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março 17, 2012

Consumir carne vermelha aumenta risco de morte, afirma novo estudo de Harvard

Consumir carne vermelha aumenta risco de morte, afirma novo estudo de Harvard

Sinal vermelho para a carne 
Red meat raises red flags

Mais uma vez a universidade de Harvard, nos EUA, uma das mais respeitadas do mundo, divulga um estudo condenando a ingestão de carne. O trabalho, que companhou mais de 120 mil pessoas durante quase 30 anos, concluiu que o consumo diário de carne vermelha aumenta o risco de morte prematura em até 20%. Foram analisadas informações de 37.698 homens e 83.644 mulheres durante 22 anos e 28 anos, respectivamente. Os participantes foram entrevistados sobre seus hábitos alimentares a cada quatro anos.

Doenças cardíacas, diabetes e câncer

As doenças mais comuns constatadas entre as pessoas que comeram carne regularmente durante o estudo foram as relacionadas ao coração, a diabetes do tipo 2 e também ao câncer. 23.926 pessoas morreram durante o estudo. Destas, 5.910 de doenças cardiovasculares e 9.464 de algum tipo de câncer.

Ferro heme (presente na carne) e doenças crônicas

O ferro da carne, tão enaltecido pela mídia e pelos produtores de carne, foi apontado como um dos ingredientes contidos na carne que causam doenças crônicas como as cardíacas e o câncer.
“A carne vermelha, carne processada especialmente, contém ingredientes que têm sido associadas ao aumento do risco de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares e câncer. Estes incluem o ferro heme, a gordura saturada, sódio, nitritos, e certos agentes cancerígenos que são formados durante o cozimento.” – Diz um trecho do documento.

Foi apontada a carne processada (linguiça, mortadela, salame, salsicha, patê, etc.) como grande vilã, mas outros tipos de carne considerados mais saudáveis como aves e peixes não se mostraram tão eficientes como os vegetais na busca de uma vida com mais saúde.
 
Substituindo a carne

Os cientistas de Harvard concluíram que a forma mais eficaz de substituir a carne no cardápio, com o intuito de evitar as doenças geradas por ela, é utilizar nozes. Substituir a carne vermelha por nozes provou que o risco de mortalidade cairia em 19%.

Redução da carne e economia com gastos de saúde pública

Incentivar a população a reduzir ou a deixar o consumo de carne traria uma economia de bilhões de dólares em saúde pública, segundo especialista.”Mais de 75% dos US$ 2,6 bilhões gastos anualmente com saúde nos Estados Unidos são por motivos de doença crônica”, disse Dean Ornish, médico e nutricionista da Universidade da Califórnia, em San Francisco. “Consumir menos carne vermelha pode ajudar a reduzir a mortalidade devido a essas doenças e reduzindo, assim, os custos com saúde”, complementa.

Ouça a notícia na CBN aqui.

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Red meat raises red flags


Study: Red Meat Increases Risk of Premature Death



Red Meat Consumption Linked to Increased Risk of Total, Cardiovascular, and Cancer Mortality


março 08, 2012

Moralidade animal: 7 vídeos incríveis

O pouco que sabemos agora sobre o comportamento moral dos animais nos leva a concluir que é muito mais desenvolvido do que nós lhe demos crédito”, disse Marc Bekoff, professor de ecologia e biologia evolutiva. “Não somos os únicos ocupantes da arena moral”.

No mundo científico, acumulam-se evidências que sugerem que muitos animais são seres morais. Comportamentalistas animais têm observado muitos casos em que eles exibem um senso de certo e errado e, geralmente, tratam uns aos outros com bondade, justiça e reciprocidade – mais do que nós podemos nos gabar. Veja algumas das provas nesses vídeos incríveis:


7 – Hipopótamo e impala
Em um exemplo surpreendente de altruísmo entre espécies, um hipopótamo resgata um impala jovem da morte pelas garras de um jacaré e ainda parece tentar ressuscitar o animal.
6 – CÃO CULPADO
Neste divertido vídeo, o tutor de um cão volta para casa e descobre seu lixo espalhado por toda parte e a tampa da lata de lixo presa na cabeça de seu cão. O animal apresenta linguagem corporal de culpa (muita culpa), e especialistas dizem que ele provavelmente entende que se comportou mal, quebrando uma regra posta em prática pelo membro alfa de seu “grupo” – seu tutor.
5 – PINGUIM LADRÃO
No vídeo, pinguins-de-Adélia são vistos reunindo pedras para construir seus ninhos. Um deles furtivamente rouba uma pedra do ninho do seu vizinho toda vez que ele vai pegar uma nova. Mas será que o pinguim ladrão sabe que suas ações secretas são moralmente erradas?
Os cientistas acreditam que não, porque dentro do grupo social dos pinguins, não há punição ou tratamento diferente para aves que roubam. Entre os corvos, por outro lado, existem consequências sociais para as aves que roubam. Os cientistas pensam que isso instila neles um senso de certo e errado.
4 – ESQUILO DE LUTO
Neste vídeo, um esquilo jaz morto na estrada, enquanto outro luta com os corvos que vêm para comer a carcaça. O esquilo vivo parece ter um impulso emocional ou moral de proteger o corpo de seu companheiro.
3 – CÃO PEDINDO RESGATE
Nesta filmagem um pouco famosa, feita logo após o tsunami no Japão, um cão parece tentar chamar a atenção e obrigar a equipe de filmagem a resgatar seu companheiro ferido. Ele se recusa a deixar para trás o cão ferido e parece confortá-lo.
2 – ELEFANTES RESGATAM FILHOTE
Numa demonstração enorme de compaixão, elefantes trabalham juntos para resgatar um filhote do afogamento.
1 – CACHORRO TENTA SALVAR COMPANHEIRO
Um cão resgata o outro companheiro que havia sido atropelado e estava ferido, arrastando-o pela movimentada pista de uma rodovia, arriscando seu próprio pescoço.
Além desta cadela que salvou um bebê humano recém-nascido  que havia sido abandonado no frio congelante, cientistas descobriram que cães possuem uma forma rudimentar de empatia.

Fonte: ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais

março 03, 2012

Será o Vegetarianismo um ato político?

 Desde sempre a alimentação tem sido o reflexo das culturas dos países, cidades ou comunidades onde a humanidade reside. Por todo o planeta, assistimos a uma diversidade imensa de pratos e sabores que enriquecem os povos ou os demarcam do resto do mundo. 
Artigo de João Pedro Santos.



O Vegetarianismo está presente na alimentação humana desde há cinco milhões de anosi, mas apesar de possuir a sua história disseminada por todo o mundo, teve a sua relevância inicial documentada no Oriente, onde as religiões determinaram em grande parte o comportamento alimentar dos seus milhões de crentes, como sucedeu no hinduismo, budismo ou jainismoii, que se dispersaram pela Índia, China e Japão.

