razões econômicas (carne é cara e ficará cada vez mais), ambientais (consome muita água e energia) e de saúde (entope os seus vasos), todos deveríamos ser menos carnívoros. "Picanha só uma vez por semana" é o meu lema.


(Fábio Santos*
Diretor editorial (fsantos@destakjornal.com.br)) 

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