
, São Paulo, 14/03/2010]
Sônia T. Felipe (UFSC/ Univ. Lisboa)Há milênios, humanos possuem animais, usam, escravizam e matam animais para atender a qualquer propósito seu. Há milênios, os humanos inventaram uma ética para justificar a animalização de seus hábitos e servir igualmente a seus propósitos, a ética antropocêntrica. Humanos inventaram não apenas a escravização de animais, alegando que eles são inferiores. Eles inventaram um modo de justificar suas práticas escravizadoras, ao argumentarem que seres inferiores a eles nascem para servi-los, e, por isso, são objetos passíveis de apropriação.
Chegou a hora de redefinir a concepção moral antropocêntrica, colocando-a em seu devido lugar: ela deve limitar-se a conceber os humanos como fonte da moralidade, definindo o fim último da ética como sendo o bem que os humanos podem fazer ao desanimalizarem seu consumo.
Por animalização da alimentação, vestuário, lazer, ciência e linguagem humanas, entendo toda prática levada a efeito às custas do bem próprio, da liberdade e da vida de animais não-humanos e humanos. A ética precisa partir do valor maior impregnado à existência dos seres vivos: poder viver em liberdade.