Porém, durante o século XX, o Vegetarianismo começou a ser assumido e promovido principalmente em países como o Reino Unido, Estados Unidos da América, Alemanha e França, baseados na famosa trindade de argumentos (éticos, ambientais e de saúde)iii que têm fundamentado a opção vegetariana ou vegana de milhões de pessoas em todo o mundo.

Atualmente, tendo em conta o panorama alimentar que vivemos na nossa sociedade europeia e ocidental, onde o acesso facilitado a vegetais e frutas frescas, leguminosas, cereais, frutos secos e sementes e, inclusivamente a alguns alimentos exóticos, como o tofu (queijo fresco de soja), tempeh (grãos de soja fermentados) e ao seitan (glúten de trigo), têm propiciado um aumento exponencial do consumo alimentar vegetarianoiv.

A par disso, o aumento da quantidade de restaurantes vegetarianos ou de restaurantes convencionais com alternativas vegetarianas ou da promoção de linhas vegetarianas de produtos alimentares em hipermercados de cobertura nacional, permite concluir que o vegetarianismo se está a enraízar na cultura alimentar de muitos países, oferecendo alternativas alimentares viáveis em contraponto ao consumo de carne, peixe e derivados.

A política aparentemente surge desconexa do vegetarianismo, mas se a considerarmos como a procura do bem-estar comum numa sociedadev, podemos encontrar aqui um fio condutor que nos permite levar a um ponto crucial do nosso consumismo: a ideia de que a escolha comercial de um consumidor é sempre um ato políticovi.

Então se considerarmos as políticas alimentares, que norteiam nações e continentes inteiros, compreendemos o quão relevante são as ações quotidianas que acompanham a nossa alimentação e a nossa liberdade de escolha de um produto alimentar, em detrimento de outro. Podemos mesmo afirmar que não podemos negligenciar o nosso poder económico individual e temos a responsabilidade de o gerir da melhor forma possível. Um consumidor passivo não se coaduna numa democracia onde é vital tomar partidos e estar consciente das nossas decisões díárias e respetivas consequênciasvii.

De facto, a confluência de uma série de razões que determinam a nossa escolha no momento da seleção de um produto no supermercado, como o nosso sistema de crenças, ideais, disponibilidade económica, qualidade do produto a ser adquirido, credibilidade social da marca, impacto ambiental associado, a influência publicitária,ser um produto biológico ou não, ou até o tipo de produção industrial empregueviii, moldam as nossas decisões de compra e motivam estudos infindáveis ao comportamento dos consumidores.

No fundo, falamos de realizar escolhas vitais que determinam lucros a uma empresa e não a outra, que evidenciam o sucesso de uns e o fracasso de outros ou que permitem construir um futuro sustentável ou não.

O vegetarianismo surge aqui como um elemento crucial, dado que nos permite assumir uma postura decisiva no consumo orientado dos produtos que são isentos de crueldade animal, não testados em animais ou têm efeitos ambientais reduzidos.

Cada vez mais urge a necessidade de levar a política para os supermercados e espaços comerciais, vincando de forma inequívoca o rumo que traçamos para nós e para o nosso futuro comum.


i http://www.avp.org.pt/node/290
ii http://www.ivu.org/religion/
iii http://chronicle.com/article/The-Vegetarian-Lesson/128562/
iv http://www.avp.org.pt/node/266
v http://chronicle.com/article/The-Vegetarian-Lesson/128562/
vi http://www.artivist.gr/en/2011/10/are-you-still-not-thinking-of-becoming-a-vegetarian/
vii http://www.ecoliteracy.org/essays/pleasures-eating
viii http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=2484&Itemid=103



Fonte

fevereiro 13, 2012

Como ser um Herbívoro Feliz

Sandra Guimarães é uma brasileira de Natal que vive em Belém, na Palestina, onde ela trabalha como voluntária, principalmente com saúde bucal de crianças e nutrição em campos de refugiados na cidade, e divulgando o veganismo através do seu blog PapaCapim.

“Eu estava estudando linguística em Paris quando virei vegana. Em uma manhã de domingo aparentemente inocente, sentada na minha cozinha enquanto imaginava receitas que respeitassem meu novo regime, eu vi a luz! Era isso que eu queria fazer: criar receitas veganas”, ela diz.

Sua ligação com a Palestina começou com uma visita quatro anos atrás quando ela passou três semanas passeando e fazendo trabalhos voluntários. “As coisas que vi aqui me marcaram tanto que percebi que seria impossível voltar para casa e continuar com a minha vida de antes. Foi então tomei a decisão mais inusitada da minha vida : me mudei para a Palestina e comecei a trabalhar como voluntária nos campos de refugiados.”

O blog é lindo e traz receitas deliciosas para ajudar qualquer pessoa a se tornar um herbívoro feliz. E para facilitar ainda mais a vida de seus leitores e aspirantes a uma vida sem crueldade, Sandra criou um e-book (um livro digital em forma de PDF) com as melhores receitas de seu blog e dicas preciosas de como fazer a transição do onivorismo para o herbivorismo.

Para conseguir uma cópia basta escrever para Sandra, que aceita doações de qualquer valor que podem ser feitas pelo Paypal ou por uma conta do Banco do Brasil aqui no país. O guia percorre 78 páginas e trata unicamente da questão da alimentação vegetal (por isso é o guia do “herbívoro” feliz e não do “vegano” feliz), com dicas pra sobreviver em um mundo (ainda)onívoro, além de informação sobre nutrição vegana, respostas pras perguntas que veganos escutam com mais frequência e 32 receitas (algumas básicas, outras mais elaboradas).

Além disso, Sandra está trabalhando em outro projeto editorial chamado Natural e Vegetal para a editora Caki Books. Segundo Sandra, a proposta do livro é mostrar que “natural não significa “natureba” e que não é preciso escolher entre adotar uma alimentação saudável ou desfrutar dos prazeres da mesa: é possível ter os dois ao mesmo tempo.” O livro vai reunir suas melhores receitas, a maioria inéditas, além de novas receitas, tudo ilustrado com fotos da própria Sandra. O lançamento está planejado para abril (e-book e versão impressa sob comanda).

Neste meio tempo, leiam o Herbívoro Feliz, que inclui os seguintes capítulos:

Introdução

• O que é o guia do herbívoro feliz?
• Por que herbívoro?
• Quem é quem: tipos de vegetarianos

1- Por onde começar
• Primeiros passos
• Sobrevivendo em uma família onívora
• Se prepare pra enfrentar o mundo onívoro: herbívoro fora de casa

2- Na prática
• A despensa do herbívoro
• Equipe sua cozinha
• Como substituir leite, creme, manteiga e ovos e veganizar qualquer receita
• Como preparar: -Leguminosas -Cereais -Legumes

3- Colocando a mão na massa
• Leite, creme e queijo vegetal
• Café da manhã
• Pratos principais
• Saladas, molhos e pastas
• Sopas
• Doçuras

4- Princípios básicos de nutrição vegana
• Onde encontrar proteína, ferro, cálcio, ômega 3 e B12
• Como compor um cardápio vegetal equilibrado

5- Perguntas frequentes e mitos sobre veganismo

Serviço:

