dezembro 14, 2009

Metade das emissões de gases-estufa do Brasil vem da pecuária, diz estudo

‘Pegada de carbono’ da carne bovina foi calculada pela 1ª vez.

CO2 emitido por kg custa mais que a própria carne, comenta pesquisador.


"Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que vendendo a própria carne"


A pecuária emite metade dos gases causadores do efeito estufa liberados pelo Brasil a cada ano. ( Clique aqui para entender a relação entre os gases-estufa e o aquecimento global.)
Além disso, implantação de novas pastagens abocanha três quartos da área desmatada na Amazônia e 56,5% no Cerrado.

Resultado de cinco meses de trabalho, os números, inéditos, são de estudo coordenado por Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira.



Os principais dados da pesquisa, cuja íntegra ainda será publicada em revista científica internacional, foram divulgados nesta quinta-feira (10) e serão apresentados em duas reuniões sábado (12) na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP 15 . Os autores (ao todo, dez especialistas) ressaltam que suas conclusões “não representam necessariamente” a posição das instituições em que atuam.
O levantamento verificou que em 2005 a emissão de gases-estufa (GEE) da pecuária representou 48% do total brasileiro. A atividade emitiu 1,055 bilhão de toneladas de GEE sobre 2,203 bilhões do total nacional, número do tão esperado inventário brasileiro de emissões, divulgado só recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia .

Clique aqui para baixar o inventário (formato .pdf, 16 páginas).
Ocorre que no inventário oficial as emissões são divididas por grandes grupos, como energia, processos industriais, mudança no uso da terra e florestas etc. “A diferença desse estudo em relação às abordagens estatísticas tradicionais é que elas dividem as emissões por categorias, e nossa abordagem é pela cadeia de um produto específico”, explicou Smeraldi ao G1. “Então ela é transversal, porque envolve uso da terra e fermentação entérica (basicamente, arroto de boi e vaca), por exemplo, processos que estão separados no inventário.”


"1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono"



Assim, é a primeira vez que a chamada “pegada de carbono” de um produto específico, no caso a carne bovina, é calculado. Pegada de carbono é a quantidade de gás-estufa liberada direta ou indiretamente por uma certa atividade. “O interessante desses dados é que eles podem começar a traduzir toda a situação para o consumidor, a dona de casa, o investidor”, comentou Smeraldi, que viaja hoje para Copenhague.
“Essa é a diferença de ter números sobre categorias e números sobre produtos: 1 quilo de carne industrializada significa 300 quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de carbono. É mais do que o custo da própria carne por quilo no atacado (o kg do dianteiro custa R$ 3,60; do traseiro, R$ 5,90)”, disse o especialista.

Leia também: Só arroto de boi equivale a 69% dos gases-estufa por desmate no Cerrado

“Como investidor eu posso raciocinar que, se a carne tivesse que pagar o CO2 que emite, ficaria inviável. Por outro lado, se seguir boas práticas, posso reduzir uma barbaridade essa emissão e vender o CO2 poupado no mercado de emissões por um preço superior ao da carne. Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que vendendo a própria carne.”

Fonte





COP 15
- Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas
Aquecimento Global


Segunda-feira, 14/12/2009

COP-15 entra em semana decisiva

Delegações do Brasil, China, Índia e África do Sul estão reunidas para tentar definir uma posição comum do grupo. As negociações não pararam em meio aos protestos do fim de semana.




COP-15: protestos continuam a tomar as ruas de Copenhague

Duzentos e cinquenta ativistas foram presos no domingo (13). A Conferência da ONU sobre o Clima entra na semana decisiva. Delegações de 192 países discutirão o texto do acordo final.

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