Fazer o depósito via Paypal para papacapimveg@gmail.com com a mensagem: “Quero o meu livro”. As contribuições voluntárias podem variar de “R$1 a R$1 milhão.”
Depósito no Banco do Brasil: Agência 1668-3 Conta Corrente 24281-0 Titular da conta: José Paulo S. de Carvalho

via Lobo Repórter

fevereiro 11, 2012

Mesmo incipiente, dieta vegetariana figura no menu da hotelaria

Aquele vegetariano que vem à mente toda vez que a palavra é proferida já sofreu vários tipos de deturpação. Observando a "tribo" mais profundamente, percebe-se que, além dos estereótipos, existem várias vertentes para a dieta que contempla, ainda, uma filosofia de vida. O simples fato de o grupo não consumir carne vermelha já é um entendimento ultrapassado sobre o tema. Outras ramificações para o comportamento deste público já surgiram, e ofertas de consumo específicas já foram criadas, em diversas áreas de mercado.
A evidente preocupação de parte da sociedade com a preservação da saúde e com o aumento nos números de vegetarianos no Brasil, deixam de ser impressão e ganham tons de realidade quando alguns índices são apresentados. Segundo o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), 9% da população brasileira vive sob algum tipo de dieta vegetariana. De acordo com o Instituto Ipsos, 28% quer comer menos carne.

A hotelaria não se faz alheia ao tema, e há modelos para todos os gostos. Acontece, por exemplo, de hotéis implantarem cardápios vegetarianos por conta da ideologia dos proprietários - fato comumente observado em empreendimentos independentes. Todavia, grandes redes já aderiram ao modelo e, não de forma exclusiva, também incorporaram a dieta vegetariana às suas ofertas.

Outro fato que pode mensurar o crescimento da aceitação da dieta é uma das medidas adotadas pelo governo da cidade de São Paulo. Nela, cerca de 626 mil crianças da rede municipal de colégios terão, pelo menos uma vez por semana, receitas à base de soja sendo servidas como merenda escolar.
Comparados ao comportamento alimentar geral da população brasileira, os vegetarianos e seus índices de adesão ainda são pequenos, no entanto, o aumento, rápido ou não, é fato constatado.

De forma maciça ou até mesmo sutil, a demanda existe e precisa ser atendida. E é neste nicho de clientes tão peculiares - e ao mesmo tempo tão simples -, que alguns meios de hospedagem passaram a oferecer em seus portfólios gastronômicos alternativas especiais.

Nesta reportagem, o Hôtelier News buscou compreender - de forma menos calórica e mais saudável, com o perdão da piada - esta nova vertente do setor de Alimentos &  Bebidas.
"Em geral, as dificuldades [para o consumidor vegetariano] são maiores no interior [do que nas grandes cidades], pois as opções são mais restritas. Contudo, isto é bem relativo, pois depende muito da boa vontade do estabelecimento. Alguns estão dispostos a atender o público vegetariano, mudando os ingredientes e adaptando os pratos, outros não têm muita abertura", opina Marly Winkler, vegetariana e presidente da SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira).

"Por incrível que pareça, em hotéis maiores, considerados de qualidade superior, o bufê tem mais carnes e produtos de origem animal em todos os pratos - até mesmo nas saladas -, se comparados a restaurantes e hotéis mais simples, pois há uma noção de que, quanto mais carne melhor - o que é um grande equívoco. Cada vez mais as pessoas informadas procuram alimentos saudáveis, com menor impacto ambiental, e as redes hoteleiras deveriam estar atentas a isso", observa a presidenta da associação.

O detalhe citado por Marly foi justamente o passo primeiro do Deville Salvador, localizado na capital baiana, quanto à temática. No início de 2011, a administração do hotel implantou em seu serviço culinário uma gama de opções composta totalmente por vegetais - compilada num cardápio 100% destinado para vegetarianos e para celíacos (pessoas que apresentam intolerância a ingestão de alimentos com glúten).

"Há algum tempo, o cliente vegetariano era tratado como exceção. Era necessário que isto fosse identificado no momento do check-in, para que o hotel pudesse se organizar quanto à melhor forma de atendê-lo. Atualmente, com a tendência cada vez maior de busca por uma vida saudável, este cliente já faz parte do cotidiano dos hotéis", argumenta José Maria Espíndola, gerente geral do Deville.
A ação do hotel baiano nasceu da necessidade. Espíndola justifica que foi preciso criar opções para um cliente cada vez mais presente no empreendimento, e, a partir do êxito no primeiro passo, os outros foram consequências. Atualmente, o gerente conta com o auxílio de um chef de cozinha e de uma nutricionista para a confecção dos pratos com iguarias vegetais.
Crescimento
Para o gerente do hotel soteropolitano, a alimentação vegetariana para quem dorme fora do lar é, ainda, incipiente. Isto porque os próprios responsáveis pelos meios de hospedagem desconhecem as necessidades deste público. Otimista, ele acredita que é necessário desenvolver formas diferentes de atendimento e de hospedagem - já que a tendência é a consolidação do público obediente aos preceitos vegetarianos. "É fundamental que a hotelaria incorpore este conceito à sua rotina diária e às suas estratégias na área de A&B para poder manter-se atualizada junto ao consumidor", aconselha.

Marly diz que cada vez mais se espalha o conhecimento do fato de que há grande contingente de pessoas que optaram por não comer nenhum tipo de carne e nenhum produto de origem animal sem que isso cause espanto. "Na Europa e nos Estados Unidos, praticamente todos os restaurantes, dentro e fora de hotéis, têm um setor vegetariano no cardápio. Queremos o mesmo para o Brasil", comenta, dizendo-se grata ao novo comportamento de alguns estabelecimentos que, antes, ofereciam-lhe frango e peixe como alternativas - quando mencionava ser vegetariana.

Com o desenvolvimento do conceito vegetarianismo e das ofertas para o segmento, além dos empreendimentos que simplesmente comercializam alimentos especialmente preparados, há quem faça disto sua maneira de viver.
Filosofia
É o caso da Pousada do Matutu, instalada em Aiuruoca, interior de Minas Gerais. Inaugurada em meados de 1987, a unidade implantou preceitos vegetarianos em sua oferta culinária. "À época, baseamos a alimentação que servíamos em preceitos vegetarianos. Nossa intenção é oferecer uma alimentação saudável, bonita de se ver e com muito sabor. Queremos fazer algo que agrade não somente para quem adotou a dieta vegetariana, mas também para outros hóspedes", explica Mara Lucia Moreira Barbosa, cozinheira da unidade.

"Normalmente, as reservas de hóspedes aqui são feitas via telefone. Já neste momento, nós alertamos o cliente de como se dá a alimentação por aqui. Ultimamente, temos percebido que a alimentação é o que mais tem atraído hóspedes", conta a cozinheira.

Na pousada Matutu, diariamente são servidas cinco refeições, todas com elementos produzidos diretamente na horta do próprio hotel. De acordo com Mara, nas principais refeições do dia, existem cinco opções, pensadas, elaboradas e preparadas por ela mesma. "Procuro equilibrar as cores, escolher produtos da época e caprichar no modo de preparo", diz.

Realidade parecida vive a Pousada Jardim do Éden, situado na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Em seu oitavo ano de operação, o empreendimento segue propagando, além da dieta, a vida vegetariana. "As pessoas que ficam aqui conosco têm uma grata surpresa", adverte Lúcia Helena dos Santos, proprietária da pousada.

"Cada suíte [a pousada conta com 16] tem uma fragrância de uma planta nativa. Cultivamos algumas plantas medicinais e produzimos alguns produtos para higiene pessoal, tudo com matéria-prima das nossas hortas", esclarece a proprietária, que mora na região há 18 anos e é adepta do vegetarianismo há 30.

A rotina começa às 4h, quando as atividades de colheita de ingredientes e preparação do restaurante são feitas. Pouco depois, às 8h, tudo está pronto. "Geralmente, só hospedamos clientes com reserva prévia - e a grande maioria não é vegetariana, o que nos traz bastante satisfação. Assim, podemos propagar a cultura vegetariana para pessoas que ainda não a conhecem. Elas repensam suas vidas, veem que é possível ter uma comida saborosa com ingredientes naturais e viver de maneira diferente, saem daqui surpresos", assegura.
 
Vegetariano na cidade
Semelhante aos outros empreendimentos na preocupação e na militância, mas divergente na localização, a Pousada Ziláh, situada na região central de São Paulo, também optou pela inclusão de ofertas vegetarianas na concepção de seu cardápio. "Sempre tivemos a ideia e a intenção de ter um comportamento sustentável em todas as nossas ações, inclusive no setor de Alimentos & Bebidas", afirma Thiago Amarante, gerente Administrativo da pousada.
Ao todo, são quatro pratos especialmente idealizados para estes clientes - Nhoque de aipim com molho rústico de tomate orgânico, manjericão e azeitonas pretas; Tagliatelle ao molho shimeji e Cogumelo Paris refogado no vinho branco e creme de queijo; Tagliatelle ao molho pesto, com castanha de baru (nativa do Cerrado); e Risoto de vegetais com palmito grelhado. "Nossas opções vegetarianas são fruto de uma ideologia alimentar na qual nós acreditamos e não encomendada a pedido de algum hóspede", ressalta o gerente da Ziláh.
Outro fator lembrado por Amarante para a comercialização de produtos vegetarianos no restaurante é a facilidade com que os pratos podem ser feitos. Para ele, qualquer profissional com alguma formação em gastronomia é capaz de elaborar pratos suficientes para compor um cardápio.
O mesmo detalhe também foi exposto pela representante da SVB, que quando perguntada sobre as dificuldades na implantação da alimentação vegetariana em hotéis alegou não enxergar problemas para esta inclusão, à exceção da falta de vontade de alguns empreendimentos. "Não vejo para isso nenhuma dificuldade, pois há uma enorme quantidade de receitas de fácil acesso publicadas em livros, revistas e na internet - basta haver boa vontade", salienta.
Nicho de mercado
De acordo com Marly, a tendência é que cada vez mais empresários do ramo da hotelaria voltem seus olhos para o público em questão e descubram que atendê-los pode ser um diferencial na competição diária do mercado. "Certamente, um nicho de quase 10% da população nacional não é nada desprezível, não é? Trata-se de um contingente de 17 milhões de pessoas, que deve ser contemplado. E estamos abertos e dispostos a colaborar para isso", declara.
O pensamento é compartilhado pelo hotel InterContinental São Paulo, também da capital paulista, que por meio de seu restaurante Tarsila oferece a seus hóspedes algumas variações de alimentação vegetariana em cada refeição.
"Há bastante tempo o hotel tem a preocupação de proporcionar alternativas para hóspedes vegetarianos. Acredito que outros empreendimentos também estejam atentos a esta demanda e já ofereçam opções parecidas com as nossas", declara Amanda Cunha, gerente de Alimentos & Bebidas da unidade hoteleira paulistana.
"Por fazermos parte de uma rede internacional [a IHG (InterContinental Hotels Group)], temos sempre que pensar em menus com opções bastante variadas. Dispomos de uma equipe de nutricionistas especializada em apresentar opções diferentes para públicos especiais - e os vegetarianos se encontram nessas condições. São profissionais concentrados em oferecer boas opções alimentares não somente para hóspedes e clientes do restaurante, mas também para funcionários", explica Amanda.

Falando com a condição de representar uma empresa internacional da hotelaria, a gerente do InterContinental admite que o hóspede vegetariano já representa uma demanda crescente. Ela acredita que isto, em breve, exigirá dos meios de hospedagem preparação para recebê-los, com suas múltiplas restrições alimentares. "O cliente vegetariano já deve ser uma preocupação para qualquer empresa do ramo de alimentação. É uma demanda consolidada".

www.svb.org.br
www.deville.com.br
www.ichotelsgroup.com
www.pousadamatutu.com.br
www.pousadajardimdoeden.com.br
www.zilah.com

Fonte

janeiro 30, 2012

O palhaço pedófilo e outras histórias

Ia eu dizendo que entrei excitada no McDonald's do meu bairro na Sexta-Feira Santa, dia de peixe e detesto peixe e gosto de pecar, quando deparo com o palhaço Ronald McDonald, amado pelas famílias felizes dos happy meals. Havia dois, um de madeira e outro em fotografia de cartão. O de cartão saudava com um grande sorriso.

Perguntei a uma criança: o que achas do palhaço Ronaldo? Imperturbável respondeu: tem cara de pedófilo. E eu: é porque nos filmes de serial killers pedófilos o assassino se veste de palhaço e tem balões? Não, é porque ele parece um bocado pedófilo. Onde é que já se viu isto? Que civilização é esta? Que perspicazes crianças, filhas da Net e do digital, são estas? Onde pára a infância? E depois perguntei pela máquina de Multibanco que costumava estar na entrada. Onde foi? E diz a menina do McDonald's: roubaram. A máquina? A máquina. Que saudades de Filadélfia, como diria W.C. Fields.

Fonte

janeiro 20, 2012

Nutricionistas ensinam como forçar uma criança a comer animais



Embora não seja considerada uma tarefa fácil, encontrar crianças que não querem comer nennhum tipo de carne e outros alimentos de origem animal está cada vez mais comum. Mesmo crianças muito pequenas, sem conhecimento e maturidade suficientes para tomar decisões de forma consciente, rejeitam comer animais. Talvez seja a evolução natural da nossa espécie se mostrando.
Porém, um dos maiores obstáculos que surgem no caminho destes “pequenos veganos de fábrica”, é a falta de informação de grande parte dos médicos e nutricionistas. Presos a paradigmas da profissão, indicam às mães que mascarem os alimentos, se preciso, para não deixar de dar animais para que seus filhos comam. As mães, claro, entendem por decreto o que os profissionais dizem. Com razão, por medo. Foi exatamente o que aconteceu com a jornalista Rosana Jatobá, relembre  aqui o caso dela.
Neste artigo, do site “Bolsa de Mulher”, alguns profissionais insistem na velha e ultrapassada forma de garantir o ferro e outros minerais na alimentação das crianças: carne. “Ofereça pelo menos umas dez vezes para saber se realmente ela ainda não se acostumou ao gosto do bife. Você deve insistir: as tentativas são necessárias”, diz um trecho da matéria.
Um bom profissional deve se manter atualizado. Se o seu nutricionista manda seu filho comer carne, troque de nutricionista.


Fonte: Vista-se

Escritor americano pesquisa crueldade da pecuária e incentiva vegetarianismo

‘Não necessitamos desse tipo de alimentação”
Foer aponta estatísticas sobre o aumento de pessoas que comem menos carne a cada ano

Estufa. Meat Market: Hunting (Mercado da carne: caça), 
de Oscar Oiwa: agropecuária animal aumenta 
mais o aquecimento global 
que poluição de carros (Foto: Divulgação)
Em sua maratona de pesquisas, Jonathan Safran Foer descobriu detalhes aterradores, especialmente sobre a forma como os animais são tratados e abatidos. Notou também que a engenharia genética, diante de um desejo desenfreado de produzir animais cada vez mais suculentos, provocou deformidades substanciais em diversas espécies.

O ponto mais interessante de seu debate é a relação que as pessoas desenvolvem com os animais: se cães e gatos despertam compaixão, por que o mesmo não acontece com bois, galinhas e peixes? “Nenhum leitor desse livro toleraria alguém balançando uma picareta na cara de um cachorro”, escreve. “Nada seria tão óbvio ou menos carente de explicação. Seria essa preocupação moralmente inaplicável aos peixes, ou nós é que somos tolos por ter essa preocupação inquestionável com os cachorros?”

O escritor também pondera que a agropecuária contribui para o aquecimento global com mais de 40% do que todos os meios de transporte do mundo somados. Com isso, é a causa número 1 das mudanças climáticas. Nem é preciso ressaltar que Foer, a mulher e os filhos aderiram em definitivo ao vegetarianismo. A atitude, aliás, já era notada quando eles estiveram em Paraty, em 2006, convidados da Flip – no jantar em homenagem aos escritores, eles preferiram saladas a peixe e carne vermelha.

Também Oskar Schell, o talentoso menino que é o personagem principal de Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, é descrito como vegetariano. Mesmo assim, Foer não defende seu livro como uma nova bíblia do vegetarianismo, como explica na seguinte entrevista, por telefone, de Nova York.

Como foi o processo de pesquisa?

Conversei com muitas pessoas, com amigos, estudantes, pesquisadores, fazendeiros, e praticamente todos revelavam um conhecimento muito raso sobre como são tratados os animais criados para abate. Assim, encaminhei minha pesquisa e escrevi o livro não como um panfleto favorável ao vegetarianismo, mas como uma espécie de reportagem sobre o funcionamento da indústria que são as fazendas criadoras de carne, em que, na maioria dos casos, os animais vivem enclausurados, sem contato com a luz solar e também sem tocar o solo. Animais tratados com drogas que os fazem crescer mais rápido que o normal. Por conta disso, não é possível respeitar pessoas que se dizem vegetarianas, mas comem carne só no fim de semana, ou, pior, que não querem pensar a respeito.

Você acha possível existir um balanço entre a necessidade nutricional de carne, especialmente na fase infantil, e o controle no criação de animais?

Não, porque simplesmente não necessitamos comer carne, seja qual for a idade. Comemos carne porque gostamos, não porque precisamos. Na verdade, provavelmente viveríamos melhor sem esse tipo de alimentação. Também teríamos a chance de alimentar muito mais pessoas no mundo, se abandonássemos ou, ao menos, diminuíssemos a agropecuárial.

Mas você acredita que isso realmente possa acontecer?

É uma mudança gradativa. As estatísticas mostram que aumenta o número de pessoas que comem menos carne a cada ano. Isso é animador. Outro detalhe importante é que a mídia vem noticiando mais continuamente sobre detalhes da indústria da carne, o que ajuda na divulgação.

O vegetarianismo ainda é marcado por estereótipos, como ser praticado apenas por hippies?

Sim, parece ser uma prática restrita a hippies e universitários. Mas também isso vem mudando – além de ser uma opção pessoal, o vegetarianismo provoca um consenso de que a indústria é cruel ao cultivar animais. E o bom é que a informação circula mesmo entre não vegetarianos.

Por falar nisso, o que você pensa de celebridades defenderem a causa? A atriz Natalie Portman, por exemplo, que já era vegetariana, tornou-se ainda mais radical depois de ter lido seu livro.

Bem, isso é legal. O grande trunfo do livro foi despertar discussões. Eu não pretendia provocar os amantes de carne, tampouco aumentar as fileiras vegetarianas – queria despertar a atenção das pessoas sobre a origem de sua alimentação. E atitudes como a de Natalie contribuíram para isso.

Sua experiência com a não ficção deve continuar?

Acredito que não. Essa foi uma resposta às minhas dúvidas sobre como criar meu filho. Meu terreno é a ficção. Já estou até rascunhando as primeiras linhas do meu próximo livro, mas não me pergunte, porque não adianto nada.

Outros defensores de animais

Natalie Portman

A atriz favorita ao Oscar deste ano confessou que, depois de ler o livro de Foer, tornou-se uma vegetariana mais radical.

Paul McCartney

Tornou-se vegetariano em uma pescaria: “Percebi que a vida do peixe era tão importante para ele quanto a minha é para mim”.

Brigitte Bardot

A ex-atriz protestou contra a matança de bebês focas, a caça a lobos, e o hábito de se comer cães, cavalos e outros animais.

Carne indigesta
O autor.
Nascimento do filho o levou q questionamentos
 (Foto: Wilton Junior/AE)



Jonathan Safran Foer estreou na literatura sem turbulências. Seu primeiro livro, Tudo se Ilumina (2002), foi mimado com resenhas elogiosas e até ganhou uma versão para o cinema. O segundo, Extremamente Alto & Incrivelmente Perto (2005), voltou a deixar a crítica de queixo caído ao contar a história de um garoto talentoso que é incapaz de enfrentar a morte do pai, uma das vítimas do ataque ao World Trade Center. Quando se esperava por mais um salto do escritor americano com rosto de bom moço, a surpresa: Foer decidiu enveredar pela não ficção, publicando, em 2009, Comer Animais (tradução de Adriana Lisboa), que a editora Rocco, também responsável por seus dois primeiros títulos, lança nesta semana.

Em linhas gerais, trata-se de uma detalhada reportagem, temperada com reminiscências familiares, sobre a poderosa indústria especializada em carne animal que, só nos Estados Unidos, abate mais de dez bilhões de espécimes por ano apenas para alimentação. Não apenas o número impressiona, mas a forma como esses animais são tratados antes de ornamentar o prato de milhares de pessoas.

Foer conta que o assunto já o acompanhava há um certo tempo – garoto, era um apaixonado por galinha com cenoura, único prato que a avó sabia preparar; jovem, recusava-se a comer carne em público (ainda que, confessa, a atitude era mais para impressionar meninas ativistas). Mesmo assim, o vegetarianismo ainda não era uma opção de vida. “Mark Twain disse que parar de fumar era uma das coisas mais fáceis de se fazer; ele fazia isso o tempo todo. Eu acrescentaria o vegetarianismo à lista das coisas fáceis”, escreve, em Comer Animais.

Foi o nascimento do primeiro filho, no entanto, em 2006, que desencadeou uma ferrenha tomada de posição: Foer questionava, ao lado da mulher, a também escritora Nicole Krauss, a forma de alimentação da criança e, por extensão, do próprio casal. “Éramos vegetarianos que de vez em quando comiam carne.” Disposto a descobrir a origem de sua alimentação de origem animal, Foer passou três anos fazendo pesquisas, conhecendo fazendas (e sendo expulso de algumas) e descobrindo a forma cruel com que os animais são tratados e, pior, abatidos. O resultado não apenas alterou seu hábito alimentar como gerou um livro que provoca discussões.

ANDA

Ser ou não ser vegetariano, eis a questão

Por Patrícia Padrão, nutricionista*
Uma parrilhada de Miguel Soares, cozinheiro do restaurante argentino El ultimo tango
Embora a expressão vegetarianismo seja relativamente recente, a rejeição de alguns ou todos os alimentos animais não é um fenómeno contemporâneo. Ao longo da história da Humanidade, vários grupos populacionais optaram por não comer carne, frequentemente em contextos de ideologias específicas, em particular por razões religiosas, o que se mantém actualmente.

As razões apontadas para se ser vegetariano incluem questões éticas e ecológicas, preocupações com a saúde, preferências sensoriais, razões filosóficas, económicas, influências familiares ou receios relacionados com a segurança alimentar. Desta forma, o padrão alimentar adoptado por cada vegetariano é influenciado pelos motivos pessoais inerentes à escolha de cada indivíduo, identificando-se assim uma variedade de gradientes de exclusão de produtos animais da alimentação.

Os padrões alimentares dos vegetarianos podem variar consideravelmente. Vão desde a exclusão de todos os alimentos de origem animal (padrão vegan), à inclusão de alguns destes alimentos, nomeadamente os produtos lácteos (padrão lacto-vegetariano) ou ainda os ovos (padrão ovo-lacto-vegetariano).

Para algumas pessoas, ser vegetariano pode associar-se a outras especificidades do padrão alimentar incluindo, por exemplo, a restrição de bebidas alcoólicas ou com cafeína ou produtos alimentares processados, por exemplo. Para além destas restrições alimentares, outras características relacionadas com o estilo de vida parecem associar-se ao vegetarianismo como, por exemplo, não fumar, praticar exercício físico regularmente, evitar usar medicamentos, rejeitar produtos testados em animais ou optar por terapias alternativas à medicina moderna. Este estilo de vida, frequentemente mais saudável, dificulta por vezes a identificação de eventuais diferenças no padrão de doenças entre vegetarianos e não vegetarianos, devidas especificamente ao estilo alimentar.

Não obstante, os padrões alimentares vegetarianos parecem oferecer vantagens para a saúde por tenderem a incluir pequenas quantidades de gordura saturada, colesterol, proteína animal e elevados teores de fibra, magnésio, folato, vitaminas C e E, carotenóides e fitoquímicos. Alguns vegans podem apresentar contudo, ingestão inferior à recomendada de vitamina B12, vitamina D, cálcio, ferro, zinco, iodo e, eventualmente riboflavina.

A alimentação vegetariana tem sido associada a uma redução de alguns factores de risco para doença cardiovascular, como perfil lipídico mais favorável, índice de massa corporal mais baixo e pressão arterial inferior. No entanto, alguns estudos sugerem que alguns vegetarianos (sobretudo os vegans) podem apresentar níveis plasmáticos aumentados de homocisteína, um factor de risco emergente para doença cardiovascular, provavelmente associado à menor ingestão de vitamina B12.

Uma ingestão elevada de alimentos vegetais tem sido relacionado com uma redução do risco de determinados cancros, embora não haja diferenças significativas na incidência de cancro e mortalidade, entre vegetarianos e não vegetarianos. Vários estudos apontam para um aumento de risco de cancro colo-rectal nos indivíduos com elevada ingestão de carne e baixa ingestão de fibra, não havendo contudo evidência consistente que mostre que o vegetarianismo, por si só, proteja contra o cancro colo-rectal.

Não devemos esquecer que, independentemente do grau de exclusão de alimentos animais da alimentação, os planos alimentares vegetarianos, para serem nutricionalmente adequados e saudáveis, devem ser devidamente estruturados.

*Nutricionista e professora
Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto
patriciapadrao@fcna.up.pt

Fonte

Saiba como incrementar a dieta vegetariana utilizando o gosto Umami

Alimentos ricos no quinto gosto básico do paladar humano deixam pratos mais saborosos e apetitosos

Após ser confirmado pela comunidade científica como o quinto gosto básico do paladar humano, e se juntar aos já conhecidos doce, salgado, azedo e amargo, o Umami ficou muito associado a alimentos de origem animal. O que pouca gente sabe é que este gosto pode ser um grande aliado dos vegetarianos. Além de deixar os pratos mais apetitosos, diversos alimentos que contém Umami são ricos em vitaminas e minerais.

Hellen Maluly, professora de Bromatologia e Toxicologia de Alimentos da Faculdade Oswaldo Cruz, diz que a associação do Umami com alimentos de origem animal acontece, pois o aminoácido ácido glutâmico (também chamado de glutamato), principal responsável por proporcionar o quinto gosto, está presente em elevadas quantidades neste tipo de alimento.

Por outro lado, a especialista explica que outras substâncias também são capazes de promover o Umami. "O que muita gente esquece é que, além do glutamato, os nucleotídeos guanilato e inosinato também proporcionam o gosto Umami, e estas substâncias estão presentes em alimentos de outras origens, como vegetais e fungos", diz Hellen.

MAS COMO ENRIQUECER A DIETA VEGETARIANA UTILIZANDO O UMAMI?

Segundo o artigo "Como os vegetarianos se beneficiam do UMAMI?", publicado no Portal Umami, "legumes, verduras, cogumelos e algas são exemplos de alimentos que, além de muito nutritivos, podem facilmente enriquecer a dieta dos vegetarianos" Isso acontece pois uma das principais características do Umami é a capacidade de tornar os outros gostos mais atraentes ao paladar.

O fato é que o Umami sempre esteve presente na dieta dos vegetarianos, mas talvez não de forma consciente e clara. "Uma salada completa, de tomate, acelga, repolho, milho e ervilhas verdes é com certeza muito apreciada pelos vegetarianos, e riquíssima em Umami", ilustra o artigo.

COMITÊ UMAMI

O Comitê Umami Brasil é um grupo criado para discutir e divulgar temas relacionados ao quinto gosto básico do paladar humano, o Umami. O comitê tem relação direta com o Umami Information Center, organização sem fins lucrativos, dedicada a pesquisas sobre o tema.

UMAMI NA WEB

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Fonte

janeiro 17, 2012

Morrissey é eleito como personalidade que mais defende os animais

O cantor Morrissey, ex-Smiths,
é um dos vegetarianos mais famosos
do showbizz
O cantor Morrissey, ex-Smiths, é um dos vegetarianos mais famosos do showbizz. A cada show, o britânico leva para o palco uma mensagem sobre os direitos animais. Afinal, não é qualquer cantor que consegue transformar a frase “Meat Is Murder” em música e ainda transformá-la num hino.

O cantor acaba de receber um título do PETA, ONG voltada para o tratamento correto de animais. Morrissey foi escolhido como a personalidade do rock inglês que mais defende os animais. Esse título já foi entregue a dublê de atriz, Pamela Anderson, e ao ator e ex-007, Sir Roger Moore.

Fonte: ANDA

Morrissey named PETA UK's Person of the Year
Morrissey

Natalie Portman vai adaptar ao cinema «Comer Animais», um livro de Jonathan Safran Foer

natalie.jpgNuma entrevista realizada ao site francês Chap (e “desenterrada” pelo The Playlist) o escritor norte-americano Jonathan Safran Foer, autor de obras como «Everything is Illuminated» e «Extremely Close and Extremely Loud» (Extremamente Alto, Incrivelmente Perto) adianta que Natalie Portman vai realizar um documentário baseado no seu livro não ficcional «Eating Animals», editado em Portugal com o nome «Comer Animais».


Portman, que já tinha realizado o segmento «Eve» em «New York, I Love You», contactou mesmo com Foer a demonstrar essa intenção, demonstrando uma visão muito pessoal sobre a obra. O próprio autor confirma na entrevista que irá ajudar a «atriz» na adaptação, mas que o trabalho vai seguir a visão de Portman, uma vegetariana convicta, que estaria então numa fase muito preliminar dos trabalhos.

Aqui deixamos a descrição do livro que encontramos no site da Fnac:

«À semelhança de muitos jovens, Jonathan Safran Foer passou grande parte da sua adolescência e dos anos de universidade alternando entre o ser um carnívoro entusiasta e um vegetariano ocasional. Quando se tornou marido de alguém, e depois pai, as dimensões morais da alimentação tornaram-se cada vez mais importantes para ele. Encarando a perspetiva de ter de explicar por que razão comemos uns animais e não outros, Foer dispôs-se a explorar as origens de muitas tradições alimentares e as ficções que ajudaram a criá-las. Viajando para os recantos mais escuros dos nossos hábitos alimentares, Foer levanta a questão silenciosa que está por trás de cada peixe que comemos, de cada frango que fritamos e de cada hambúrguer que grelhamos. Em parte memórias e em parte relatório de investigação, "Comer Animais" é um livro que, nas palavras do 'Los Angeles Times', senta Jonathan Safran Foer «à mesa com os nossos melhores filósofos». Ao contrário da maioria dos outros livros sobre o assunto, este também explora as possibilidades para aqueles que comem carne, para que o façam com mais responsabilidade, fazendo deste um livro importante não apenas para vegetarianos, mas para qualquer pessoa que esteja preocupada com as ramificações e o significado do seu estilo de vida.»

Jorge Pereira

C7NEMA

Cresce número de jovens preocupados com a defesa dos direitos animais

Para muitos jovens, a época da faculdade é quando são tomadas as primeiras decisões independentes ou, numa escala maior, quando são definidos quais assuntos serão importantes para eles. As decisões feitas hoje formatarão o resto de suas vidas e o futuro dos países quando eles se tornarem adultos.

A PETA conversou com Ryan Huling, responsável pelas campanhas do grupo nas faculdades, sobre o impacto que os estudantes de todo o país terão no movimento pelos direitos animais.

O que os estudantes podem fazer para tornar os campus livres da crueldade animal?

O número de vegetarianos nas universidades cresceu mais de 50% desde 2005, e o número de veganos mais que dobrou. Então não é surpresa que a demanda por opções sem carne aumentem nos campus. E, como consequência, tem crescido a objeção dos alunos à dissecção, mais faculdades têm criado políticas formais e informais que permitem aos estudantes estar equipados por alternativas que não usem animais.

A PETA diz que os jovens estão se voltando para a defesa dos direitos animais. Como?

Jovens e estudantes universitários em particular compõem uma parte considerável de todos os movimentos por justiça social da história recente, e os direitos animais não é exceção. O projeto Liberation que apresentamos nas universidades justapõe o abuso que os humanos têm infligido a si mesmos ao longo da história (como o trabalho infantil, escravidão e negação de direitos básicos) com os abusos que atualmente infligem aos animais. Os estudantes ficam muito motivados a corrigir estas injustiças.

A rede virtual de jovens ativistas da PETA tem mais de 70 mil membros ativos que assinam abaixo-assinados, telefonam às empresas que cometem abusos contra animais e promovem todos os dias programas educativos sobre o direito dos animais.

A ideia de boicotar produtos de origem animal tem se tornado muito presente para estes jovens, que irão influenciar as gerações futuras.

Fonte

Dieta vegetariana deve ser acompanhada, diz nutricionista

'É o especialista quem fará do vegetarianismo um estilo de vida saudável'.
Excesso de determinados tipos de alimentos pode levar à obesidade.


Tássia Lima
Do G1 Sorocaba e Jundia

O hábito de comer carne todos os dias ainda faz parte da vida da maioria da população. Mas, nos últimos anos, o crescimento do número de vegetarianos vem anunciando uma mudança no perfil do consumidor. Em uma pesquisa realizada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), no final de 2010, 4% dos jovens das classes A, B e C, de São Paulo e do Rio de Janeiro, se declararam vegetarianos.
"Sinto que rejuvenesci meu organismo", diz Fernanda Teka, de 24 anos. Há um ano, ela faz parte do grupo dos ovolactovegetarianos, que não comem nenhum tipo de carne, vermelha ou branca, mas que consomem ovos, mel, leite e derivados, e conta que, em alguns dias, já sentiu as mudanças no corpo. "Parece pouco tempo, mas bastou uma semana para começar a perceber os benefícios, além do incrível sentimento de superação", afirma.
Mas, segundo a nutricionista Ana Carolina Morcelli, a pessoa que adere a uma dieta vegetariana pode ter deficiência de ferro e de vitamina B12 no organismo. "O problema maior são os veganos, que não comem nenhum tipo de alimento de origem animal", afirma. De acordo com a especialista, o ferro é responsável por dar mais energia ao corpo e manter a frequência cardíaca dentro do normal. Já a falta de vitamina B12, que participa da formação do sangue, pode causar anemia. Fernanda, porém, garante que tem uma alimentação balanceada: "Substituo a carne por proteína de soja, ovos, leite e derivados, folhas escuras, castanha-do-pará". E a nutricionista aprova. "O consumo de alimentos de origem animal já permite a absorção dos nutrientes necessários", explica.
Para quem pensa que adaptação é difícil, os vegetarianos garantem: não é. "Não senti falta da carne, foi tranquilo. Percebi melhora na digestão e não me sinto pesada após as refeições", diz Fernanda. Para André Tambucci, não foi diferente. Vegetariano há 12 anos, ele afirma que nunca gostou de carne. "Sempre tive nojo, não vejo como comida. Vejo como um ser em decomposição", conta.
O motivo é óbvio: a preservação da vida. André mudou a alimentação ainda adolescente, aos 15 anos, sem influência de parentes ou amigos: "Não acho justo a maneira como os animais são cultivados, sem ter chances de defesa. Depois, ainda são mortos com crueldade". Fernanda também afirma que sempre apreciou a dieta dos vegetarianos pelo respeito aos bichos e diz que brincava que um dia pararia de comer carne: "Sempre dizia que viraria vegetariana aos 30 anos, até que um amigo me perguntou por que não me tornava de uma vez. Foi assim que eu tomei a decisão".

Segundo eles, o maior desafio é comer fora de casa, principalmente em festas nas casas de outras pessoas. "Fim de ano é sempre assim: acabo comendo só arroz ou não comendo nada. O pior é quando tentam empurrar presunto ou peixe e dizem que não é carne", desabafa André. Para Fernanda, até mesmo os restaurantes precisam se atualizar: "A maior parte dos cardápios ainda conta com carne em quase todas as opções. Não entendo como problema, mas, em alguns casos, é bom comer em casa antes de sair".
A preocupação quanto a esse modo de vida, no entanto, é que a pessoa adote uma dieta com excesso de determinados tipos de alimentos e falta de outros, o que pode acabar causando uma desnutrição ou levando à obesidade. Segundo Ana Carolina, o acompanhamento de um especialista é fundamental para uma boa saúde. "É o nutricionista quem vai orientar sobre quais alimentos contêm os nutrientes necessários para o corpo e é ele quem fará com que o vegetarianismo seja um estilo de vida saudável, evitando os riscos que uma dieta muito restritiva pode causar ao organismo", explica.
Para quem quer experimentar a comida vegetariana, Fernanda deixa uma dica tradicional, mas que garante que é deliciosa. "Há uma porção de receitas boas, mas passarei uma vegana pra provar que comida sem carne é boa demais".


Hamburguer de soja caseiro

Ingredientes
-250 g de PVT (proteína vegetal texturizada) fina
-2 cebolas pequenas raladas
-3 dentes de alho ralados
-1 colher de café de curry
-1 colher de chá de açafrão
-5 colheres de sopa de orégano
-10 colheres de sopa de óleo
-22 colheres de sopa de farinha de trigo
-1 colher de chá de manjericão
-sal e pimenta do reino a gosto

Modo de fazer
Hidrate a PVT, deixando-a na água por meia hora. Depois, aperte-a para tirar o excesso de água. Adicione todos os ingredientes, com exceção da farinha de trigo. Mexa bem e, aos poucos, vá colocando a farinha.
Se a massa não estiver com liga suficiente, adicione mais farinha de trigo e forme os hambúrgueres. É possível assá-los em uma forma untada ou, em uma frigideira com um pouco de óleo. Também é possível congelá-los. Eles duram até seis meses. Rende 12 hambúrgueres.


Fonte


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janeiro 02, 2012

Universidade de Harvard declara: Lacticínios não fazem parte de uma alimentação saudável

A escola de Saúde Publica de Harvard enviou uma fortíssima mensagem ao departamento de agricultura dos Estados Unidos e a peritos de nutrição de uma forma geral através da última versão do guia alimentar “Healthy Eating Plate

Os especialistas de Harvard declararam que o novo guia alimentar não só se baseou em sólidas investigações na área de nutrição, como também não foi influenciado por lobistas da indústria alimentar.

A exclusão de lacticínios do “Healthy Eating Plate” baseou-se em afirmações de Harvard tais como:

“…o consumo excessivo pode aumentar o risco de cancro na próstata e possivelmente nos ovários

“ … o cálcio é importante mas o leite não é a única, nem sequer a melhor fonte

Alternativas ao leite

Os especialistas de Harvard referiram também os altos níveis de gordura da maior parte dos lacticínios e sugeriram que couves, leite de soja e feijão são melhores opções do que lacticínios para obter cálcio e outros suplementos de qualidade.

Parabéns a Harvard

Parabéns a Harvard por promover maior consumo de vegetais e frutos, bem como proteínas mais saudáveis como feijão e nozes.

Parabéns a Harvard por ignorar lobistas e mostrar ao mundo o que é alimentação saudável

Fonte

Harvard Declares Dairy NOT Part of Healthy Diet



Guia alimentar de dieta saudável da Harvard não recomenda laticínios


Recentemente, a colunista da ANDA Sônia T. Felipe, lançou o livro “Galactolatria: mau deleite – implicações éticas, ambientais e nutricionais do consumo de leite bovino”. Sônia é doutora em Teoria Política e Filosofia Moral, com pós-doutorado em Bioética-Ética Animal. Mas como podemos observar pelo próprio título, seu livro aborda não apenas a questão fundamental dos direitos animais, mas os beneficios ambientais e à saúde humana em não consumir o leite bovino. O Guia da dieta saudável da Universidade americana Harvard (“Healthy Eating Plate”) vem reforçar que o consumo de laticínios não faz mesmo parte de uma alimentação equilibrada.
As informações de uma das instituições mais respeitadas do mundo, no entanto, não batem com as da dieta que o governo americano divulga como boa para o seu povo. Como mostra a imagem abaixo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos coloca os laticínios como um dos 5 grupos fundamentais da alimentação humana para uma saúde plena.
O guia de saúde e nutricionismo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, batizado de “Choose My Plate”, defende cinco grupos de alimentos para a construção de uma dieta saudável. O último, “Dairy”, é o grupo dos laticínios. (Imagem: United States Department of Agriculture)
Assim, o Guia da dieta saudável da Universidade Harvard é uma resposta ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos em defesa da saúde pública, pois se baseia em investigações científicas livres de lobbies e pressões de grupos corporativos. O Guia alerta que o consumo de leite e derivados está associado ao desenvolvimento de câncer de próstata e, possivelmente, câncer de ovário. Os pesquisadores de Harvard também chamam atenção para os altos níveis de gordura saturada e para os componentes químicos envolvidos da produção de laticínios. A solução apontada pelo estudiosos é a ingestão de alimentos ricos em cálcio como legumes verdes (espinafre, couve, brócolis, etc) e diversos grãos.
A Harvard não recomenda laticínios no seu Guia de dieta saudável. (Imagem: Harvard School of Public Health)
Como bem colocou o Portugal Mundial, não se trata de propagar o veganismo, até porque as carnes continuam no Guia da Harvard. Ainda que os animais explorados na cadeia produtiva do leite tenham muito o que comemorar com esta divulgação, os humanos também se beneficiam, já que a alimentação é uma importante questão de bem-estar e saúde.